21 de agosto de 2010 às 3:13

O Último Mestre do Ar [Crítica]

Shyamalan apronta novamente.

O receio foi grande depois que a película foi destruída por mais de 90% dos críticos ao redor do mundo. Shyamalan, mesmo assim, afirmou que queria criar sua própria triologia adaptada, assim como Peter Jackson teria trilhado os passos com Senhor dos Anéis. Bem, digamos que ele não é Peter Jackson. Em um desastre autoral, a coisa foi de mal a pior, salvando-se apenas em parte da adaptação visual, que foi uma das poucas coisas que trouxe algum sorriso no rosto deste que vos fala.

O Último Mestre do Ar é adaptação da animação Avatar – The Last Airbender, que conta a história de quatro nações dominadoras dos quatro elementos: Ar, Água, Terra e Fogo. As quatro nações viviam em paz, amparadas pelo Avatar, uma única pessoa a cada geração que controlava os quatro elementos. Quando este sumiu durante 100 anos, deixou que a Nação do Fogo começasse uma guerra, que colocaria o mundo em perigo. Agora, o jovem Aang ressurge como a reencarnação do Avatar e tem que lidar com um mundo em guerra e sua própria culpa por ter desaparecido por quase 100 anos.

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A premissa é velha conhecida de fãs ao redor do mundo, mas não do bom e velho M. Night Shyamalan. Convencido a adaptar a animação por pressão de amigos e família, parece que ele fez a coisa meio “forçado” mesmo. Muitos consideravam essa como sua última tentativa de redenção depois do fiasco total que foi Fim dos Tempos. Infelizmente, ele parece incapaz de suportar a tarefa tripla de produzir, roteirizar e dirigir uma película. Dessa vez, não muito diferente de algumas tentativas anterirores, falhou miseravelmente.

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O roteiro é uma triste sombra da grandiosidade que foi a animação. Uma animação de personagens simpáticos e bem construídos, dilemas interpessoais que são revelados em doses homeopáticas e uma mitologia unida a ambientação impecável. É o retrato da guerra e da filosofia das artes marciais no seu âmago mais puro. Infelizmente, Sr. Noite transformou isso em um apressado apanhado do primeiro episódio, coisas pouco interessantes da primeira temporada e os dois últimos episódios da mesma, chamado “Livro da Água” – já que a animação é dividida em 3 livros, 3 temporadas. Diálogos são de dar vergonha alheia na primeira meia-hora, tanto para fãs quanto novatos no universo Avatar. As coreografias não são totalmente desastrosas, mas nem de longe lembram a grandiosidade que a animação representava. Desastre de roteiro. Simplesmente nulo.

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Na direção ele consegue pelo menos um pequeno trunfo. Um espetáculo de ambientação visual. Não poderia imaginar cenários melhor adaptados para a realidade nem se quisesse. Infelizmente peca na seleção de elenco, escolhendo na maioria péssimos atores, dando os papéis principais para atores 100% inexperientes e diálogos que não cooperam. Também não foram vistas com bons olhos as mudanças de etnias das nações. Esquimós viraram europeus, chineses viraram indianos e tibetanos viraram africanos. Um desastre que fere os olhos dos fãs. O único diferencial que podemos notar é a atuação de Iroh, feita por Shaun Toub. Se não se lembram, ele foi o cara que a quase 2 anos libertou Tony Stark das cavernas no oriente Médio e o transformou em Homem de Ferro. Único bom ator veterano no filme, que fez o possível com as fracas falas que lhe foram dadas.  Dev Patel continua querendo Ser Um Milionário, e está ótimo em suas coreografias, mas longe da grandiosidade que representa Zuko. Valeu a tentativa pelo menos. Os outros não tem desenvolvimento de personagem suficiente para merecer menção.

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Então, recapitulando: assassinato da história, diálogos ridículos, atores inexperientes, péssima seleção de elenco, roteiro sofrível… Esqueci alguma coisa? Sim, o inexistente 3D. Não bastasse o filme ser ruim, ainda foi total enganação. Não existe uma cena em 3D durante todo o filme. Resultado da conversão, técnica comprovadamente ineficiente. Se você não filmou em 3D, não anuncie 3D. Fato. Infelizmente, além de incitar a fúria dos fãs, Shyamalan ainda enganou todo o público pagante do filme, que foi absurdamente roubado.

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Dito isso, não preciso dizer para NÃO ir ao cinema. Se for fã, nem mesmo alugue ou assista na TV. Não macule suas ótimas lembranças da animação, que é dotada de sentimento, construção de personagens e maravilhoso enredo. Se você não viu o filme ou a animação, opte pela animação e passe longe do filme. De qualquer maneira, fica recomendação de não ir sob nenhuma circunstância ver O Último Mestre do Ar. Minha teoria pessoal, é que Shyamalan é o melhor editor de trailers do universo e pior cineasta de longa metragem depois de Uwe Boll nos últimos tempos.

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