3 de janeiro de 2011 às 5:13

Tron: O Legado [Crítica]

Eu luto pelo usuário

Muita água rolou por debaixo da ponte desde o primeiro filme em 1982, quando a Disney se aventurava pelo mundo sombrio dos filmes de ficção-científica live action. Depois de ver toda uma geração de nerds nascer das cinzas com Jornada nas Estrelas e Guerra nas Estrelas, era hora de explorar algo novo e inexplicavelmente fascinante, outro tipo de espaço, o cyberespaço. Abusando de referências como Neuromancer e da moda na época, o Neon e computadores, Steven Lisberger – reza a lenda – se valeu de uma viagem psicodélica e muita piração lissérgica para criar a história de um game designer hacker que é transportato para dentro de uma rede de computadores e tem que destruir uma tirânica inteligência artificial com a ajuda de um programa de segurança.

TRON: LEGACY

Tron: O Legado pega alguns anos depois do final do primeiro filme, ainda no final dos anos 80, quando Kevin Flynn desaparece misteriosamente, deixando seu pequeno filho, orfão de mãe, sozinho durante os próximos 20 anos. Subitamente, Sam Flynn recebe um chamado de seu pai de um telefone que tem estado desligado pelos últimos 20 anos. Ele acaba sendo transportado para o mesmo universo que seu pai e com a ajuda de uma solícita ajudante virtual chamada Quora, eles vão ter que tentar destituir um novo tirano na Grade e garantir seu retorno para o mundo real.

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Inegavelmente, o senso de estética do novo diretor, Joseph Kosinski, está a altura da continuação do clássico. Das roupas, aos cenários totalmente digitais, a todo o sentido visual dado ao roteiro não tão brilhante de Edward KitsisAdam Horowitz. Sim, porque onde visualmente o filme se sobressai, a história também peca. Tron foi um misto de inovação e fantasia criado pela Disney em tempos difíceis. Claro que o sucesso de bilheteria não foi imediato na época como na sua continuação, mas a história encantou milhões ao longo das décadas. Legado promete fazer algo oposto. Nem todo o hype e estética conseguem manter a história sobre problemas parentais de Sam Flynn nos trilhos. De resto, até que Kosinski tira leite de pedra com alguns atores meia-boca entre outros espetaculares. Mas, esperar o que de um diretor totalmente novato?

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Já no campo da atuação, Garrett Hedlund fica muito além do carisma e capacidade de atuação de TODOS os outros atores. Infelizmente ele é o protagonista, o que pesa muito contra a película. Entre os outros bons atores estão Olivia Wilde, o clássico e fodáximo Michael Sheen – roubando a cena mais uma vez em uma curta participação – e o mais que perfeito Jeff Bridges. Depois de aclamado com seu recente Oscar, ele mostra porque quem foi “Flynn” nunca perde a majestade. Até mesmo o antigo Tron, Bruce Boxleitner, dá de 100 a 0 no novato Sam Flynn. Prêmio gostosa revelação vai para Beau Garrett como a gostosinha com pouquíssimas falas, Gem. Linda e reticente, o que mais esperar?

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Talvez a maior decepção seja o fato de que não bastasse a nova história focar mais nos problemas psicológicos de Sam Flynn do que na verdadeira história, sem nenhum mistério, mas o 3D é um verdadeiro roubo dos espectadores, tirada a primeira e fantástica sequência que deixa apenas um gostinho de “quero mais” para o resto do filme. Isso já valeria uma estrela completa a menos por si só. Todos sabem como filmes live action tem apanhado para tentar implantar a tecnologia 3D e Tron: O Legado não colabora nessa luta. Mais uma vez os produtores abusam da sigla 3D na frente do nome do filme para poder arrancar uns trocados a mais dos espectadores. Agora, já a experiência Imax é muito recomendada. Se você mora em São Paulo ou Curitiba, pode compensar a graninha a mais para conferir toda a fodelância visual em uma tela de muitos andares de altura. Fora isso, prefiram copias 2D para não gastar dinheiro a toa. Talvez o maior legado fosse a tecnologia de reconstrução facial que deixou Jeff Bridges quase 30 anos mais novo. Nada completamente espantador, apenas uma evolução mais orgânica da técnica de Avatar, mas que promete futuramente transformar atores em versões mais jovens ou até ressuscitar atores mortos..

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No geral, Tron: O Legado ainda é um agrado aos fãs hardcore e uma opção levemente razoável para os não fãs. As referências ao original colocam um sorriso maroto no rosto dos nerds e o visual fodáximo pode impressionar alguns desavisados, mas com certeza um dos filmes mais esperados de 2010 chegou com um gostinho de decepção em alguns departamentos, infelizmente. Como filme de fição científica e história do design no cinema e os efeitos CGI, Tron sempre foi um legado ao cinema, mas este realmente põe um ponto final e deixa apenas uma pequenina ponta solta quanto ao personagem título, que vocês podem debater depois nos comentários. Para não dizerem que eu dou spoilers na minha crítica. ;] Apesar dos pesares, o filme é recomendado, seja em 2D ou no Imax.

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E um trato para os fãs das antigas

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