[Mundo de Mandy] Feliz 2010
Dificilmente as coisas correspondem a minha expectativa. Não exatamente porque os eventos são toscos, mas sim porque eu tenho o péssimo habito de esperar demais. Como eu disse na ultima coluna: desisto do presente para viver em um futuro muito mais maravilhoso e, normalmente, inexistente. Sim, eu me frusto com uma freqüência insuportável.
Dessa vez eu, mesmo sabendo dessa analise, depositei toda a minha pouca fé na viagem de fim de ano. Zarpei. Entreguei, de peito aberto, e fui para o tudo ou nada. Dificilmente as coisas correspondem a minha expectativa… Mas e quando correspondem? Quando ultrapassam?
Primeiro dia do ano. Toda essa palhaçada de jogar flores e pular ondinhas – que todo mundo faz, eu inclusa – é um mero ato desesperado. É apenas um desespero simbólico de deixar aquilo que magoa para trás para começar algo novo em um “ano novo.” Ano novo é um falso recomeço. É algo de que a gente precisa para tomar uma atitude, pois parece o momento certo. É um simbolismo absolutamente necessário para incentivar a humanidade. É uma forma de contar o tempo, é a forma que encontramos de lidar com ele. O que é putamente complexo e, Einsten que o diga, é uma loucura.
Então eu estava lá, no dia primeiro de janeiro do ano seguinte. Daquele dia depois de ontem e antes de amanhã. Dessa vez não fiz promessas. Alias promessa é uma coisa muito relativa e meio tosca a maior parte do tempo. “Prometi que se eu conseguisse tal coisa ia ficar um ano sem comer chocolate” Na boa? Que raciocínio cristão medieval, é ter que sofrer, é pagar uma penitencia, é abster da algo de que se ama para ter outra coisa que se ama. Eu faço promessas. Eu sou humana. Tenho que estabelecer metas para tentar manter a minha pouca sanidade (ahahaha). A ultima foi “se eu passar na faculdade corto o cabelo a cima do ombro”, na época meu cabelo chegava até o fim das costas…. O ato de prometer, para mim, portanto não está relacionado a penitencia, mas a algo que eu não tinha coragem de fazer e pode (pelo menos em teoria) ser bom pra mim. É simbólico, é mudar para poder recomeçar… de novo.
Em alto mar eu vi o sol nascer depois de um dia maravilhoso com pessoas igualmente maravilhosas. Em uma balada toda feita de vidro com um deck que dava para o infinito. Eu me permiti viver aquele momento e o vivi da melhor forma possível. É como se eu tivesse amadurecido um pouco, e isso por algum motivo foi bonito naquele cenário.O ultimo dia em si foi estupendo. A semana toda foi coroada por comidas maravilhosas, sol, a paisagem, espetáculos, mordomias e por felizes coincidências que juntam pessoas diferentes, mas igualmente dispostas a viver.
Foi como criar uma bolha, melhor ainda do que aquela que imaginei, uma realidade paralela que existia e era completa ali… Mas o barco volta… Que fazer com essa nova realidade adquirida? As pessoas tão maravilhosas vão continuar igualmente maravilhosas em um outro cenário? Alias, muito menos mágico e deslumbrante. Aqueles “amigos” que você conheceu e amou instantaneamente, pois não havia tempo para joguinhos, vão levar adiante tudo isso? Eu quero levar adiante esse mundo encantador e correr o risco de contaminá-lo com essa outra realidade muito menos querida? Então depois de ver o sol nascer em alto mar 4 dias seguidos. De ver a lua iluminando a água. Olho pela janela e vejo as favelas de São Vicente e o medonho porto de Santos… Óbvio que foi deprimente, mas pensando em tudo isso fiquei mesmo que por um segundo breve orgulhosa de mim mesma por ter me entregado a situação. Foi saber que eu ainda posso acreditar em algo que apenas a entrega sincera pode tornar tão maravilhoso. Sobre todos questionamentos anteriores eu ainda não tenho todas as minhas respostas… Mas vejo que não fui só eu quem amou, mesmo que por sete dias curtos, um mundo mágico desejando, não tão secretamente, que aquilo nunca acabasse.
Se tudo vai dar certo ou não… Eu não sei. Se todos vão ser amigos para sempre, tão pouco… Mas vivo com sinceridade as oportunidades pulam na minha frente, e por mais que ser assim seja a maior parte do tempo estar sujeita a ser atingida por um trem… Às vezes vale se dar a oportunidade de correr o risco. Senhoras e senhores membros do júri… Um feliz ano novo para todos!

![Faça metas, não penitências... Ano Novo, Dia Novo, Vida Nova (mesmo se a foto for reciclada ;])](http://www.zerooitocentos.org/image/uploads/2010/01/ws_Sunrise_on_Sea_1152x864-565x353.jpg)









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