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Os Outros Caras [Crítica]

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Tendo decolado com uma fantástica campanha de divulgação que chegou a pendurar Will Ferrell Mark Wahlberg em cabos no último MTV Movie Awards, eles conseguem resgatar uma mistura de non-sense com as obviedades americanas e fazer um trabalho decente em uma comédia que pode não agradar a todos, mas com certeza agradará os bolsos de dois astros não no auge de seu jogo.

Em Os Outros Caras, Allen Gamble é um contador forense que prefere trabalhar no escritório a ter que ir para a rua. Terry Holtz é um policial durão, que precisa aguentar Allen como parceiro desde que brigou com o ídolo do baseball Derek Jeter. Eles têm como ídolos os melhores policiais da cidade, Christopher Danson e P.K. Highsmith, mas são os últimos na lista de sucessão dos mesmos na força policial de Nova York. Quando surge uma oportunidade para que demonstrem seu trabalho, Allen e Terry tentam se espelhar nos ídolos e usar seu estilo próprio para que consigam conquistar reputação e algum respeito.

Apesar de não ser a parceria mais venerada pela crítica de Ferrell e o diretor Adam McKay, que trabalharam juntos em Quase Irmãos, Talladega Nights e Escorregando para a Glória, ainda assim acredito que seja a melhor pelo fato de conseguir misturar orçamento, elenco de peso, comédia non-sense e uma montagem impecável. Usando filmes de ação como fundo inspirador, McKay consegue manter um rítmo para a película sem cair no ostracismo de paródias “Em Pânico” e similares, fazendo um tributo e crítica, simultaneamente, aos antigos filmes policiais. Na trilha sonora, boas adaptações de músicas do momento, dando um bom passo ao filme. Resgatar momentos e diálogos que só poderiamos ver nos clássicos Monty Python britânicos é algo sem preço. Ponto para MacKay, que também é co-roteirista e produtor. Obra completa. Talvez o único erro sejam algumas quebras de lógica e pequena perda no ritmo da narrativa em certa parte do filme. Mas, tudo em nome do “bom policial”.

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A participação especial de Dwayne “The Rock” Johnson e narrativa de Samuel “Muthafuckin” L. Jackson já valeriam o ingresso. Mesmo assim e com Ferrell nunca sendo capaz de segurar sozinho uma comédia ou Wahlberg atuando tão bem quanto minha bola esquerda em dia de frio, eles conseguem trazer alguma vida aos personagens e a capacidade de Will Ferrell de se passar pelo ridículo com uma cara séria é além das capacidades humanas. Destaque para a gostosa mor do filme, Eva Mendes, que usa decotes maravilhosos boa parte do filme e interpreta a esposa de Gamble. Aliás, a habilidade de Gamble pouco explorada no trailer é um dos pontos altos, cheio de easter eggs ao longo do filme, procurem. A interpretação mor de toda a película fica por Michael Keaton. Bizarro, eu sei. Mas, ele consegue entregar as falas mais absurdas sem nem pestanejar. Interessante ver como McKay resgatou o ator do limbo completo. Ainda vale o vilão ser o Justiceiro Ray Stevenson.  Prêmio “gostosa revelação” vai para Natalie Zea como ex-namorada de Holtz, personagem de Wahlberg.

Obviamente não é um sucesso como Se Beber, Não Case, mas também não pretende ser o fiasco de O Elo Perdido de Will Ferrell, mas é uma comédia razoável, que pode se tornar boa alternativa caso já tenha visto vários dos trocentos bons filmes em cartaz. Inclusive, Ferrell chega aos cinemas brasileiros com 2 títulos na mesma semana. Protagonizando na voz do icônico Megamente. Os Outros Carasestá repleto de participações especiais, piadas sem sentido, mas menos piadas sujas do que normalmente vemos em comédias de Ferrell e uma boa dose de paródia policial. No geral é uma recomendação razoável, mas nunca percam seu sono por conta de boa divulgação. #ficadica

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