13 de março de 2010 às 23:58

Lembranças [Crítica]

Tudo que fizer na vida será insignificante, mas é muito importante que você o faça.

Um filme totalmente despretencioso que se aproveitou enormemente de uma jogada de marketing para surpreender totalmente a platéia, seja composta por tietes do galã do momento de Hollywood ou não, se valendo de um ótimo boca a boca e crítica muito dividida nos States, pelo caráter apelativo de certa parte do filme.

A premissa de Lembranças não poderia ser mais simplista. Tyler é um rapaz problemático e rebelde com problemas com sua família, especialmente seu pai, depois de uma tragédia na família. Ele então conhece Ally por uma sequência de fatores desafortunados que os colocam no mesmo caminho. Inevitavelmente eles se apaixonam e seu relacionamento os inspira e parece aos poucos curar suas feridas, mas os segredos das circunstâncias que os uniram podem ser a mesma coisa capaz de sapará-los.

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Acreditem quando digo que nunca entrei em uma sala de cinema tão descrençado e sai tão satisfeito como nessa película. O roteirista Will Fetters foi um dos gênios da produção. Vocês devem testar lendo isso e pensando “Aaaah, como você pode dar uma nota boa para ISSO?”. Confiem em mim, esse roteiro de Fetters vale ouro por motivos que não posso revelar sem liberar fuderosos spoilers. Nada nesse filme é tão simples assim. O diretor Allen Coulter não é nada criativo, mas extremamente sensível. Talvez o responsável pela música, Marcelo Zarvos, tenha acatado as dicas de Michael Giancchino que lhe renderam o Oscar e decidiu por algo bem sutil. Ao invés de dramatizar demais momentos tensos, tanto diretor quanto responsável pela trilha, decidiram ser sutis e calmos com pouca ou nenhuma música em momentos chave. Sábia decisão.

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O elenco vai do medíocre ao espetacular. Enquanto os jovens Robert Pattinson (Tyler) e Emilie de Ravin (Ally) tem muito a aprender – Pattinson mais ainda que Ravin, já que parece só saber fazer bem o tipo melancólico introvetido –  também mostram muito potencial. Ravin pode vir a ser uma fantástica atriz dramática se souber arproveitar talento e simpatia. Até as tietes de Crepúsculo deram uma folga nos olhares raivosos com aquele sorrisinho maroto dela. O show fica por conta dos veteranos. Chris Cooper como pai de Ally é fantástico dos minutos iniciais em que abre o filme até perto do fim onde tem papel ativo. O maior ator do filme sem dúvida foi Pierce Brosnan. Finalmente ganhando o respeito deste que vos escreve, pois dificilmente algum personagem me enfureceu mais por “omissão” do que o pai de Tyler, interpretado por Brosnan. Genial. Poucos atores conseguem incitar tamanha raiva e desprezo da platéia com tamanha simplicidade. Estrela revelação é Ruby Jerins, que faz a irmã caçula de Pattinson no filme, roubando a cena de forma que não vejo desde Haley Joel Osment em Sexto Sentido.

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A grande jogada de marketing foi realmente ter contratado dois atores adolescentes famosos. Isso arrasta sem sombra de dúvida uma legião de tietes do “Team Edward” para o cinema. O lado ruim é que afasta uma legião de pessoas que poderiam desfrutar de um ótimo filme por conta do preconceito com o rapaz. Acreditem, nem mesmo a pior atuação do mundo pode arruinar esse roteiro. E não falo isso como exagero, ele te leva a lugares realmente impensados, a não ser que tenha lido spoilers. E a jogada de marketing é exatamente essa. A imprensa estava tão desesperada em ter novas fotos, imagens, fofocas e afins da produção por conta dos dois, que ninguém se preocupou em investigar o roteiro.

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O filme realmente trata sobre relacionamentos, mas o “amor” dos dois protagonistas acaba virando pano de fundo para um filme sobre família, tragédias, luto e superação. Analise essas palavras, assista o filme inteiro e entenda o que quero dizer. Minha dica seria: se livre dos preconceitos com os atores e a premissa. Supere os 30 minutos nervosamente clichê do começo do filme, que poderiam ser enxutos. Comece a se envolver com os persoangens e desfrute a viagem.

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