7 de julho de 2008 às 15:59

Kung Fu Panda [Review]

King Fu Panda

“Eu amo Kung Fuuuuuuuuuuuuuu…”

Se eu pudesse resumir grande parte de tudo que já escrevi na minha coluna semanal, “Pergunte ao Mestre“, acho que tudo caberia bem nesse filme. Ele está para os adultos como Wall-E está para as crianças… Perfeito. Enquanto as animações Disney são extremamente didáticas de uma forma simples e infantil (apesar de Wall-E ter ido além e se tornado tocante e poético), as animações Dreamworks foram sempre características por mirar em um público adulto. Kung Fu Panda não foge disso, mas agora com muito mais profundidade, mantendo sempre o humor característico.

O filme gira em torno de Po, um panda completamente aficcionado em kung fu (e porque não dizer “nerd”? O bicho até action figures tem) que sonha com a grandeza de ser o maior mestre kung fu. Infelizmente ele está preso a seu trabalho cotidiano ao lado do seu pai em uma loja de macarrão e tem uma capacidade para ser desastrado além da compreensão humana. Sendo o maior fã dos maiores guerreiros e mestres do kung fu ele não poderia deixar de ser fã dos Cinco Furiosos e o mestre Shifu. Através de uma série de eventos “catastróficos” e engraçados envolvendo esses personagens, ele acaba sendo escolhido “por acidente” para ser o Guerreiro Dragão. Esse guerreiro profético deve trazer paz ao vale onde vivem e derrotar o temido inimigo Tai Lung, um antigo discípulo de Shifu.

Po FUCKING rox!!!!

A trama aparentemente simplista e infantil esconde uma grande profundidade. Em várias critícas eu vi diversos ataques a animação, dizendo que não oferece nada além de algumas risadas bem colocadas e teve um péssimo aproveitamento de elenco. Acho que faltou da parte de alguns críticos enxergar o que nem mesmo todos os personagens de Kung Fu Panda conseguiram enxergar também. Parabéns para os roteiristas que souberam aproveitar inúmeras referências muito sutis a cultura chinesa, mas obviamente uma cultura de mais de 5.000 anos poderia ser melhor aproveitada, é o único contra do filme. De resto os diretores de animação, Mark Osborne e John Stevenson, fizeram um primoso trabalho, coordenando tantas estrelas e tanta simplicidade no visual. Kung Fu Panda ao contrário de sua animação rival do ano, ficou “simples”. Isso sim representa a essência do filme. Tenho que deixar um aviso: Vocês verão as melhores lutas de Kung Fu da história do cinema. Esqueça Jet Li, Matrix, Bruce Lee  e similares, ninguém consegue superar essas cenas. No elenco temos Jack Black fazendo a voz de Po, Dustin Hoffman fazendo Mestre Shifu e os Cinco Furiosos são Angelina Jolie, Jackie Chan, Seth Rogen, Lucy Liu e David Cross que (tirando Jolie) são todos mestres da comédia. E nisso você pode ter certeza, vai rir BASTANTE com todos eles. Claro que os 5 são apenas coadjuvantes e tem pouquíssimas falas, estão alí apenas para mostrar e dar dicas da mensagem principal do filme. Todos queriam ouvir mais as vozes dos 5, assim como todos os habitantes do vale também são fás dos Cinco Furiosos e gostariam que um deles fosse o Guerreiro Dragão, e é por isso que nenhum deles foi o dublador de Po e sim Jack Black. Entenderam o lance “vida imita a arte”? Tudo intencional, claro.

Po e os Cinco Furiosos

E vocês devem estar se perguntando: Como um filme com uma premissa tão simples e infantil pode ser ideal para adultos? Basicamente tudo gira em torno da idéia de acreditar. Fazer ou não fazer, conseguir ou não conseguir, ter ou não ter… Como mestre Oogway (uma tartaruga “fundadora” da escola de Kung Fu) costuma dizer, são reflexos do passado e do futuro, e muitos de nós, principalmente os adultos, “esquecemos de viver o hoje. Por isso ele é chamado de ‘Presente’”. Então ao invés de ficar preso ao que consegue ou não consegue fazer, apenas acredite e viva o momento que está agora. Para mim esse filme conseguiu resumir todas as minhas básicas e simples filosofias de vida e além da minha identificação imediata com Po (COF! COF! GEEK COF!) pude ver como é simples colocá-las em prática. Você só tem que acreditar.

Po vs. Mestre Shifu

Não vi como ficou a dublagem, mas se tiver oportunidade de ver e principalmente se tiver oportunidade de ver uma cópia legendada, VÁ ao cinema e reaprenda o que as crianças sabem naturalmente e acabam perdendo ao longo da vida: O poder de adreditar.

Só pra constá: PO ROX !!! =D

Crítica