[Mundo de Mandy] Filme Ruim
Ontem assisti um daqueles filmes bem ruins, daqueles que agente nem se da ao trabalho de prestar atenção no nome. Era uma tentativa neo-pop-cafona do filme “o meu primeiro amor” só que no lugar do Macaulay colocaram um menino gordinho e ninguém morre no final picado por um enxame raivoso de abelhas assassinas.

Meu empolgante programa de sábado a noite (sim, nota-se que minha vida não anda das mais movimentadas ultimamente) arrancou de mim diversos “ahs” e “ohs” e sorrisinhos bestas. Um amigo que estava por perto protestou – não acredito que esse filme está emocionando vocês…
Sabe, realmente era um filme ruim de Hollywood provavelmente patrocinado pela Disney, com atuações medíocres e uma historia lamentável. Mas, como já disse meu grande amigo fefezinho pessoa… O amor é ridículo e nesse caso dublado. Eu com um namoro recém acabado e com aquela amargura comum e recorrente no peito, aquela que diz que você nunca vai amar de novo, me contorcia no sofá olhando algo tão bobo. Então eu lembrei porque acabei meu namoro e tudo fez mais sentido. Já não existia mais em mim aqueles “ohs” e “ahs”… Tava mais pra “puta que o pariu esse cretino aprontou de novo”.

Minha parte menininha então se afundou lembrando pequenos momentos da vida. Aquele momento de êxtase antes de um primeiro beijo. Um olhar perdido. O primeiro toque que me vira do avesso. A certeza (inútil e ridícula) de que aquilo vai durar pra sempre… E o horror constante de saber que esses momentos, que deveriam ser eternos, são apenas miseravelmente eternos enquanto duram – e isso é muito errado. Toda vez que eu to triste minha mãe vem cobrar de mim felicidade e sempre termina o discurso pobre dela com “isso é falta de homem”. E acaba me chamando de besta, incompetente e sutilmente de vadia porque aparentemente, aos olhos dela, eu não posso viver sozinha. Estar sozinha é de fato desagradável, mas felicidade e estar com alguém nem sempre estão diretamente relacionados na minha cabeça. Na verdade está mais para “ter o que pensar” e, em uma analise mais profunda, como eu cheguei a conclusão com meu querido Mestre Zen, é – literalmente – “preencher espaços”.
Meu sábado a noite foi lamentável, assistindo um filminho trash da Disney e lembrando o quanto eu posso ser feliz se sair da frente da televisão e for procurar um primeiro olhar, um toque, uma historia nova longe do sofá… Gostar de alguém ou estar, pelo menos, interessadinha em alguém é o que te dá no que pensar a noite, especialmente quando o resto do dia inclui matérias pseudo-medicas maçantes e enlouquecedoras. Não ter nada pra pensar além da (infeliz) aula de histologia é realmente deprimente.

Ou seja, não mãe eu não preciso de um “piu-piu” necessariamente, só preciso de algo mais abstrato e quão mais abstrato melhor, pois se não virar realidade não me machuca. Não acaba. Não liga pra mim dizendo que não me ama mais. Se somente existe no meu mundo e não habita o mundo real… Não causa problemas. (não liguem para esse parágrafo, é fruto da síndrome recente de “acabei um namoro”). Então eu sento em um sofá e me protejo, mas ainda sim eu tento lembrar que, mesmo podendo ser atacada por um enxame de abelhas no final da história, ainda vale a pena mover algo dentro do peito… Abstrato ou real. Basta agora escolher a roupa certa para a balada.







