30 de junho de 2008 às 15:02

[Pergunte ao Mestre] Dinheiro é coisa da sua cabeça

Pergunte ao Mestre

Eu vou apresentar um conceito hoje que talvez muitos vão odiar, ridicularizar, assustar, ostracizar… ou seja, não é um conceito facilmente aceito. Nas nossas vidas, pode-se dizer que tudo é determinado por essa palavra que comanda desde a forma que acordamos pela manhã ao lugar onde vamos nos deitar para dormir a noite. Temos todo tipo de pessoas, das obssecadas por isso, até as que querem distância do mesmo. Dinheiro, money, cash, dindin, la plata, bufunfa, grana, verdinhas, etc. Antes, vamos a uma pequena aulinha de história sobre “o que é o dinheiro”.

Dinheiro

Inicialmente, o homem comercializava através de simples troca ou escambo. A mercadoria era avaliada na quantidade de tempo ou força de trabalho gasta para produzi-la. Algumas mercadorias, pela sua utilidade, passaram a ser mais procuradas do que outras. Aceitas por todos, assumiram a função de moeda, circulando como elemento trocado por outros produtos e servindo para avaliar-lhes o valor. Eram as moedas–mercadorias. O gado, principalmente o bovino, foi dos mais utilizados; apresentava vantagens de locomoção própria, reprodução e prestação de serviços, embora ocorresse o risco de doenças e da morte. O sal foi outra moeda–mercadoria; de difícil obtenção, principalmente no interior dos continentes, era muito utilizado na conservação de alimentos. Até hoje, empregamos palavras como pecúnia (dinheiro) e pecúlio (dinheiro acumulado) derivadas da palavra latina pecus (gado). A palavra capital (patrimônio) vem do latim capita (cabeça). Da mesma forma, a palavra salário (remuneração, normalmente em dinheiro, devida pelo empregador em face do serviço do empregado) tem como origem a utilização do sal, em Roma, para o pagamento de serviços prestados. Ainda na Idade Antiga começou-se o uso a “moeda” corrente no lugar dessas mercadorias e na Idade Média já estava sendo empregada a fabricação do “papel-moeda”. O resto todo mundo tem uma idéia de como funciona. Viu? Mestre Zen + Wikipédia = cultura. =D

Essa enrrolação toda é para deixar bem claro que O DINHEIRO NÃO EXISTE. Estas notas que preenchem (ou somem) da sua carteira e/ou bolsa todos os dias são apenas representações figurativas do que você realmente quer. Você não pode ver um filme em uma nota de 20 reais. Não pode comer uma nota de 50. Não é possível dormir em uma nota de 10. Nem mesmo chupar uma moedinha de 50 centavos e saborear uma gostosa balinha. O dinheiro é um meio para obter um fim. E aí você pode estar pensando que estou chovendo no molhado, que você já sabe tudo isso e eu estaria lhe tratando como um idiota. Na verdade pode até ser, mas muitas pessoas estão se tratando como idiotas, a partir do momento que sacrificam sua diversão, prazeres e realizações em nome do dinheiro.

Dinheiro não é tudo, mas é 100%

“O dinheiro é um bom criado, mas um mau senhor.”

Francis Bacon

A coisa mais comum que ouço hoje em dia é: “Não gosto de fazer isso, mas estou fazendo pelo dinheiro que me rende, assim posso… (preencha com o seu objetivo ou sonho de consumo).” Isso é simplesmente paradoxal. Você está fazendo o contrário do que realmente quer. Se quer se realizar comprando algo, então porque está se torturando fazendo algo que te desagrada? Na melhor das hipóteses, medindo seus gostos e desgostos, você vai estar no zero a zero. Cursos universitários odiosos, empregos enfadonhos, até mesmo atitudes moralmente duvidosas… tudo em nome de que? Em nome do papel o qual você não pode comer, abraçar, cheirar, vestir, amar, dormir…? Se for fazer algo, lembre-se que deve ser algo que realmente valha a pena, algo que faça valer seu sofrimento, concreto, firme, tangível, construtivo, resumindo, algo realizador.

Você sabia que hoje em dia, na era do dinheiro digital, é impossível resgatar fisicamente todo o dinheiro que circula no mundo? Comparando o dinheiro “de mentirinha” ao papel-moeda impresso, esse segundo não representa nem 5% do montante de dinheiro que circula mundialmente. O dinheiro que negociamos em nossos cartões de crédito, cheques, extratos bancários e afins, LITERALMENTE NÃO EXISTE.

Dobradura de dinheiro

“O dinheiro não é só facilmente dobrável como dobra facilmente qualquer um.”

Millôr Fernandes

“Como não existe? Olha o tanto de foto de dinheiro que você mesmo tá colocando aí no seu post!” Não, o Mestre não está doido e não está queimando dinheiro na porta de casa. Somente aconselho parar de amar o dinheiro e passar a resgatar o objetivo real por trás dele, amar as coisas que ele representa. Vou lhes sugerir fazer apenas uma pequena troca. Ao invés de pensar no salário que quer ganhar daqui 1 ano por exemplo, imagine somente o que você mais gostaria de fazer com esse aumento e esqueça o salário, finja que ele realmente não existe. É um dos exercícios mais complexos que já propus aqui, mas faça uma tentativa. Quando menos esperar, vai estar trabalhando dobrado, empolgado e muito mais empenhado em nome do seu real objetivo do que apenas em nome de um número a mais no seu contra-cheque. Números não trazem felicidade, mas o que os números representam sim… Não seria muito melhor encontrar prazer nas coisas que pode concluir e se realizar fazendo elas, deixando o dinheiro apenas como consequência? Pense no dinheiro como um bônus de uma realização cumprida. Seu maior prazer tem que ser fazer o que você está fazendo AGORA e não o dinheiro do futuro. Pensar no dinheiro futuro é como pensar no presente de Natal que vai dar para sua namorada, que você ainda não conheceu, daqui 5 anos… Colocando assim parece bem ridículo, certo? Então porque cada vez mais e mais pessoas fazem isso todos os dias? Pare de ser ridículo e faça o curso que gosta. Trabalhe em um lugar agradável. Seja a pessoa que gosta de ser e não a que os outros esperam que seja para ganhar dinheiro. Não estou sugerindo uma vida “fácil”, apenas uma vida mais divertida. Ao invés de permitir que o dinheiro dite as regras de sua vida, dite as regras do dinheiro. Antes que pense “Ah, o dinheiro não manda em mim”, analise muito bem sua vida e o seu dia a dia antes de soltar essa afirmativa boca a fora, você pode ficar surpreso. Esse pedaço de papel pode até comandar sua vida, mas experimente comandá-lo e vai entender o que estou tentando lhe dizer.

Independência

“Se o dinheiro for a sua esperança de independência, você jamais a terá. A única segurança verdadeira consiste numa reserva de sabedoria, de experiência e de competência.”

Henry Ford

Colunas . Pergunte ao Mestre