9 de setembro de 2008 às 9:00

[Pergunte ao Mestre] Primo Rico, Primo Pobre

Pergunte ao Mestre 14

Essa semana recebi uma pergunta interessante no mestrezen@zerooitocentos.org. Nosso leitor Adriano perguntou de onde surgiu a expressão “Ricardão“. Então eis que nossos ávidos redatores pesquisaram as origens dessa gíria para designar o amante de uma adúltera. A coisa remonta a muito tempo atrás e está ligada, pasmem , as origens da comédia na TV brasileira.

Tudo começou na Rádio Nacional do RJ, na década de 50, com o programa humorístico “Balança Mas Não Cai” criado pelo lendário Max Nunes. No quadro que foi levado posteriormente para a Rede Globo, os personagens “primo pobre” (Brandão Filho) e “primo rico” (Paulo Gracindo) mostravam a realidade da época, com este último sempre aconselhando o primeiro sobre como lidar com as mazelas da vida. Quando o Primo Pobre perguntava ao Primo Rico onde estava a esposa, o mesmo falava que ela estava com seu amigo “Ricardo”. Daí o surgimento da expressão “Ricardão”. O aumentativo, especula-se, que foi para dar um efeito dramático ao decorrer dos anos.

Bons tempos da comédia que não voltam mais… Confira uma amostra de Primo Rico, Primo Pobre:

Tendo dito isso, me veio uma reflexão interessante. Eu torço totalmente para o primo rico. E vou explicar porque… Hoje em dia se tem essa visão paternalista em relação a pobreza, condenar os ricos e principalmente o dinheiro. Se você notar, por vários motivos, o dinheiro é colocado como “corrompedor”, “sujo” e “traiçoeiro”. Todas essas afirmativas vem de uma cultura opressora onde o poder somente poderia ser detido por poucos e temido por muitos. Não estou fazendo aqui nenhum tipo de discursso contra o capitalismo. Na verdade procura-se reconhecer o valor dessa cultura e distribuição de poder ainda vigente, mas a verdade é que no grande esquema das coisas: Qual o seu papel?

Dinheiro é sujo ?

O dinheiro é um bom criado, mas um mau senhor.

Francis Bacon

Uma torneira de banheiro público contém mais bactérias que uma nota de R$ 2,00. O poder corrompe tanto quanto o sexo, a vaidade ou as drogas. Quanto a ser traiçoeiro, acredito que o dinheiro trai o dono incauto, como já diria um velho sábio. Tirando esses mitos de campo, você prefere ser aquele que teme o dinheiro ou que o abraça como amigo? Por que o “primo rico” tem que ser o insensível, de mulher infiel e gostos fúteis? Já se perguntou que tipo de rico VOCÊ seria? Acredito que qualquer bem material é tão benéfico ou maléfico quanto aquele que o administra. A TV pode ser um veículo de informação importante, ou meio de alienação das massas. A internet pode ser fonte de infinita de conhecimento ou mera promulgadora de vícios irrelevantes. Assim também funciona o dinheiro. Tenham consciência de que esteriotipar ricos, pobres, classe média é como tentar transar para protestar a favor da virgindade, não vai pra frente.

Dinheiro não é tudo, mas é 100%

O dinheiro não dá felicidade. Mas paga tudo o que ela gasta.

Millôr Fernandes

Toda generalização é burra, isso é fato. Decida de que lado quer estar e deixe seus dogmas de lado. Seja você, seja completo e seja alguém que vai buscar algo que presta para sua vida. Ou seja o primo pobre e se contente com um “lanche rápido” no final da tarde.

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