17 de novembro de 2009 às 15:16

[Mundo de Mandy] Síndrome do Peru de Natal

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Mestre Zen

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Eu sou o tipo de pessoa que detesta tendências e clichês. Normalmente luto ferozmente contra isso. Por exemplo, me recuso a ler Paulo Coelho, o nome “Da Vinci” no meu mundo nunca veio precedido da palavra código, meus piratas nunca foram ao caribe e nenhum jogo parece muito mortal. No momento estou fazendo parte do M.A.C. – Movimento Anti Crepúsculo.

Enfim admito, sou aquela pessoa emburrada e extremamente mal humorada a respeito de “modinhas” e clichês. Mas admito também que, como a boa humana que sou, às vezes despenco em tentação… Eu li a saga inteira de Harry Potter (e, alias, fiquei muito puta quando o Sirius morreu). Então, venho através desse texto, fazer uso de um dos melhores clichês que eu conheço “tem coisas que agente não esquece… Supera.” Sou uma pessoa muito desesperada com mudanças e sofro mais que uma atriz de novela mexicana quando uma fase da minha vida muda. Meu peito parece que vai arrebentar, os problemas não passam, os dias são longos, nada se resolve, tudo se enovela em uma conspiração cósmica porque Zeus não tem mais o que fazer e resolve jogar xadrez com a minha vidinha.

Os deuses e minha vida... puro xadrez

Cavalo branco na casa b3. Passei em medicina.

Torre preta na casa d4. Mudei de cidade.

Bispo azul em qualquer casa. Meus amigos agora só de fim de semana.

Rainha rosa de bolinhas na casa do caralho. Meu namoro acabou – e é claro que o cretino, opa, o querido… Já ta namorando outra.

Xeque mate. O primeiro ano do curso de medicina É MUITO CHATO.

Obs: Eu sei que todo primeiro ano de curso é chato, mas cutucar cadáver 8 horas por semana e passar o resto do tempo vendo epitélio e glândula em lâmina é quase um dos giros dantescos.

Então eu piro e praticamente mudo meu nome para Maria Abadia Estevan Gutierrez e choro, me desespero, acho que o mundo vai acabar, que eu nunca vou amar de novo, que aquela matéria vai ser impossível de estudar… E é claro que pra coroar o mex-drama eu bebo e acabo fazendo merda. As coisas mudam, as pessoas mudam e eu sei disso. Sei que a “eu” de hoje não sou a eu de amanhã. Sei também que muitas vezes as pessoas apenas cumprem uma função na vida por um determinado tempo e de repente seu melhor amigo se torna um estranho. Porque as pessoas escolhem caminhos, crescem (as vezes encolhem…) e mudam.

Dispensa comentários

Uma das melhores coisas que aprendi esse ano, alias, aprendi não né? Porque se tivesse aprendido não estava vivendo uma fase Maria do Bairro. É que tenho que curar minha “síndrome de peru de natal”. Essa síndrome foi criada pelo meu pai, que sim, se acha muito engraçado, pra me zuar porque aparentemente, como o próprio peru de natal, eu morro na véspera. Odeio tempo. Odeio ter que ter paciência. Odeio saber que só o tempo e a paciência curam as coisas. Odeio saber que as cicatrizes vão estar lá… Porque agente não esquece… Supera. E esse hiato de tempo na vida é algo abominável. Eu queria um botão de Fast Forward pra esses momentos mexicanos… Porque eu tenho certeza que toda essa angustia vai passar, ela sempre passa, mas a minha síndrome de peru me compele ao caos constante da dúvida e isso é detestável.

Eu no natal

A vida se repete, a minha vida se repete com freqüência e olhando para os lados ultimamente pude perceber padrões irritantes. A vida de todo mundo repete tudo o tempo todo e isso é um looping um tanto abominável, pois torna a própria vida um clichê e, por extensão lógica, me transforma ainda mais em peru porque me sinto vivendo dentro de um livro ruim que todo mundo lê. Entretanto, por mais que a existência se baseie em repetições é importante lembrar que elas nunca são idênticas, algo sempre muda e essa mudança vem justamente desse hiato desprezível de tempo, quando agente cresce, pensa, muda e não esquece. Mas tudo bem porque (se eu sobreviver à véspera de natal) eu sei que quem supera… Levanta… Sacode a poeira… E da a volta por cima! (Adoro Clichês!)

Mundo de Mandy