Milk – A Voz da Igualdade [Crítica]
Milk
“Meu nome é Harvey Milk e eu vim aqui para recrutar vocês.”
Em época de Barack Obama, minorias e esperança, Milk cai como uma luva para o espírito “porliticamente correto” do Oscar 2009. Só que nesse filme perturbantemente realista, em momentos para alguns, é também absurdamente verdadeiro no seu sentido mais fiel da palavra humano. Claro que não vai ser nem de longe meu favorito para qualquer premiação grande, mas com certeza mereceu suas menções. Homofóbicos não podem passar perto desse…
Milk é baseado na história real de Harvey Milk, o primeiro gay eleito para um cargo público nos Estados Unidos em 1977. Sua jornada começa em New York em 1972 e leva até sua morte em 1978 pelas mãos de seu adversário político Dan White, ressentido pela sua derrota e perda do emprego. O filme é contado em forma de flashback entre suas gravações de áudio e algumas cenas de arquivo da época.
Gus Van Sant é um nome bem conhecido no mundo cult, mas dessa vez se superou a frente de uma superprodução. Controlando multidões, dirigindo atores de primeiro escalão e principalmente dando o toque anos 70 no filme. Ele foi o máximo. A mistura de imagens de arquivo da época com efeitos de filmagem envelhecida nas cenas atuais e toda a ambientação de época ficaram simplesmente fantásticas. Pelo quesito técnico ganhou parabéns. Sean Penn é Sean Penn né? O super aclamado e competente ator camaleão ataca novamente fazendo uma caracterização assutadoramente fiel e convicente até onde puder notar. Destaque do filme vai na verdade para Emile Hirsch, que até pouco tempo atrás estava tentando pegar seu “Show de Vizinha” e ser Speed Racer, agora surpreende como um vigoroso e jovem ativista político. Todos os outros atores, novatos ou não, estão de parabéns e um “alô” para Josh Brolin que até faz um simpático e perturbado Dan White. E eu sei que conheço Alison Pill de algum lugar, mas não sei de onde. Se alguém souber, comente please.
Resumidamente, Milk é um filme que joga na sua cara o tempo todo que aquilo foi, é e talvez continuará sendo real por algum tempo. A trajetória de Harvey Milk foi apenas o início de uma longa luta não apenas pelos direitos gays, mas pelos direitos humanos de igualdade em geral. Sua política de pregar “esperança” é até hoje fundamento para grandes vitórias das minorias (cof, cof, dipsensa exemplos né?) e é uma forma sagaz de trazer o espírito de “mudança” para a política. Contra todas as chances, todas as ameaças e todas as pressões, ele com certeza mudou a vida de todos os gays americanos para sempre.
O tema tem sido mais atual do que nunca, mas mesmo assim o filme não é para todos. Homofóbicos por exemplo, dificilmente passarão os primeiros 30 minutos de forma confortável, já que o intuito visual fica bem claro naquele velho estilo “somos gays sim e viemos para ficar”. Tem bastante homem se pegando, beijando e outras coisinhas mais. Brokeback Mountain é o carvalho, o buraco aqui é bem mais embaixo. Mas se vocês homofóbicos que estiverem lendo isso quiserem passar pela tortura desses minutos iniciais, vão acabar se surpreendendo com o tom político e a lição de vida que esse filme passa. Com certeza a melhor opção de estréia desse fim de semana.








