6 de março de 2010 às 3:58

Preciosa – Uma História de Esperança [Crítica]

Uma história de “desesperança, isso sim.

Honestamente, esse filme causou sentimentos mistos neste que vos fala… O que é algo bom, não fossem causados por uma extrema exploração de mazelas sociais basicamente universais, expostas como ferida aberta em meio a lugar sujo. O filme, baseado em um romance de uma tal de Saphire, revelou grandes nomes para atuação em Hollywood. Também revelou um lado sensível da Academia ao dar várias indicações para o Oscar, mas tanto na vida real quanto no filme fica a pergunta: Terá valido a pena a história no final das contas?

Preciosa conta a história de Claireece Precious Jones, uma adolescente que está esperando seu segundo filho, fruto do abuso sexual de seu próprio pai e que vive em um verdadeiro inferno familiar sob o mesmo teto que sua mãe divorciada. Ela encontra esperança e forças em nova vida, com a ajuda de uma professora, para buscar algo melhor para si e suas filhas.

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O diretor Lee Daniels merece alguns parabéns, fazendo uma direção pouco óbvia e tocante de diversas formas. Não é através de simples linhas de diálogos e fortes interpretações, mas também de boa direção de sua parte e um bom roteiro por parte de Geoffrey Fletcher, que se faz um filme ganhador de prêmios e algumas indicações para o Careca Dourado. A grande surpresa obviamente não veio dessa área técnica e textual, mas por interpretações inesperadas e muito fortes.

Tirando o desastre que foi escalar Mariah Carey para o filme – que além de estar mais feia que o cão com prisão de ventre, interpreta pior que figurante da Malhação – a película trouxe boas e fortes interpretações de se genuinamente tirar o chapéu. A já ganhadora do Globo de Ouro, Mo’nique, apesar das fofocas sobre ter se tornado meio metida e deixado a recente fama subir a cabeça, fez por merecer tudo isso com sua magnífica e inesquecível interpretação como a mãe de Precious. Ódio infindável dessa personagem, só conseguido através de bom diálogo e interpretação melhor ainda. Segundo lugar vem para a lindíssima e pouco conhecida Paula Patton, que antes lembrava de pequenos papéis aqui e ali, agora marca bastante como a professora da protagonista, senhorita Blu Rain. Piadinhas sobre nova mídia óptia que começa com “Blu” são esperadas nos comentários. Surpresa pela participação do cantor Lenny Kravitz, que fez tão bom papel a ponto de não reconhecê-lo a não ser nos créditos.

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A grande “surpresa” por parte da crítica só foi surpresa por ser totalmente novata em Hollywood. Gabourey Sibide surpreendeu a todos com sua atuação como Precious, mas duvido genuinamente que tivesse sido pela sua qualidade, mas sim por não ser uma atriz estudada provavelmente. Talvez a Academia e outras premiações tenham a confundido com sua personagem e resolveram lhe estender a mão amiga com todos esses prêmios, porque no final das contas ficou a nítida impressão que era ela interpretando ela mesma. Com certeza longe de ser premiada por isso. Digo mais. Se alguém lembrar dela daqui um ano no próximo Oscar, eu tiro meu chapéu pra esse mestre da memória fotográfica. Aposto que terá o mesmo destino das crianças de Quem Quer Ser Um Milionário.

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Uma pergunta: Esse filme foi financiado por cantores? Mariah Carey, Lenny Kravitz e aposto que deveria ter um ou dois rappers perdidos aí no meio. Fora essa bizarrice e o fato dos críticos se apaixonarem por Sibide, o filme corre bem. Deixa aquele amargo na boca de quando se toca em feridas sociais bem abertas. A pobreza não é exclusividade de países no hemisfério sul, assim como não é exclusiva a exploração da mesma. Ao mesmo tempo que o filme nos faz pensar e se emocionar com o sofrimento da personagem principal, também soa forçado e no melhor estilo “Datena ao final de tarde” uma repetição de desgraças que visivelmente procurar apelar para o lado da culpa cristã dos espectadores. Pelo visto deu certo com os pomposos críticos.

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Apesar dessa exploração e pretensão, a história é promissora, atuações magistrais, mas eu não apostaria em nada demais sair desse filme a não ser para Mo’nique. Vale o seu rico dinheiro apenas se for curioso suficiente e não se abalar fácil com esse tipo de exploração sensacionalista, de forma a conseguir ter um olhar mais tranquilo sobre o filme. De resto, esperem chegar em DVD. ;]

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