15 de abril de 2009 às 13:24

Os Delírios de Consumo de Becky Bloom [Crítica]

Confessions of a Shopaholic

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Deu vontade de comprar… só o livro na verdade.

Um ano que careceu de boas comédias românticas tem sido esse tal de 2009. Talvez este filme tenha pecado pois não pretendia ser uma comédia romântica em sua obra original, mas a “magia de Hollywood” fez sua mutação habitual para encaixar nos padrões de consumo dos espectadores – sem trocadilhos. A mocinha que tinha tudo para conquistar Hollywood com sua mania de compras acabou ficando em um pobre lugar nas bilheterias e nas graças do público e agora explico porque.

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Os Delírios de Consumo de Becky Bloom (essas traduções tenebrosas) é baseado no Best Seller Confessions of a Shopaholic. Conta a história de Rebecca, uma compradora compulsiva que demonstra seu problema com direito a análise psicológica de sua infância, quando comprar em liquidação era a única alternativa para sua mãe. Ela cresce para ser uma adulta jornalista extremamente estilosa e endividada com todo tipo de cartões de créditos possíveis e imagináveis. Quando ela tenta um emprego em sua revista de moda favorita, acaba por conseguir uma boa recomendação para uma revista sobre finanças e em um golpe irônico do destino perde seu emprego, se vendo forçada a dar conselhos para seus leitores sobre como lidar com seu dinheiro.

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Diretor P.J. Hogan de O Casamento de Meu Melhor Amigo faz até um trabalho muito bom, considerando as circunstâncias. Deu muita cor, vida e dinamicidade ao filme, que conta até com manequins falantes para seduzir a bela Becky Bloom. O problema ficou na adaptação do livro, que sinceramente eu não li, mas com certeza deve ser mais envolvente que esse roteiro, que ficou parecendo uma versão genérica do O Diabo Veste Prada. Apesar do elenco estelar, com participações de grandes nomes em papéis secundários como Joan Cusack, John Goodman, John Lithgow, Kristin Scott Thomas, entre outros, não deu para salvar o filme. Isla Fisher no papel de Becky, mesmo linda e com essa carinha de bebê, deu muita vida a fútil Becky mas não a história. Destaque para como conseguiram deixar a maravilhosa Leslie Bibb bem feinha, como rival de Becky e piriguete standard. O prêmio de Honra ao Mérito para gostosa do filme vai para Krysten Ritter, interpretando Suze, melhor amiga de Rebecca. Eu ia fácil!

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Roteiro pobre não tem salvação. Deu para notar que até na edição houveram alguns pecados, cortando cenas que estavam nos clips, featurettes e trailers do filme. O grande problema foi em tratar um caso sério como a compulsão por compras, algo tão sério quanto o alcoolismo ou o vício em drogas injetáveis, de forma light e cômica. A desgraça de Becky Bloom vira uma comédia romântica e o roteiro de alguma forma não consegue emplacar bem essa idéia. Mas ainda tem seu mérito com algumas piadas muito boas nas situações em que Becky tem que cobrir suas mentiras com outras mentiras. O melhor é que ela é uma “mentirosa sincera”, ou seja, ela mente  sobre seu problema mas não economiza na sinceridade de suas opiniões e o tratamento que dá as pessoas a sua volta.

Se você TEM que ver esse filme, porque não resiste uma liquidação, sempre sonhou em ser famosa, é ligada em moda ou simplesmente gosta de qualquer derivado de O Diabo Veste Prada, deixe para assistir na locadora. Os “delírios” nem são tão delirantes assim. ;]

Crítica