18 de fevereiro de 2010 às 18:18

Um Olhar do Paraíso [Crítica]

Um paraíso fotográfico para todos os gostos

Acabaram-se as férias e para melhorar minha vida, estamos abarrotados de filmes, sejam eles “oscarizados” ou não. Um Olhar do Paraíso chamou atenção de cara por ser um dos novos trabalhos de Peter Jackson na direção em algum tempo. Infelizmente o filme, por melhor que seja e ele é até bom, não vai entrar na galeria dos melhores filmes de Jackson por alguns simples deslizes que vamos explicar aqui.

Baseado no livro de Alice Sebold chamado Uma Vida Interrompida, Um Olhar do Paraíso conta a história de Susie Salmon, que depois de ser estuprada e assassinada aos 14 anos por um vizinho serial killer, tenta equilibrar seu desejo de vingança com a vontade de ver sua família e amigos se recuperarem de sua morte. Susie observa enquanto seu assassino escapa da polícia e apaga todas as pistas com êxito, enquanto planeja matar novamente. Enquanto isso sua família sofre sua perda sem saber como lidar com a dor.

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A premissa é simples, porém densa. Peter Jackson adiquiriu os direitos de filmagem do livro, recém chegado ao Brasil, e fez um roteiro por conta própria para depois lançar a idéia a Dreamworks. Seu renome e sua idéia colaram e então ele zarpou para a árdua tarefa de passar quase dois anos filmando a película. Sua impressão e sua obra de arte misturando bela fotografia e desenvolvimento computadorizado avançado ficam bem evidentes. Não se tem muito o que reclamar de Jackson, a não ser que ele aliviou tanto a história visual e roteiristicamente que em alguns momentos a suavidade é excessiva ao ponto dar um pouquinho de sono. Mas ele corrige isso rapidamente com algumas sequências mais tensas. Mesmo assim, a suavização excessiva de um assunto tão forte pareceu desprezar o mais importante, o debate sobre a mente criminosa em contrapartida a dor do luto. A escolha entre vigança e reparação.

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As atuações foram das mais diversificadas, indo da mais desprezível a mais sensacional. A pior ficando por conta de Mark Wahlberg que com certeza custou 1 ponto inteiro desse que vos fala. Como pode um ator interpretando um pai em luto ser tão sem sal quanto Wahlberg? Esse cara é um artista da atuação medíocre. Realmente deveria ficar nos filmes de ação. Do outro lado está o fantástico Stanely Tucci no papel do serial killer pedófilo Sr. Harvey. Outro show de atuação ficou por conta da novata Saoirse Ronan no papel principal de Susie. Olhos azuis, grandes, bonitos e que passam alguma coisa em tela. Está meio crua, mas com certeza uma ótima primeira atuação em uma superprodução. Rachel Weisz além de linda e ótima atriz, teve infelizmente pouco tempo de história e ainda some em boa parte do filme, dando espaço para a relação de Susie com seu pai. Um desperdício. Susan Sarandon pega o bonde andando na história, mas mostra porque ganhou seu Oscar em sua pequena participação.

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O filme merecia uma melhor edição, ou talvez um “director’s cut” resolva essa impressão “sonolenta” do filme. Mas com certeza a construção da tensão não deixa espaço para ninguém dormir até o final. Assim como em um sonho, Jackson conduz a audiência entre mundo perfeito e pesadelo em uma montanha russa legal, que tem diferentes efeitos sobre diferentes espectadores. Alguns estão lá pelo lado dramático, outros pelo thriller de suspense, outros talvez pela conotação espirtualizada esotérica. Não interessa por qual motivo, Um Olhar do Paraíso tem para agradar vários gostos diferentes, mas nenhum deles no ápice de seus quesitos. Apesar dos pesares, a obra visual de Jackson é no mínimo impecável, para não dizer outra coisa.

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Naturalmente é uma das melhores fotografias de 2010 até o momento e por isso a indicação é líquida e certa. Talvez entre tantos “oscarizados” você adie de ir ao cinema ver esse, mas não deixe de ir de qualquer forma. Esse filme em tela gigantesca é um agrado aos olhos sem igual. Confira.

PS: Atenção para o easter egg de Peter Jackson aparecendo no filme. ;]

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