17 de janeiro de 2009 às 10:00

O Curioso Caso de Benjamin Button [Crítica]

The Curious Case of Benjamin Button

The Curious Case of Benjamin Button Poster

Uma vida inteira em 2 horas e meia…

Não tive acesso ao conto original de F. Scott Fitzgerald, mas posso garantir que a premissa em si já é genial. A campanha também não ficou atrás e ver o resultado final é de deixar boquiaberto. O filme não é só uma curiosidade sobre uma anomalia genética “mágica”, é um filme sobre a vida, o ser humano e seguir seu coração.

Em O Curioso Caso de Benjamin Button somos apresentados a história de um bebê que nasce com o corpo de um velho em seus 80 anos que começa a crescer ao contrário. Nascido no início do século XX, ao final da primeira guerra, ele acompanha as fases da história enquanto vai ficando cada vez mais jovem e observando as pessoas que conhece de um ângulo totalmente inusitado enquanto caminha por encontros e desencontros com seu grande amor, Daisy.

O diretor David Fincher não fez muita coisa desde sua parceria com Brad Pitt em Clube da Luta. Dirigiu Quarto do Pânico e Zodíaco e foi só. Mas claro que seus filmes tem um capricho e cuidado típicos. Mesmo se o roteiro não colaborar, ele faz ficar visualmente interessante. Em Button, ele não só teve uma história belíssima a seu lado, como construiu um cenário de época inigualável para todos os sentidos. Uma viagem no tempo para todos os efeitos. Um passeio visual que merece algum tipo de prêmio para efeitos visuais. Desde as maquiagens até um “mini-Brad” de muletas foi espetacularmente perfeito.

Por falar nisso, Brad Pitt mostrou novamente que não é um “rostinho bonito” na indústria ou só “marido da Jolie”. Sua interpretação como idoso não foi fácil e convenceu com primor. Ainda mais a dificuldade de interpretar uma criança com todos os empecilhos de um senhor de idade não deve ter sido fácil. Cate Blanchett é um espetáculo a parte. Apesar de não estar presente o tempo todo, sua aparição e atuação são marcantes. Céus, como ela é linda. Nesse filme se supera. Todos os outros atores também fizeram seus papéis muito bem. Tilda Swinton não me convence como uma casada sedutora, mas tudo bem… Ela é ótima atriz e de resto todos estiveram perfeitos.

Parece que a cada 5 minutos de filme tínhamos uma frase que nos dava um tapa na cara e dizia “HEY, ACORDA! A vida tem que ser vivida, pois é um milagre“. Benjamin era um milagre, mas não sei via assim. Ele enxerga como as pessoas e cada particularidade delas é um milagre. E o final representa exatamente isso no seu âmago. Todos os personagens, as 2 horas e meia de filme – que passam voando – assim como todas as situações corriqueiras para muitos, mas para ele muito inusitadas, construíram um conto sem precedentes. Não é só sobre uma condição física incomum, ou um cenário fora do normal. É sobre o fato de que todos são únicos e ao mesmo tempo tão iguais, não importa o quanto tentemos fugir disso.

Benjamin Button é uma lição de vida em curtas duas horas. Cada momento do filme nos lembra o quanto somos sortudos por simplesmente estarmos vivos e termos todos os dias a chance de poder fazer exatamente o que mais sonhamos. Somos sortudos de termos essa chance. Você é sortudo por estar lendo isso agora, pelo simples fato de viver pra ver qualquer coisa. E de formas muito diferentes e interessantes, Benjamin, F. Scott Fitzgerald, David Fincher, Brad Pitt e todos os envolvidos no filme nos mostram um ponto de vista peculiar sobre as “coincidências” da vida. Não fala sobre destino ou acaso, mas sim que nada disso importa quando o que interessa é tratar cada dia como uma dádiva. Por isso recomendo que mude seus planos para hoje, para essa semana, para o mais rápido possível e vá assistir O Curioso Caso de Benjamin Button JÁ!

Crítica