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Eu, Robô – Parte 2
A premissa do filme é mais do que extraordinária e a publicidade não foi de toda ruim. O assunto é muito mais presente do que andróides exterminando a humanidade ou robôs tomando o poder. A tecnologia como parte de nossas vidas e nos separando uns dos outros é um tema presente e atual. Não foi necessária uma projeção além do que alguns anos para imaginar onde isso iria levar. Com um pouco de ação e ligeiro drama, o filme tinha tudo para dar certo, mas alguns deslizes da direção e roteiro custaram uns pontos dessa produção com gostinho de “eu acho que já vi isso em algum lugar”.
Baseado em uma graphic novel, Substitutos se passa 14 anos no futuro. As pessoas vivem remotamente a partir da segurança de suas casas por meio de substitutos robóticos – representações mecânicas fisicamente perfeitas delas mesmas. Crime, dor, doenças e medo não existem. Quando o primeiro assassinato em anos abala esta utopia, o agente do FBI Tom Greer, descobre uma grande conspiração por trás do fenômeno da substituição e precisa abandonar seu próprio substituto e arriscar sua vida no mundo exterior para desvendar o mistério.
Culpo as estrelas perdidas em cima do diretor Jonathan Mosthow, que deixou sérias falhas de lógica na representação visual da película. Entre outras coisas, o ritmo do filme e fotografia foram um pouco prejudicadas ao meu ver. Mas o mais prejudicado foi o robô substituto do protagonista com aquele topete loiro ridículo. Putz!!! O resto das falhas ficaram no roteiro de Michael Ferris e John D. Brancato. Para um mundo povoado de pessoas indestrutíveis e robotizadas, eles levaram a revolução tecnológica muito pouco a frente. Além do mais, um mundo de robôs não é um mundo sem criminalidade. Imaginem que é muito mais fácil esconder sua identidade e cometer assassinatos, ou que você pode criar toda uma nova era de criminalidade digital com a qual nem mesmo o governo americano seria capaz de controlar. As possibilidades são imensas e contradizem o roteiro em uma base corriqueira. Explorarei isso mais a frente.
O elenco está ótimo, destaque para Rosamund Pike, que interpreta a esposa de Bruce Willis no filme. Ela surpreende tanto pela beleza quanto pela atuação da mãe perturbada com a perda do filho. Willis em si faz uma atuação até boa, mas que não foge do seu padrão de herói de ação sofrido. Radha Mitchell é a eterna coadjuvante de ação. Expert no papel, fez o mesmo de sempre. Os outros atores se saíram até bem dentro do possível. James Cromwell volta como o inventor da tecnologia robótica, igual outro filme em que interpreta o mesmo papel. Acredito que os atores fizeram o que podiam dentro do possível. Não dá para explorar muito mais desse roteiro do que já exploraram.
Agora, o gostinho de deja vu, até no conceito visual, em comparação com Eu, Robô é no mínimo assustador. Usaram até o mesmo ator para criação da tecnologia “substitutiva”. Não era de se espantar que Mosthow tenha limitado o filme, ele foi o diretor do terrível Exterminador do Futuro 3… Sim, aquele que queremos apagar de nossas memórias. Não bastasse a recapitulação visual, o roteiro mostra “um homem que vai contra a crença popular em uma tecnologia na qual a sociedade se baseia para sobreviver cotidianamente”. Já viu esse filme? É, eu também. A mensagem é basicamente a mesma, a grande sacada desse filme é que nós JÁ fazemos isso cotidianamente. Dependemos de instant messengers, lojas online, orkut, Lost… Tudo isso foi levantado em questão pelo filme, mas não foi tão bem explorado quanto poderia. A história de fundo da crise no casamento de Willis e Pike também tem um significado profundo, mas novamente foi pouco explorada. Tudo foi sacrificado em nome da ação.
Pelo melhor lado, a ação ficou fantástica, com cenas surreais e bem bacanas. As autoridades são muito mais ousadas e implacáveis quando não se corre risco de vida para pegar um bandido. Isso só torna as coisas mais interessantes. Durante a ação, temos uma verdadeira sensação de Second Life da vida real. As implicações éticas de tudo isso também ficam evidentes. As cenas com dublês também foram bem coordenadas. Nesse ponto, Mosthow aprendeu com seus erros, em parte, por Exterminador 3. Outro grande trunfo foi na introdução da história, contando os 14 anos para o futuro, mesclando cenas de descobertas científicas verdadeiras com cenas ficcionais. Algo no estilo de Distrito 9, mas bem rapidamente. Colocou bem o clima par ao começo do filme…
No geral, o filme é uma ficção-científica de ação bacaninha, com o estilo Duro de Matar de Bruce Willis e que raramente te faz desacreditar da ambientação. Se não tiver mais nada que lhe agrade esse final de semana e não tiver afim de ver comédias românticas, pode até ser uma boa pedida.










Eu gostei :D
Melhor que Gamer e 9 a salvação pra mim
Tenho minhas dúvidas quanto as comparações hauhauh