O Casamento de Rachel [Crítica]
Rachel Getting Married

“Não é sua família mas É sua família…”
Confuso o subtítulo, mas totalmente realista. Não é nem de perto o tipo de gênero que geralmente fazemos crítica por aqui, mas é época de Oscar e decidimos abrir algumas exceções… ainda bem. Não tem por onde começar a descrever o porque desse filme ser mais do que uma simples nota 10.
Em O Casamento de Rachel na verdade temos a perspectiva de toda uma família para a volta de uma filha drogada em reabilitação para casa as vésperas de um casamento (HÁ! =D) enquanto tem que lidar com fantasmas de um passado antigo e os problemas comuns familiares. A trama pode parecer curta e tênue, mas nada tem haver com o filme denso e indagativo. Ao longo do filme, vai sendo revelado ao público o que faz dessa família tão singular e ao mesmo tempo tão comum.
O casamento pode ter sido de Rachel, mas o prêmio vai totalmente para o diretor Jonathan Demme, que entre outras obras primas ganho um Oscar por Silêncio dos Inocentes e emocionou platéias com Filadélfia. Usando um tipo de filmagem de ótima qualidade – mas com aparência de vídeo digital – ele conseguiu fazer com que desde as câmeras, até a música ambiente do filme fossem na verdade personagens da própria película. Explico. As câmeras que estão filmando o filme são as câmeras da equipe que filma o casamento ou as câmeras amadoras dos convidados, com raras exceções em que realmente o diretor assume o visual “reality show” de filmagem e dá ainda mais veracidade aos fatos. Isso sem falar em toda a ambientação, detalhismo, trilha sonora impecável, bom gosto da primeira a última cena. Definitivamente um trabalho sem igual. Fazer robôs gigantes de digladiarem nos computadores ou atores de colant e capa pularem de edifícios é para os fracos… Fazer você acreditar que está no meio de uma verdadeira briga doméstica da SUA casa é outra coisa bem mais complicada.
Então chegamos na cereja do bolo, os atores. Como é possível que se saiam bem quando cada segundo de filme tem uma carga dramática – ou cômica em certos momentos sutis – que te faz ficar tenso como se fosse você sofrendo alí com os personagens. E não levem a mal, pois não me identifiquei com nenhum dos personagens, apenas com o clima “família”, já que todo mundo teve, tem ou terá uma um dia. E isso é culpa de quem? Dos ótimos atores é claro. Anne Hathaway se superou em MUITO qualquer papel dramático da carreira. Digo isso porque não sei nem se ela algum dia será capaz de superar esse. Os outros atores – alguns mais conhecidos por papeis secundários, outros não – são todos igualmente capazes e maravilhosos. Ela também não tomou esse papel por vaidade, mesmo sendo linda de qualquer jeito possível e imaginável, o diretor não tem dó de colocar ela nas formas menos enaltecedoras possíveis. E nota para os onanistas: tem Hathaway peladinha, mas não aparece nada mais que um breve peitinho solitário. A famosa Rachel realmente é só uma coadjuvante em comparada com a carga dramática de Kym (Hathaway), mas nenhum personagem na verdade é mais ou menos importante pois o foco é família.
Tendo dito tudo isso, já deu pra notar a palavra mais recorrente, certo? Família! O lema do filme é que você ao mesmo tempo que saiba todo o tempo que essa não é sua família, vá se encontrar nesse meio e na loucura que é estar em casa, reencontrar seus entes queridos, amá-los e odiá-los ao mesmo tempo todos os dias e lembrar que por mais que sofra com eles, por eles ou por conta deles, são família e isso tem um significado que nenhum texto, olhar ou fala única representa, mas o conjunto dessa obra sim.
Com certeza esse é um filme para quem gosta de FILME. Não, não digo cinema, sala de cinema, pipocão etc. É filme para quem é cinéfilo mesmo e gosta de seres humanos. Esses são os pré-requisitos básicos. Resumidamente, esse é um filme família que não é para a família. Vá ver com sua amada/amado ou ente querido não-familiar, pois com certeza vai ser estopim para discussões mais profundas em casa. É, ele é assim tão bom… Confira! JÁ! Se puder e não tiver afim de ação, suspense e lutadores de luta-livre, então corre para o cinema que vale a pena.







