13 de fevereiro de 2010 às 18:24

O Lobisomem [Crítica]

A lenda vive, os clássicos renascem e a fera está a solta.

Carnaval, para um bom nerd old school como este aqui, é a oportunidade certa para inundar vocês com críticas dos trocentos filmes que estreiam nessa época. Claro que nenhum de nós nem sonhava em ser um esperma quando a primeira versão de Wolfman veio a vida pela Universal em 1941, popularizando mundialmente a lenda do bicho homem-lobo na cultura pop. É com muita alegria que venho lhes informar que não apenas o clássico reviveu com força total, como o próprio gênero de terror ganhou novo fôlego com esse filme. Detalhe: proibido para menores de 18 anos com bons motivos.

O Lobisomem é a refilmagem do clássico de 1941, onde o ator Lawrence Talbot é chamado pela noiva de seu irmão para ajudar na busca pelo mesmo que está desaparecido a algumas semanas. Ele retorna da América para Blackmoor na Inglaterra apenas para descobrir que seu irmão foi morto por uma fera selvagem sem precedentes. Enquanto jura descobrir o que aconteceu com seu irmão se depara com uma besta incomum e com o peso de uma maldição que pode acabar com sua vida.

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Antes de mais nada, Joe Johnston é um gênio e esse é de longe o melhor filme dele, EVER. Desde o passo do filme -com excessão dos primeiros 15 minutos que parecem apressados, mas ele prometeu corrigir isso no DVD pois foi forçado a cortar 17 minutos a pedido do público nos testes – até os mínimos detalhes de fotografia, passando pela maestral direção de maquiagem de Rick Baker e Roz Avery, ou a trilha de Danny Elfman que foi aparentemente demitido do filme… Apesar de todas as controvérsias, Johnston comandando tudo fez um trabalho mais que fodáximo em todos os aspectos técnicos possíveis, nota 1000.

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Já as atuações, temos desde gratíssimas surpresas, até qualidade superiora esperada e uma ou outra rala decepção. Anthony Hopkins citando Shakespeare e dando o ar misterioso da budega me deu arrepios que não tinha desde que ele encarnou Hannibal Lecter, sinceramente. Benicio Del Toro é Benicio Del Toro, ótimo ator, apesar de parecer deixar a peteca cair ligeiramente no começo, talvez pelos argumentos serem meio ralos mais do que em sua atuação nesse ponto. A grande decepção foi de Hugo Weaving interpretar o Agente Smith com barba em seu papel de Inspetor Abberline. “Mr. Talbot…”??? A dobradinha Del Toro e Hopkins foi sensacional e deixa nada a desejar. E o melhor do filme? O que dizer de Emily Blunt? Minha paixão a primeira vista desde Irresistível com Susan Sarandon e O Diabo Veste Prada com Meryl Streep. Fantástica atriz, uma beleza embasbacante e não é a toa que ela está no poster brazuca, em destaque. Sua atuação rouba a cena junto a Benicio. Aquela boca, aquele decote… ai ai (suspiro). Supresa do filme foi presença de Geraldine Chaplin como cigana. O hilário foi o sotaque francês em um povo originalmente do outro lado da Europa, mas tudo bem.

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O filme não é proibido para menores a toa. Não que não tenhamos violência e sangue na internet e nos noticiários em galões e galões gratuitos, mas Joe Johnston coloca realismo e beleza nisso de forma que as cabecinhas mais influenciáveis podem realmente deixar a “fera interior” mais atiçada. O  lirismo e beleza das cenas… Shakespeare dá o tom e citações macabras preenchem os momentos mais “tranquilos”. A direção é esperta em esconder o bichano em sua totalidade no começo. Na escola de terror, a primeira aula é a de assustar em doses homeopáticas e crescentes, coisa que Johnston recupera nesse filme. Não que seja aquele filme que te deixa tão preso na cadeira que você fique fisicamente cansado ao final (cof, cof, REC, cof), mas tem seus sustos, suas doses de montanha russa e seu alto nivel de “gore”. Além disso tem a fantástica sensação de nostalgia com Um Lobisomem Americano em Londres que vocês entenderam durante a transformação e a sequência londrina que vemos no trailer. Não que seja a parte mais original do filme, mais foi divertido assistir.

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Com certeza é o filme de terror do ano, até provem o contrário. Dente a avalanche de estréias da semana, se você procura adrenalina, boa fotografia, atuações e bastante sangue real e cru, essa deve ser sua opção nesse fim de semana. Se quiser algo mais tranquilo, temos vários “semi-oscarizados” por aí, para não tentar as pessoas de coração fraco. Então indico com uma boa dose de precaução e nada de levar os baixinhos junto em hipótese alguma. Deixa eles assistindo o Tio Bonner no Jornal Nacional que já tem violência suficiente para eles. Outra recomendação seria de ir numa sessão mais cedo, bem vazia e bem mais tensa. =D

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