7 de março de 2009 às 12:00

Watchmen [Crítica]

watchmen

Zack Snyder é o Deus da adaptação.

Depois de 2 anos de hype, 20 anos de graphic novel e 2 horas e 45 de filme, este filme pode não ser o melhor de todos os tempos, talvez seja superado um dia como o melhor dos quadrinhos, mas vai ser difícil alguém superar Zack Snyder e a equipe por trás desse filme. Esqueçam a palavra “adaptação”. Esse filme não é uma simples adaptação de Watchmen, é a transcrição quase perfeita dos quadrinhos originais para as telas. Portanto alguns críticos não adorem e talvez não seja aceita pelo grande público, mas é perfeita em seu meio. O melhor filme sobre quadrinhos da história até hoje, de longe. Acho difícil alguém ser tão fiel e apaixonado quanto Zack Snyder foi, mas tudo é possível…

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Em Watchmen somos apresentados ao mesmo universo criado por Alan Moore e Dave Gibbons, onde heróis mascarados surgiram no início do século XX para combater ladrões e assassinos birutas. A coisa foi evoluindo a tal ponto que tantos heróis sugiram que uma lei foi criada para que fosse obrigatória a revelação de suas identidades. Nesse meio tempo surge um verdadeiro super-herói chamado Dr. Manhattan que tem poderes inimagináveis, como prever o futuro, teletransportar, se multiplicar quantas vezes quiser e manipular matéria a sua vontade. Em meio disso, a história da segunda metade do século XX fica totalmente diferente em um tipo de mundo alternativo, onde Richard Nixon se reelegeu por 3 vezes, os States ganharam a guerra do Vietnam e o mundo está a beira de um holocausto nuclear. No meio desse reboliço todo, um assassino parece estar caçando os membros do extinto grupo chamado Watchmen, um a um, e um deles está disposto a chegar no fundo dessa história custe o que custar.

CARLA GUGINO as Silk Spectre

A história é tão longa e densa, com tantos detalhes e tanta humanidade que nem mesmo 20 resenhas contariam tudo. Mas a história mais interessante ainda é a por trás desse filme que levou anos para ser feito e uma lealdade a suas origens nunca antes vista. O dinheiro gasto na película é abusrdo e Zack Snyder acertou em CADA cena do filme. Desde a escolha das músicas, até Slow Motion no momento certo, passando pelo fato de que Billy Crudup não tinha o corpo para fazer Dr. Manhattan e até isso eles pareceram arrumar digitalmente. Tudo se encaixa. Além do que, o espetáculo visual é de grandeza nunca antes vista. Isso sem mencionar o espetáculo de argumentos criado por Moore que fez talvez a única história em quadrinhos americana realmente inteligente de todos os tempos.

BILLY CRUDUP as Dr. Manhattan

Os atores são obviamente um show a parte, sendo cada um perfeito em sua atuação, além de todas e quaisquer expectativas, superaram dando uma riqueza ainda maior aos personagens. Infelizmente esses personagens não puderam ser tão bem explorados quando na HQ, mas podem ter certeza que estava tudo lá, obviamente com um pouco menos de diálogos, mas foi uma transcrição perfeita. Claro que as maiores palmas vão para Jackie Earle Haley no papel de Rorschach. Desde sua falsa voz – que compõe metade do seu personagem – até seus grandes momentos sem seu “rosto” são simplesmente inimaginavelmente bem interpretados. Parabéns ao Comediante interpretado por Jeffrey Dean Morgan. Em tempo, Malin Akerman aparece peladinha sim em cena de sexo fantástica como Espectral II e eu pegava a Carla Gugino até maquiada de idosa.

MATTHEW GOODE as Ozymandias

Watchmen é a consagração de uma obra prima, mas mesmo sendo um filme histórico, encontra alguns obstáculos. A série era extremamente densa dividida em 12 capítulos que construíram um século XX diferente, personagens complicados e uma trama carregada de informações e emoção. Imagine condensar isso tudo em 2 horas e 45 minutos? Ficou perfeito, mas incrivelmente mais denso e talvez platéias não fãs dos quadrinhos tenham dificuldade em enxergar isso com bons olhos. Além do mais, pelo lado dos fãs xiitas a retirada de um ou outro diálogo fosse  algum tipo de sacrilégio. Para estes eu recomendo que assistam um Homem-aranha de décadas passadas ou quem sabe agora com A Lenda de Chun-li chegando, fiquem menos exigentes. O que interessa é que esse não é um filme para exibição única. Tem que ser visto mais de uma vez para se pegar todos os detalhes e experiências vividas pela tela.

MALIN AKERMAN as Silk Spectre II

Definitivamente este filme foi feito para ser ver nos cinemas, indispensável para fãs e altamente recomendado para não fãs. Maioria dos nerds vão amar, alguns vão odiar, mas este indiscutivelmente marcou a história das adaptações em “antes e depois” de Watchmen. Gostem ou não, foi um transcrito com uma pequena alteração no final que veio para melhor. Invasão por monstros alienígenas feitos de cruzamento genético tava meio forçado, convenhamos. (E isso não é spoiler, né? Já deveria ter lido essa história 20 anos atrás) Nisso também repousa outra grande característica do filme, que por mais fantástica que seja a história e não se prenda tanto as leis da física, é totalmente REAL. É como você pensa que Batman, Homem-aranha e cia fossem na vida real. Como a própria frase em um momento do filme diz “Super-homem existe e ele é americano”. São situações reais caso alguém resolvesse colocar uma máscara e saísse dando porrada na rua.

Vá agora assistir o filme, dê sua opinião e entre para a história como um dos espectadores de um evento nerd sem precedentes na história dos quadrinhos.

3 Trailers diferentes e cada um com seu ângulo da história. (legendados)

Crítica