14 de fevereiro de 2009 às 9:00

O Lutador [Crítica]

The Wrestler

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Até que ponto é “tarde demais”?

Em uma história que mistura um pouco de fato e ficção, o grande vencedor do Oscar de melhor ator – indiscutivelmente vai ser ele – retrata a vida de um cara que poderia ser qualquer um de nós, desde que nos dedicássemos a algo com tanta paixão quanto esse verdadeiro lutador. “Amor. Dor. Glória” realmente descrevem as sensações do filme que não tem um “enredo” mas é sim um retrato de uma vida.

Em O Lutador somos apresentados a vida de Randy “The Ram” Robinson, que muito tempo depois de seus tempos de glória nos anos 80 como lutador de luta-livre vive uma vida nem um pouco glamourosa. A história acompanha sua vida enquanto ao sofrer um ataque cardíaco, tenta se recuperar e consertar os erros que cometeu ao longo da vida enquanto enfrenta o dilema de retornar a glória dos ringues de luta. Em meio a um estranho relacionamento com uma stripper e tentar se reconciliar com sua filha, ele tem que decidir se arrisca sua vida indo contra ordens médicas de parar de lutar.

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Eu sei que a trama parece curta, mas acredite, são quase duas horas que retratam uma vida inteira. Você se sente na pele de “Randy”. Darren Aronofsky, de Requiem Para Um Sonho, se supera e faz com que comamos, trabalhemos, amemos e vivemos pelo ‘The Ram”. Ao mesmo tempo que sabemos de todos seus erros, entendemos porque ele é, como é dito em certa parte, “um pedaço velho e quebrado de carne”. A câmera seguindo o lutador e naquela sensação de primeira pessoa, nos coloca como se fossemos uma pessoa vivendo lado a lado com o personagem, o que enriquece muito a experiência. Sem falar que o roteiro nem parece um roteiro, pois é tão bem interpretado que dá a impressão que são pessoas de verdade alí. São tantos acertos na direção desse drama que eu poderia ficar horas descrevendo todos os detalhes maravilhosos, da maquiagem aos efeitos especiais e cenários… Tudo.

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Mickey Rourke depois de se digladiar em décadas de problemas legais, lutas de boxe e reconstruções faciais, assim como o personagem, tenta reconstruir sua vida. Ele realmente conseguiu o papel de sua vida. Não vejo um acerto tão grande de personagem e ator na vida real desde Robert Downey Jr. interpretando o playboy e inconsequente Tony Stark. Uma atuação brilhante e um papel feito sob medida para o ator. Tudo caiu como uma luva. Agora a parte que me encantou, Marisa Tomei como a stripper Cassidy. Sim, ela está pelada metade do filme… e é magnífico. Eu digo que é difícil ter uma coroa tão gostosa quando Marisinha (ó a intimidade) em seus 44 anos. Ela dispensa comentários em sua atuação, sempre impecável. A surpresa ficou por Evan Rachel Wood que cada vez mais prova não ser apenas mais um rostinho bonito. Em suas cenas interpretando a filha de Randy, Stephanie, realmente dá um baque no espectador e deslumbra com a belez. Mas por algum motivo me encantei mais com Marisinha.

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Direção espetacular, interpretações fora do comum (sério!) e um drama de amolecer o coração até dos mais durões. É receita pra pagar Oscars mesmo. Vivendo a vida de Randy durante essas duas horas faz você pensar no cuidado que tem que ter com sua vida, seja estando por cima ou por baixo, já que tudo é muito frágil… Até o mais forte dos lutadores.

Se estiver com paciência de enxergar uma vida difícil por outros olhos e ver que cada um tem sua forma de ser feliz, então acho que é muito bem recomendado o filme. Agora, só se tiver paciência, senão Sexta-feira 13 tá aí pra assistir. ;] É mês dos filmes densos “pré-Oscar”. Divirtam-se…

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Crítica