13 de janeiro de 2010 às 11:00

Vício Frenético [Crítica]

Finalmente Nick Cage retorna dos mortos…

Depois de uma leva de péssimos filmes, Nicolas Cage retorna após anos afundado em péssimas escolhas de roteiros, diretores e afins, em um filme triunfalmente baseado e consolidado sobre sua atuação entre outras pérolas técnicas. Apesar de que alguns marmanjos serem capazes de entrar enganados achando que é apenas mais um filme policial ou sobre gangsters/drogas/etc, temos aqui uma jóia rara muito pouco divulgada que merece todos os louros.

Uma refilmagem do clássico com Harvey Keitel de 1992, Vício Frenético conta a história do Tenente Terence McDonagh na Nova Orleans pós-Katrina. Ele é responsável por investigar a morte de cinco imigrantes ilegais do Senegal em uma chacina que inclui homens, mulheres e crianças. Durante o filme, vemos que o Tentente McDonagh também não faz o tipo “bom moço”.

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A única coisa que consegue se comparar a atuação de Nicolas Cage nesse filme é a direção de Werner Herzog, genial do início ao fim, com transições pouco óbvias e pausas dramáticas em cenas surreais. Ele nos colocam naquele desconforto que realmente só é comparavel talvez aos desníveis de um verdadeiro usuário de crack. O único pecado talvez tenham sido uma ou outra cena desperdiçada ou desnecessária que poderiam facilmente ter sido limadas em uma edição um pouquinho mais cuidadosa e teriam aumentado a experiência “frenética” do filme.

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O elenco é não menos que fenomenal. Não vou mais encher a bola de Nick Cage, mas com certeza ele volta das profundezas depois de um de seus últimos grandes papéis, ao meu ver, seria o de Senhor da Guerra em 2005… Uau, faz tempo, hein? Claro que nem tudo foi horrível, mas entre O Vidente, Perigo em Bangkok e Motoqueiro Fantasma, convenhamos que ele não estava sendo muito feliz nas suas escolhas de roteiro. Agora está tudo perdoado e esquecido. Desde suportar todo um filme em posição incômoda, até suas crises de abstinência junto a suas ondas por cheirar e fumar tudo que um ser humano é capaz em cena, ele convence a níveis assustadores. Comecei a pensar se ele não estava realmente usando aquilo tudo em cena. Fantástico. Eva Mendes continua linda, maravilhosa, material para top 1 de listas sexy de todo o mundo mesmo. Infelizmente, seu rosto no cartaz não garante mais do que uma participação ligeira e muito pouco explorada como a prostituta namorada de McDonagh. Mesmo assim, em seu pouco tempo de tela ela esteve fantástica. A revelação do filme foi Val Kilmer que chegou bem perto de seu papel como Jim Morrinson de 1991, criado um personagem TÃO diferente de si mesmo que ficou quase irreconhecível em certos aspectos. Um show de atuação de sua parte, como não se via a décadas.

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O que falar sobre esse filme? Difícil. Ele mexe com você de formas complicadas de se descrever. Se baseia principalmente em personagens, direção e a história acaba sendo loucamente conduzida a partir daí. É uma viagem longe do LSD, talvez mais próxima de outras drogas metabólicas, onde palavrões e agressões sejam o menor dos problemas do filme. Com certeza não compreendo sua infame bilheteria ao redor do mundo, mas com certeza deve ser uma pérola pouco assistida. A mudança de ares do original em New York para a devastada Nova Orleans veio muito bem a calhar. E o mais impressionante é que o personagem mais cretino do filme é na verdade por quem você acaba mais torcendo e se identificando. Somente o premiado Nick Cage de Despedida em Las Vegas conseguiria nos fazer identificar tão pessoalmente com um viciado corrupto. Já falei da maravilhosa trilha sonora? É Nova Orleans, baby. ;]

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Vício Frenético nos mostra que não existem santos e que por mais que você tome decisões ruins, sempre terá pessoas que são mais sacanas, mais ferradas e/ou mais infelizes que você. A viagem é forte, não recomendo para quem tem ouvidos e olhos sensíveis, não pela violência e palavrões, mas pelo que é capaz de tocar em você. Talvez atinja o “Tenente Ruim” dentro de cada um. Recomendo a ida ao cinema se não estiver afim de tocar sua criança interior e seus dilemas emocionais com Onde Vivem Os Monstros. O ano começou muito bem pelo visto.

Crítica