9 de janeiro de 2010 às 9:00

Sherlock Holmes [Crítica]

Mais do que elementar… uma ótima película.

Antes que continuem lendo tudo, vou liberar os trolls para fazerem seus comentários curtos e difamadores dizendo: Não, o filme não é fiel a todas as palavras de Arthur Conan Doyle. Sim, ele é fiel ao espírito da obra e extremamente divertido por isso. Provavelmente alguém que não assistiu não vai saber como isso é possível, como eu não imaginava ser possível, mas é totalmente possível pois presenciei essa “magia negra”. Dispensando o chapéu de coco, o “elementar, meu caro Watson” e toda a magreza e limpeza aristocrática de Holmes, ele ainda consegue ser o mesmo Holmes, em corpo diferente.

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Sherlock Holmes traz o lendário personagem de volta a vida em 1890 na Londres Vitoriana para investigar Lord Balckwood, que é preso por Holmes e Dr. Watson. Condenado a morte pelo assasinato de 5 jovens donzelas, Blackwood volta a vida com o uso de magia negra e promete mais três mortes antes de mudar o destino do mundo totalmente. Cabe a Holmes, Watson e ao apoio de sua antiga paixão, Irene Adler, tentar descobrir e impedir os feitos mágicos de Blackwood usando apenas sua astúcia.

Sherlock Holmes

Guy Ritchie é simplesmente o tipo de diretor parecido com Tarantino em uma questão: ame-o ou deixe-o. Desde Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes eu escolhi amar seu estilo de direção “gangster” mas grandioso. Em Holmes, ele fica extremamente realista em relação a Londres do século XIX, mas reinventa visualmente todo o universo “Holmes”. As cenas de câmera lenta, sua marca registrada, estão lá e bem vividas de todas as formas. Inclusive, sua implementação nas lutas de Sherlock são fantásticas como vimos nos trailers e clips, com alguns adendos as mesmas. A trilha sonora de Hans Zimmer é nada menos do que espetacular, como se era de imaginar. A equipe de efeitos especiais e fotografia está de absoluto parabéns, pois fizeram o que esse tipo de trabalho tenta fazer, ser imperceptível enquanto é impecável. A pequena ressalva fica pelo roteiro de Michael Robert Johnson and Anthony Peckham que apesar de ter poucos furos de trama, adiciona aí o defeito de ser frenético demais e dar pouco tempo para o “mistério” em si, não que falte muita inteligência e “deduções”.

Sherlock Holmes

Robert Downey Jr. não convence os britânicos totalmente com seu sotaque, mas convence o resto do mundo, tanto como um Holmes maltrapilho e desarrumado, como com uma reinvenção de um personagem clássico, mas que fica ainda mais carismático que em qualquer livro/série/filme. Mas a maior mudança fica por conta de Watson, agora não apenas um sideckick desinteressante, mas um verdadeiro parceiro. Ele não está só como Robin de Batman, mas mais como um parceiro detetive. Jude Law conseguiu dar outra vida e visão ao personagem, mas não menos simpático também. Rachel McAdams é uma paixão platônica minha em Holywood e não tem como negar que ela rouba a cena sempre que aparece. Mark Strong é um rosto razoavelmente novo como antagonista principal, mas merece ficar de olho vivo no futuro. O quarteto faz uma boa atuação no geral e Downey Jr. emplaca não só mais um fantástico personagem, como mais uma franquia.

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E a história? Difícil comentar sem dar algum spoiler, mas o que se pode adiantar é que provavelmente a visão de Johnson e Peckham junto com a Ritchie vai irritar os fãs xiitas e com certeza isso vai afetar o boca a boca. Entretanto, a necessidade de se reinventar Holmes para o século XXI se fazia necessária, principalmente para levar as telonas.  Nós temos um novo humor mais ácido, uma mistura da astúcia de Holmes com o sarcasmo de House. E dá muito certo. Ao final do filme, você fica revendo todos os passos na sua cabeça, tentando ver as pontas soltas e na verdade são muito poucas. Outro grande trunfo que não nos faz odiar os criadores, é que existem realmente várias versões aos elementos clássicos do detetive britânico, mas elas ficam nas entrelinhas. A cocaína se foi, vem a boemia e uma dupla de lutadores exímios. Watson é o veterano de guerra durão. Holmes é praticamente o Neo da terra da Rainha. Nenhum dos dois desrespeita seus personagens por isso.

Sherlock Holmes

No resumão, é um filme MUITO divertido em todos os quesitos, com algumas falhas, mas não no quesito adaptação. Tem que se ver que essa história é uma adaptação dos livros e não baseada em um livro específico que tenha que ter usa comparação nos mínimos detalhes como gostam de fazer com outros livros. Vão com a mente aberta para um “novo Holmes”. E não tem como não se empolgar no final com a menção de uma sequência e a participação de um “velho conhecido”, para possivelmente uma longa franquia. Vida longa a Robert Downey Jr. e suas duas grandes franquias. ;]

Crítica