15 de março de 2010 às 9:00

[Mundo de Mandy] Dia de Princesa

Hoje resolvi escrever sobre um tema meio, sei lá, batido, mas que atingiu bastante meus pensamentos ultimamente: “Ser mulher”. Estava eu hoje na manicure – sim, vai ser um texto putamente feminino -conversando sobre as minhas novas possibilidades no mundo masculino. Tudo que rola num salão de beleza é fofoca. De novela a sexo. Fofocas. Então eu estava lá, lançando as novidades:

  • Um cachorro de São Paulo super interessante, mais velho, responsável e blábláblá… que eu, na verdade, não tenho mais vontade de ver, mas se de repente me ligar. Quem sabe?
  • Um menino muito, muito, muito (já disse muito?) bonito, mas de 19 anos.
  • Um moleque que é o sonho de consumo de todas as minhas amigas da turma, mas namora.

Então escutei as sugestões. Procurando resposta as minhas complexas questões existências. E não cheguei a nenhuma conclusão. Ser mulher é estar eternamente em duvida. É achar essa situação ao mesmo tempo maravilhosa e funesta. Nenhuma das opções me parece boa, entretanto todas são absolutamente maravilhosas. Ser mulher é se meter naquela roupa apertada, naquele sapato de salto alto desgraçado, naquela maquiagem demorada. É mentir que está se arrumando para os homens e saber que, não tão no fundo assim. Só querermos deixar as outras mulheres com uma “invejinha saudável”. Ser mulher é dar graças a deus por tirar a roupa apertada, de preferência acompanhada. É querer arremessar o sapato na cabeça de alguém no meio da festa. É parecer um panda na manhã seguinte porque teve preguiça de tirar a maquiagem antes da balada. E no fim das contas ficar feliz com tudo isso.

Eu amo e odeio ser mulher.

Amo, pois sinto que me supero todos os dias. Amo pois gosto de me arrumar. Amo fazer minhas unhas, fofocar no cabeleireiro, poder dizer a meus amigos o quanto os amo sem parecer viado. Amo poder chorar em publico, mesmo não gostando muito da idéia. Amo poder ser vulnerável, quando quero, para ter alguém para me abraçar nos momentos precisos. Odeio, pois me sinto na obrigação de me superar todos os dias. Odeio ter que comprar mil roupas diferentes para ninguém comentar que eu só uso o mesmo vestido nas festas. Odeio fazer depilação. Odeio fofocas. Odeio que quase todos meus amigos homens cedo ou tarde tentam me arrastar pra cama. Odeio que me julguem o sexo frágil. Porque eu sou forte pra caralho!

Talvez, ultimamente, eu ande em crise existencial sem perceber. Não a respeito de ser mulher, porque eu sou muito fêmea, muito bem e obrigada! Mas a respeito de quem eu sou, ou o espaço que eu quero ocupar nesse mundo. São questões mais complexas que, na verdade, não cabem exatamente a um gênero. Entretanto, a forma de processar as informações e mudanças tem sido estranhamente feminina. Hoje, depois da sessão beleza, fui para aula meio arrastada, e lá, dois segundos depois de sentar na mesa de dinâmica de grupo tive um ataque e comecei a chorar compulsivamente. Então tive que escutar as hipóteses:

  1. A pressão no time de handball está acabando com ela. A competição está ai… Ela machucou o joelho… – disse um amigo e concordou minha professora que, em seu volumoso extinto maternal veio me dar um abraço para curar as “dores da minha alma”;
  2. Você não devia ligar tanto pro seu ex namorado. – disse minha amiga que mora comigo e certamente pensam assim todas as minhas outras amigas.

Na boa? O handball nunca esteve melhor, estou jogando muito bem, conquistando meu espaço, mostrando o que sei fazer. Falando menos, fazendo mais. Mostrando serviço e sendo “paga” por isso. E quando ao meu ex? P*u-no-c*-daquele-corno. E ponto final, porque esse é o único comentário que ele merece. Então…? Por que eu chorei? Por que chorei se tudo está dando, na medida do possível, certo? Por que fiquei algumas horas presa em um entrave inexistente? Por que não conseguia parar? Por que apesar do cansaço não sinto necessidade de dormir? Por que faço constantemente tantas perguntas? Por que estou buscando, o tempo inteiro, respostas?

Eu sou mulher. E isso basta para explicar as contradições internas, basta para me fazer entender que meus conflitos, mesmo que pequenos ou inexistentes, vão verter literalmente uma hora no meu rosto. Então depois de parar de chorar eu sentei para escrever esse texto, sentei para pensar nas questões levantadas no salão de beleza. Sentei para pensar no que fazer. E decidi não fazer nada além de digitar essas linhas.
Isso mais do que ser mulher, é tomar uma decisão muito mais complexa do que procurar respostas, é parar de se torturar e de viver a eterna síndrome de peru de natal. Mais do que ser mulher… É aprender, mesmo que chorosamente, a ser quem eu posso ser.

Destaque . Mundo de Mandy