Um Sonho Possível [Crítica]

Uma visão diferente sobre diferentes dificuldades sociais
De todos os indicados ao Oscar desse ano, vários falaram sobre situações de ajuda a pessoas necessitadas. Talvez nenhum deles, na humilde opinião dos que vos escreve, fez por uma perspectiva tão interessante quanto o filme que rendeu um dos Oscars mais merecidos, de Melhor Atriz. Ao contrário dos outros filmes de caráter assistencialista que mostram a ajuda social do ponto de vista do ajudado, essa película mostra com um ritmo, suavidade e leveza o ponto de vista do ajudador. A premissa de um jovem pobre se sobressaindo através do esporte é mais do que batida, mas com certeza não é nem de longe o foco do filme.
Baseado em fatos reais, Um Sonho Possível conta a história de Leigh Anne Tuhoy, uma mãe de família classe média alta que se comove com a situação do pobre estudante de ensino médio Big Mike, ganhador de uma bolsa de estudos esportiva na mesma escola de seus filhos. Michael Oher, traumatizado e sem teto, recebe abrigo, carinho e apoio de Leigh Anne e sua família, para depois de tornar o left tackle – importante posição no futebol americano – mais bem pago dos Estados Unidos.
O diretor John Lee Hancock não mostrou criatividade excessiva, mas teve a grande vantagem de lidar com elenco espetacular. A parte técnica não trouxe grandes novidades e provavelmente o público brasileiro não vai reconhecer as participaçõe especiais de grandes nomes do futebol americano no filme, mas para os próprios gringos isso deve ser um ponto divertido a favor da película. Pontos fortes a se destacar é a forma discreta que lida com cena mais emocionantes. Aparentemente a palavra de ordem para os dramas atuais é discrição. Seu grande trunfo foi também ter assinado o roteiro, simplesmente fantástico. Falas, argumentos e cenas muito bem colocados e montados na hora certa em uma história feita para derrubar corações incrédulos.
O show ficou por conta dos atores. Sandra Bullock é a palavra da vez. Interpretando uma mãe de família sulista, de uma sociedade conservadora, com um sotaque carregado e personalidade forte, ela ganhou todos os corações com sua interpretação. Mais do que merecido Oscar, ganhou por cenas como a de Mike ganhando sua primeira cama, como pudemos ver no trailer do filme. Conseguiu mostrar o lado durão e ao mesmo tempo sensível de Leigh Anne sem grandes caricaturas, ainda com um toque de bom humor característico. Elenco de apoio também foi espetacular, com Tim McGraw como o marido Sean, a pequenina revelação Jae Head como o caçula Sean e a possível futura grande gostosa Lily Collins no papel da “filha do meio”. Apesar de não conhecer muito sobre a figura que inspirou o personagem, o ator Quinton Aaron pareceu fazer um papel exageradamente ingênuo, mas muito simpático. Parece diferir muito da imagem do jogador de futebol americano original. Mesmo assim, nem de longe estraga o filme. Participação mais que especial da lendária Kathy Bates.
E porque esse filme é diferente de todos os outros quinhentos filmes, manchetes e livros sobre garoto pobre que se supera com o esporte? Simples, porque dessa vez vemos a perspectiva de quem o ajudou. E não pensem que é tudo alegria não. Apesar da visão otimista de John Lee Hancock, nem tudo são rosas para os Tuhoy na difícil jornada de simplesmente ajudar uma única pessoa. Leigh Anne tem que enfrentar a sociedade, um sistema educacional cínico e desacreditado e até sua família por vezes, só para ter a oportunidade de ajudar alguém em necessidades. O sem-teto Big Mike é retrato da pobreza não só dos Estados Unidos, mas do mundo e Leigh Anne não representa mais do que a iniciativa privada, que é muito bem capaz de levantar sua bunda e ajudar pelo menos mais uma pessoa no mundo. Pode parecer pouco, pode parecer que não vai mudar nada, mas a ajuda que Leigh Anne presta a “Big Mike” é um exemplo capaz de mudar a cabeça de centenas de milhares de pessoas solicitas a fazer um pouquinho mais pelo próximo.
O filme não é para fazer refletir sobre as pessoas que sofrem, também serve para mostrar o que se ganha em ajudar os outros. Não é uma atitude totalmente autruística, como o próprio filme fala. Todos tem benefícios, todos aprendem e todos saem um pouco mais “ajudados” de uma forma ou de outra. Talvez o título “Sonho Possível” parecesse inapropriado em relação ao “The Blind Side” se referindo a uma posição do futebol americano, mas ele reflete bem a noção de que é possível estabelecer uma relação de ajuda, confiança e apoio sustentável em uma comunidade com apenas algumas atitudes diferentes. É sim, possível. Se não está afim de ação esse final de semana e gosta de um bom filme para derramar umas lágrimas e dar uma ou outra risada ocasional, essa é a melhor pedida essa semana. Recomendado, com assinatura e carimbo ZeroOitocentos.









Ja estava afim de assistir agora entao com essa critica tenho que ver !
Obrigado pela a dica Mentre Zen !
Disponha.
Valeu pelo comentário.
Esse filme realmente é muito bom, fui assistir sem muitas expectativas e amei. Parece que a crítica brasileira não gostou muito do filme. Essa crítica está excelente, exatamente o que pensei sobre o filme, tentei explicar a uma amiga, mas não pude! Vou ler essa crítica para ela!