29 de agosto de 2008 às 18:29

O Reino Proibido [Review]

Forbidden Kingdom…

Forbidden Kingdom

Um verdadeiro tributo aos verdadeiros amantes do Kung Fu

Fãs esperaram mais de uma década por isso. Jet Li e Jackie Chan se tornaram lendas do Kung Fu no cinema, desde a partida abrupta de Bruce Lee dessa pra outra melhor. O Reino Proibido veio, através da publicidade e do hype em torno dele, trazer o primeiro encontro dos dois gigantes na tela grande, através de uma história de fantasia e aventura bastante leve, mas será que ele cumpre o que prometeu? A reposta é sim, mas apenas como coadjuvantes, o que não significa que o filme seja ruim.

A história conta como Jason (Michael Angarano), um aficcionado por kung fu (Po???), perseguido pelos valentões do bairro e amigo de um simpático velhinho chinês, acaba sendo transportado para a China antiga após encontrar um misterioso bastão. Uma vez por lá, ele descobre que o bastão faz parte de uma profecia para libertar o Rei Macaco e derrotar o impiedoso General de Jade (Collin Chou, que é guarda-costas do Oráculo em Matrix nas horas vagas), trazendo paz de volta ao Reino. Em sua jornada ele encontra Lu Yan (Jackie Chan), um lutador bêbado, o Monge Silencioso (Jet Li) e Flecha Dourada (a belíssima Yifei Liu) que se propõe em ajudá-lo em sua jornada.

Os quatro

Antes que se empolguem demais, vamos aos esclarecimentos para ninguém dizer depois que não avisei. Jackie Chan e Jet Li são apenas coadjuvantes nesse filme. Michael Angarano é o protagonista e é através de seus olhos que acompanhamos toda a jornada, baseada na clássica literatura e cultura chinesa. O filme é direcionado em grande parte para o público infanto-juvenil, portanto quem quiser ver o “Kung Fu hardcore” que quebra pessoas no meio, rolando muito sangue e mortes violentas, pode ir tirando o cavalinho da chuva. Os atores não são os melhores de hollywood, obviamente, mas são os melhores lutadores provavelmente. SIM, Li e Chan lutam pra valer e NÃO, não vou dizer quem é o melhor. Apesar de que eles já estão quase velhinhos demais para esse tipo de ação, pelo menos eu acho.

A lendária luta pela qual todos esperavam

A história é mítica, uma fantasia muito bonita e bastante poética como se é de esperar da nova safra de filmes chineses e/ou americanos baseados nos chineses – o caso aqui. A fotografia, efeitos especiais, música, direção, etc. não deixou nada a desejar, tudo tranquilamente bem produzido. Enquanto a interpretação do branquelo Angarano poderia ter algumas melhorias – ele lembra Ralph Machio em Karate Kid, mais do que deveria – os atores fizeram seu trabalho, já que ninguém esperava atuações para concorrer ao Oscar aqui. A grande surpresa ficou pela beleza estonteante da que eu ouso dizer ser a chinesa mais bonita de todos os tempos, Yifei Liu. Ela poderia ter sido a Chun-Li e facilmente substituiria a Kristen Kreuk, ficando muito mais sexy em uma roupinha azul. =D Outra novidade foi a gostosíssima – e no filme, muito malígna – BingBing Li. Quão legal pode ser alguém para ter o nome de BingBing? :w00t:

Dito isso e tendo esclarecido todas as possíveis expectativas exageradas, devo fazer os devidos elogios. Reino Proibido é um verdadeiro tributo aos clássicos de Kung Fu de todos os tempos. Desde Bruce Lee até os mais recentes filmes como Clã das Adagas Voadoras, Herói e similares, está tudo bem representado desde a abertura do filme até as cenas finais. É um filme para amantes de Kung Fu e não para quem simplesmente quer ver coisas explodindo, tiros ou lutas sanguinolentas. Ele promete ser um filme de TV aberta divertido e cumpre bem seu papel. A crítica foi dura, principalmente nos States, mas acredito que foi pela expectativa exacerbada em torno da atuação conjunta de Chan e Li. Esqueçam, esse não é o foco do filme. O foco é o Kung Fu, sua filosofia, o respeito que ele merece e a saudável diversão que ele nos proporcionou nos últimos 50 anos.

Zacarias... Ops, Jackie Chan chutando muitas bundas imperiais!

No quesito que interessa, que são as lutas, esse filme faz O Tigre e O Dragão parecer documentário sobre o ritual de acasalamento dos ornitorrincos. Sim, eu acabei de desacreditar todos os filmes de Kung Fu modernos de uma só vez. Beleza e poesia é pouco para descrever as coreografias. Enquanto Rob Minkoff jogou várias das referências clássicas de cultura pop de luta no lixo, aproveitou aquelas coisas mais roots do Kung Fu para deleite dos verdadeiros fãs. E antes que alguém fale “que filme mentiroso” eu só tenho 3 palavras pra dizer para vocês: Filme de Kung Fu. Esse filme é para quem vibrava com o jeito Bruce Lee de lutar, para quem acha que Chuck Norris é Deus só por ter apanhado desse mesmo chinês e para quem baba em todas aquelas cenas “mentirosas” dos filmes de época de Kung Fu dos últimos 10 anos. Amantes de artes marciais: o ZeroOitocentos recomenda que corra imediatamente para o cinema para assistir esse “filme infantil” de artes marciais com as “aparições” de Jackie Chan e Jet Li. Filme de Sessão da Tarde, mas é O filme de Sessão da Tarde.

Crítica