26 de dezembro de 2008 às 19:02

Sete Vidas [Crítica]

Seven Pounds

Sete Vidas

Sete nomes. Sete estranhos. Um segredo…

Depois de circular pela ação e comédia em seus últimos filmes, Will Smith supera seu feito dramático de “A Procura da Felicidade” e nos presenteia com uma verdadeira obra prima. É um pouco complicado comentar um filme que é na verdade um grande segredo e um quebra-cabeça desvendado em doses homeopáticas ao longo da película, mas vamos tentar fazer o melhor para não revelar spoilers.

Em Sete Vidas, Will Smith interpreta o agente fisca do Imposto de Renda, Ben Thomas. Ben começa uma jornada de redenção tentando mudar a vida de sete estranhos completamente das formas mais diferentes possíveis, motivado por um acontecimento peculiar e marcante. No processo motivado pela culpa de seu passado, ele descobre a jovem Emily Posa (Rosario Dawson) que lhe relembra um lado da vida que ele havia a muito esquecido. Isso é basicamente tudo que se pode dizer sem estragar a “jornada” que o filme proporciona.

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Sem mais delongas, o diretor italiano Gabriele Muccino foi de uma poesia e um lirismo – ao retratar os flashbacks, as cenas, o sofrimento dos personagens – que não vejo igual a muitos anos. Não é para menos que deu tão certo sua parceria com Smith. Eles já haviam trabalhado juntos em A Procura da Felicidade, com grande sucesso. Novamente podemos esperar algumas indicações no futuro, quem sabe? Ele está fora do prazo para este ano, mas nada impede uma surpresa ano que vem. Will Smith é um gênio, por falta de definição melhor. Além de aproveitar seu sucesso e carisma, ajudou a produzir e deu ao personagem uma veracidade impressionante. Rosario Dawson além de ser uma musa nerd tem sua grande chance como atriz respeitável de primeira categoria nesse filme. Os seus outros filmes que havia protagonizado como “mocinha” eram todos de menor orçamento, exposição e/ou respeito. Ela é maravilhosamente gata, até mesmo quando está com cara de doente terminal e sabe se colocar de um jeito que dá vontade de levar pra casa, mesmo sendo uma atriz tão forte e de personalidade marcante. Woody Harrelson fez praticamente uma “participação” com um papel curto, mas não por isso menor, trazendo alguns dos momentos mais marcantes do filme. Os outros atores foram fantásticos e apesar de já ter visto alguns em papéis pequenos, realmente se superaram. Com uma equipe tão boa, não tinha como o resultado ser nada menos do que fascinante.

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Acredito realmente que cada um vá tirar suas lições sobre o filme. O tema principal do filme poderia ser a morte, mas no final é apenas a vida. O personagem de Smith começa uma jornada carregado de culpa, tentando dar propósito a sua vida, mas acaba descobrindo que um gesto feito por amor é muito mais importante, poderoso e eterno do que uma vida inteira movida pela culpa. E assim todos os persoangens aprendem algo de importante sobre suas vidas, sobre o mundo, as fatalidades e como lidar com elas. Não se enganem com o teor aparentemente triste do filme, existe muita alegria em aprender como viver a vida, seja lá a situação que você se encontrar.

Recomenda-se que assista, se possível mais de uma vez, para pegar todas as deixas, dicas e rápidos momentos maravilhosos deixados pelo roteirista Grant Nieporte e o diretor. Aprendam a viver suas vidas movidos por um propósito maior e como isso é libertador. No resto, se você não se interessa pelo drama da história, sempre tem o eterno mistério das motivações dos personagens, que eu acredito que agrade qualquer um. Aproveita esse fim de ano completamente ocioso e se você não está em uma das pouquíssimas cidades litorâneas ensolaradas, pega e vai ao cinema conferir como é importante mudar Sete Vidas.

Crítica