Controle Absoluto [Review]
Eagle Eye

Obediência é vital…
Juntando alguns dos maiores medos americanos, sobre paranóias americanas e falhas americanas, não vai ser estranho se poucos espectadores ao redor do mundo não se identificarem com Controle Absoluto, mas ele faz valer a ida ao cinema. Já algum tempo sem um bom filme de ação - do tipo mais puro, sem super-poderes, magia, quadrinhos, sci-fi - pode ter sido um dos motivos que me levaram a gostar de um filme que por si só não se destacaria tanto.
No filme somos apresentados a duas histórias distintas e aparentemente sem relação. Jerry Shaw é um esperto, porém menosprezado, zé ninguém que trabalha numa copiadora, que mal tem dinheiro para pagar o aluguel e que acaba de se ver surrado pelo destino. Rachel Holloman é uma mãe divorciada que luta para criar o filho enquanto lida com um ex-marido displicente. Enquanto Jerry é incriminado erroneamente por terrorismo, Rachel tem seu filho ameaçado de morte e os dois se vêem na mesma situação inusitada de estarem sendo guiados por uma voz feminina misteriosa a fazerem coisas inacreditáveis enquanto se tornam os mais procurados do país, ou eles e suas famílias morrerão. Eles tem que trabalhar juntos para sobreviver e descobrir o que está acontecendo e porque.

Tecnicamente o filme não deixa nada a desejar. Faz jus a uma produção Spielberguiana. Sim, Steven Spielberg assina a produção. Eu achei que o diretor D.J. Caruso fez o possível e impossível para tornar o filme uma montanha russa de cenas de ação muito bem produzidas e acabadas. Algumas pessoas não gostam de filmes dele como Tudo Por Dinheiro ou Roubando Vidas, mas eu até que gostei da forma como ele conduziu os filmes (deixando bem claro que não estou comentando as respectivas histórias, apenas a direção). Shia LaBeouf pela primeira vez pode jogar um pouco de dramaticidade em um de seus papéis e surpreende mostrando que não é apenas mais um futuro John McLane (vide Bruce Willis em Duro de Matar). Não sei o que dizer de Michelle Monaghan. Ela em alguns momentos parecia a ubber-MILF e em outros era aquela vizinha adolescente que você sonharia em pegar. Devem ser as sardas. Ah, claro, a atuação estava dentro do padrão. Billy Bob Thornton fez praticamente uma ponta e teve todo seu monumental talento desperdiçado, mas seu carisma com certeza salvou uma parte do filme. Michael Chiklis (O Coisa do Quarteto Fantástico, bobão) faz participação pequena como Secretério da Aeronáutica. Minha musa-mor, Rosario Dawson, fez o que pode e mandou muito bem sendo a gata inteligente e sagaz que chuta bundas com muita vontade. Ela sempre tem personagens feminas fortes e decisivas na trama, o que muito me atrae. =D

Agora, quanto ao roteiro, encontramos certos problemas. A premissa toda gira em torno do mistério da voz feminina que os guia e os atormenta. Mil e uma teorias vem a cabeça. Quem serão essas pessoas por trás disso? O que a sequência inicial do filme tem haver com o resto? Como Jerry e Rachel se encaixam nesse plano? E isso aliado as frenéticas cenas de ação é que fazem o filme ser tão empolgante, mas… PASMEM! No meio do filme o segredo todinho acaba e você já sabe como vai ser o final. Eles não contam, mas fica muito óbvio. Então qual a graça? A única graça que puder ver foi a atuação de Shia, Michelle e os coadjuvantes Thornton e Dawson (Aaah, minha Dawson). Não tem mais porque continuar vendo, se você já sabe o final. Só fiquei pela curiosidade mórbida de como o diretor vai retratar, só isso.
O lado bom do filme seria a forma como trata a paranóia do “Grande Irmão” e como as vezes seguir os fins para justificar os meios, principalmente quando o assunto é terrorismo e política interna, nem sempre é uma boa pedida. O filme foi uma óbvia crítica a cultura americana de atirar primeiro e perguntar depois quando o assunto é terrorismo. Isso vai levar ao fim da liberdade. Isso sem contar que o filme apesar de parecer um tipo de “ficção-científica” tem todos elementos que existem e estão em uso - senão nos States - em alguma parte do mundo. Nada naquele filme é tão surreal assim, com excessão das clássicas “mentirinhas” hollywoodianas nas cenas de ação, mas isso é mais que esperado. No final ficou aquele lance de total terror high-tech. Você se pega pensando que aquele rolo todo causado por uma manipulação digital PODE acontecer. Medo O.o

No final das contas, o filme vale o ingresso pela superprodução audiovisual, mas não esperem uma história fantástica, com os giros de plot que o trailer parece tanto prometer, pois a coisa toda se resolve antes da metade do filme. Tem Rosario Dawson e Michelle Monaghan, além de um bom diretor. Se já tiver conferido fimes como Ensaio sobre a Cegueira ou Hellboy II, vai na fé que esse aqui vale o ingresso.


1º - cuidado com spoilers, já que muita gente lê a crítica para depois assistir o filme
2º - Ridículo comparar esse filme com Cavaleiro das Trevas, porque como você mesmo colocou “ele não é o cavaleiro das trevas”