23 de outubro de 2008 às 9:30

Nayara Silva diz que NÃO houve tiro antes de invasão em Sequestro de Santo André

Como até havia prometido a um colega meu, eu só voltaria a esse caso se a polêmica sobre a ação tática policial ressurigisse. As 14h30 desta quarta-feira Nayara Silva, de 15 anos, recebeu alta do hospital após ter sido ferida na boca por um tiro de Lindemberg Alves na última sexta-feira. Ela deu depoimento diretamente no hospital, onde foi ouvida pelo delegado responsável pelo caso, Sérgio Luditza, e pelo promotor Antonio Nobre Folgado. Psicólogos, integrantes do Conselho Tutelar, a mãe da jovem e o advogado contratado pela família, Ângelo Carbone, acompanharam o depoimento.

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Nesse depoimento ela afirma categoricamente que não houve disparo antes da invasão policial, contrariando o depoimento dos políciais do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) – que teriam afirmado que o tiro seria a principal razão da invasão ao apartamento.  O delegado reforça:

“Hoje, a Nayara afirmou taxativamente que não houve esse tiro”

Felizmente a jovem teve a oportunidade de dar esse depoimento. Sorte essa que Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos, não teve pois veio a óbito no final de semana decorrente do tiro na cabeça que recebeu de Lindemberg por conta desse infeliz desfecho, aparentemente a abertura de uma nova polêmica. Teria errado o GATE ao invadir naquele momento o apartamento? É essa a pergunta que tem corrido pela internet. Em discussões em blogs que tenho muito respeito como o Saber É Bom Demais ou o UmTudo, muito se foi dito sobre os erros (que não foram poucos) na ação da polícia nesse caso. Não é apenas uma culpabilidade dos oficiais como pessoas, mas sim das péssimas condições de trabalho e treinamento que tiveram. O comandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar de São Paulo, coronel Eduardo José Félix reafirma que houve o disparo e reforça que tiveram duas testemunhas. Ainda conjectura que Nayara estaria confusa e por isso não poderia ser levado em consideração seu depoimento nesse caso.De certa forma pode-se imaginar que fizeram o melhor diante das circunstâncias, mas vamos analisar mais a fundo.

Hoje já temos depoimentos de diversos especialhistas que falaram durante a semana em diversos veículos de informação, inclusive uma entrevista com um antigo integrante do BOPE do Rio de Janeiro em um blog, o Eu-ri.com do Wagner Reis. Muito se foi discutido sobre os direitos humanos do criminoso, inclusive por diversos formados em direito e etc. Não nego que temos que ter direito a vida, mas como comentei em algumas dessas discussões, estávamos discutindo “avaliação de riscos”. Se estavam em posição de escolher entre a vida de um criminoso pego em flagrante e com indícios de distúrbio mental e a vida de duas jovens inocentes, não vejo como poderia se adiar essa decisão executiva. Diversas táticas de invasão e uma longa lista de erros foram apresentados, como no vídeo ao lado. Tudo isso contribuiu para uma “novela” que se arrastou ao longo de 5 dias com um resultado no mínimo deplorável. Faltou equipamento adequado para o GATE, estrutura social e treinamento devido para se tomar as decisões corretas, então não foi apenas um erro pessoal.

Nayara recebe alta nesta quarta-feiraComeça a polêmica. Estaria a polícia ainda mais errada por ter perdido todas suas janelas de oportunidade para invasão e ter entrado justo em um momento precipitado? Quem está falando a verdade: a refém ou o GATE? É triste que moremos em um país que tenha que passar por esse tipo de polêmica. Como citado na entrevista acima “Tenho vergonha nesse momento de ser brasileiro e ver que a polícia do meu país cometeu tamanho erro…”. E quem perde é Eloá e a sociedade ao presenciar esse circo longe de terminar…

Brasil