22 de dezembro de 2009 às 12:00

[Mundo de Mandy] O Dia Em Que A Mandy Roubou O Natal

Meu querido amigo Mestre Zen me pediu um especial de natal, justamente porque ele é o lado positivo em pessoa a respeito do natal e eu sou…. hum… praticamente o Grinch. Então já vou começar xingando: eu odeio a po** dessa me*** do cara** de feriado nojento.

Grinch, a.k.a. Mandy

Os cristãos que me perdoem, mas eu dei aula de história e li o suficiente na minha vida pra detestar o catolicismo e adjacentes. Nada a ver com a fé, antes que alguém acabe me chamando de preconceituosa ou herege. Eu não gosto da estrutura do sistema, não gosto do que foi feito através da força da crença das pessoas, não suporto que isso tenha mudado muitas vezes o curso das coisas. Desculpa mas não acredito que Maria era virgem e que teve Jesus num celeiro onde três reis magos foram dar presentes e tudo mais… Pra mim é o mesmo que acreditar em criacionismo. E desculpem-me algumas “partes” Estados Unidos, mas… Alow! Darvin já morreu faz 200 anos. Não to dizendo que Maria foi uma puta que traiu José e saiu correndo pra um celeiro pra dar a luz a um bastardo. Só que eu não compro as histórias da bíblia. Acho que são poéticas, “educativas” – desconsiderando aqui meu conceito de moral – e talvez tenha sido esse o livro mais bem escrito da história da humanidade. É, de verdade, lindo. Mas como todos os outros livros como ele, lindos ou nem tanto, é literatura e devia ser encarado como tal.

Eu poderia começar a falar das pessoas que, igualmente, idolatram Marx como Jesus e O Capital como a própria bíblia e que essas pessoas deviam começar a ver O Capital como literatura e Marx como um ser humano que criou uma hipótese. Mas, eu vou parar com a rebeldia ideológica e voltar ao natal. O natal é uma época do ano onde as pessoas ficam mais generosas, elas dão presentes sem parecer que querem algo de alguém, ou não, porque até onde eu enxergo muitos presentes são politicagem ou mera gentileza.

Minha mãe: você não vai comprar nada para seus avós?

Eu: Eu estudo no mínimo 8 horas por dia. Eu não faço dinheiro. O que eu poderia dar de presente, que faria alguma diferença, para duas pessoas que tem tudo.

Ela: Nada, de verdade, nada, mas é só pela gentileza…

Ser gentil? Gentil pra mim é aquele que vivia no feudo, e sua definição no dicionário ainda vem acompanhada de “nobre”. Eu não gosto desse tipo de gentileza, muito menos dessa divulgação de paz, amor e esperança. Esperança? Esperar? Eu não! Depois desse mês fantástico todo mundo esquece tudo isso e volta a ser cretino. Eu sou o tipo de pessoa que detesta a maldita musiquinha de fim de ano da globo.

“Hoje é um novo dia, de um novo tempo que começou… blábláblá”

Muito bonito, mas esse tipo de mensagem devia fazer parte das pessoas e não parte do ano das mesmas. Vou descrever o meu próprio natal: Eu me arrumo para ir para casa dos meus avós, eu coloco um vestido lindo, uma maquiagem linda, para ficar das 9 as 11, com as pessoas que eu fico sempre, vejo sempre e falo sempre (minha mãe, meu padrasto e meus avós maternos) vendo o seguinte:

Minha vó pergunta: Vamos abrir os presentes ou comer primeiro?

Eu respondo: A gente sempre comeu primeiro.

Ela… É mesmo?

No jantar, minha vó reclamando o quanto deu trabalho fazer a comida. Meu avô falando que foi fácil e que ele que fez a comida. Eles discutindo por causa disso. Meu padrasto fazendo algum comentário ácido demais. Minha mãe olhando com cara de “Ai meu deus”. Meu avô me mandando ficar quieta porque eu estou falando de medicina na mesa e isso é nojento. Meu avô bebendo demais e começando com teorias e cabeçudisses. Minha mãe revoltada com isso, porque ela tem teorias próprias e é mais cabeçuda que o progenitor. Eles brigando metade do jantar. Eu reclino e assisto. Foi-se o tempo onde eu me metia na briga alheia, hoje eu virei apenas ponto cientifico de referência. Então “viva!” vamos abrir os presentes! Eeeeeeee!!! Debaixo da árvore enorme e temática que minha vó faz todo ano e então eu, por ser a mais nova, distribuo os presentes que as pessoas já sabem o que é. Meus avós me ligam em novembro e falam “você tem ‘xis’ pra gastar”, então eu saio compro bilhões de roupas e dou para minha vó embrulhar e… Abro debaixo da árvore maravilhosa dela. Umas 11 da noite já tá todo mundo bodiado sem ter o que fazer e voltamos pra casa pra dormir. E quando eu reclamo do natal eu ainda tenho que ouvir da minha mãe: “Você tem que ser grata, enquanto seus avós estiverem aqui. E se é um saco e eles que fazem disso um saco, agradeça por tê-los ainda”. Todo natal eu olho pro meu herói, meu avô, agradecendo por aquele saco de natal e esperando ter outro saco de natal, pois então ele vai estar vivo…

É uma droga? Sim, é uma droga. É uma época de sentimentos curtos e pouco verdadeiros onde eu me arrumo para estar com as pessoas que eu convivo, para lembrar que eu tenho aquele saco de feriado para dar graças a Zeus porque elas estão vivas. Esse ano minha avó não fez árvore, esse ano ela não pediu as roupas que eu comprei para embrulhar, esse ano ela comprou os doces ao invés de fazê-los…

Eu detesto o natal… Mas eu agradeço, de coração, que ele ainda seja um saco. Sem mais. Boas festas para todo mundo, que saibam agradecer, apesar de poder ser um saco, por ainda se ter aquilo que se tem… Isso deveria ser o verdadeiro espírito do natal. (E não é?)

Mundo de Mandy