O Contador de Histórias [Crítica]


Ele não imaginava que a maior história a se contar era a sua própria.
Poucas coisas prendem tanto a atenção de um indivíduo quanto uma história. Seja ela contada através de uma música, um filme, um livro, ou simplesmente uma prosa. Um homem, entre tantos outros, tornou disso não só sua vida, como seu exemplo para muitas outras pessoas. Por esse motivo e uma história totalmente inesperada em uma produção de fazer em inveja até na recente grande safra do cinema nacional, que vou contar a história dessa crítica para vocês.
Antes de mais nada, eis a resenha que foi colocada no cartaz na porta do cinema em que fui com alguns amigos assistir a película.
“Tom Hanks é o personagem título, um rapaz inocente que passeia pela história norte-americana de três décadas. Com seu jeitão puro, ele luta no Vietnã, é condecorado, conhece o presidente Kenedy, fala em uam grande concentração pacifista em Washington…”

Exatamente, a sinopse era de O Contdor de Histórias sim, mas de um outro contador gringo chamado Forest Gump. Tropeços a parte, a verdadeira história do filme é mais ou menos assim…
Aos seis anos, Roberto Carlos Ramos é internado por sua mãe em uma instituição para menores carentes em Belo Horizonte. Dotado de imaginação fértil, chega aos 13 anos analfabeto, com mais de 100 fugas no currículo, várias infrações e o diagnóstico de irrecuperável. O encontro com uma pedagoga francesa chamada Margherit Duvas mudará, para sempre, a vida de Roberto.
O filme de Luiz Villaça falta palavras para descrever desde a história de luta para fazer o filme que levou 7 anos da idéia a concretização e para todo o requinte artístico, visual, musical, de elenco. Basicamente, não foi só mais um trabalho do cinema brasileiro e sim quase uma obra prima. O roteiro assinado por Maurício Arruda, José Roberto Torero e Mariana Veríssimo é no mínimo emocionante em todos os aspectos que um filme pode ser. De suspense, a drama e comédia, tem os principais gêneros que o cinema nacional pode proporcionar. A seleção de elenco por Lais Corrêa que também preparou os inexperientes garotos foi espetacular.
Sobre o elenco o que dizer? Marco Ribeiro (6 anos), Paulinho Mendes (13 anos) e Clayton
Santos (20 anos), escolhidos entre mais de 500 candidatos selecionados em escolas
e projetos sociais de Minas Gerais, deram um show de atuação. Claro que o filme mostra muito masi Paulinho Mendes de 13 por ser a fase de encontro com Margherit, interpretada pela mais fantástica ainda Maria de Medeiros (Pulp Fiction – Tempo de Violência, Henry & June, Capitães de Abril). Ambos deram um show de atuação, com apoio de algumas participações mais que especiais de Jú Colombo (Mãe de Roberto), a belíssima Malu Galli (diretora da FEBEM) e Chico Diaz rapidamente como o exímio contador de histórias. Eles fazem com que o filme não se perca na fantasia, mas sim, que se encontre na realidade.
A história é sem igual. Depois de uma entrevista no Jô Soares quase uma década atrás, Roberto Carlos Ramos ficou conhecido e imortalizado no popular brasileiro como um dos maiores contadores de histórias do mundo, mostrando que não basta apenas ser jogador de futebol para se sair bem na vida e ter sucesso com origens pobres. No final, tudo que se precisa é de um pouco mais de afeto e condições de criação. Esse é todo tema do filme, a transformação de roberto. Primeiro do ingênuo garoto ao marginal jovem, depois do jovem delinquente a algo mais na vida. Todas as três fazes totalmente e abusrdamente bem retratadas no contexto de suas aventuras.
A forma como a criança tornava tudo diferente e depois sutilmente como essas histórias mascaravam a “vida real” para algo mais suportável foram um pivô, para mostrar como o amor de Margherit poderia ser a única chave para trazer tudo isso a tona. Desde a fantástica música tema – que sinceramente me lembra um pouco música do modo de compra/construção de algum The Sims
– até todo um requinte técnico e a própria voz de Roberto Carlos Ramos como narrador, mostram o carinho com que foi tratada a produção e por esses e outros motivos, essa história que faz rir e chorar (muitos soluços entre espectadores no cinema), que RECOMENDAMOS COM TODAS AS HONRAS esse filme que, por falta de definição melhor, é uma das maiores histórias reais que cinema brasileiro poderia contar no momento.








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