2 de setembro de 2010 às 8:00

Karate Kid [Crítica]

Minimamente respeitoso pelo menos.

Um filme que marcou gerações. É tudo que os estúdios andam procurando atualmente, na visíviel crise de criatividade que assola Hollywood. Novidades são raras e remakes são a regra da vez. Claro que a relação entre mestre e discípulo de Karate Kid – A Hora da Verdade de 1984 não passaria desapercebida. Com uma mensagem muito maior do que a própria filosofia das artes marciais, o filme manteve boa parte de sua mensagem intacta, mesmo depois de uma total e completa reformulação dos elementos que mais marcaram história nos anos 80.

Karate Kid conta a história do pequeno Dre, que se vê forçado a mudar com sua mãe por motivo de trabalho para Pequim, na China. Sem saber chinês, deslocado e discriminado pelas crianças próximas, Dre se vê perseguido por um grupo de aprendizes de Kung Fu. Quando ele encontra o desprezado zelador de seu condomínio e este se revela um mestre do Kung Fu, os dois entram em uma jornada de aprendizagem em tempo de lutarem em um torneio para recobrar a honra de ambos.

902539 - KARATE KID

A escolha de Harald Zwart como diretor encheu meu coração de medo, devo admitir. O cara foi responsável pela refilmagem e evidente fracasso de A Pantera Cor de Rosa. Mesmo assim, ele foi primoroso visualmente, apesar de pouco imaginativo. E também provavelmente limou cenas interessantes que constavam em partes do trailer. De qualquer forma, mesmo com pouca imaginação mas ótima estética, se saiu bem no filme e conseguiu transformar atores pouco conhecidos por suas capacidades dramáticas e os colocou um patamar acima. Já no roteiro, as alterações obviamente descaracterizaram todo o “Karate” da história, mas mantiveram o principal. Difícil mesmo foi ver tanta propaganda da China, já que o filme foi financiado em parte pelo governo Chinês, onde até mesmo as favelas chinesas são bonitas. É como mostrar favelas bonitinhas no Rio… não cola. Por essas, roteirista e diretor perdem no quesito credibilidade.

902539 - KARATE KID

Na parte de atuação, gratas surpresas. Até a mais inexpressiva e bonitinha atriz mirim, fazendo par romântico com o protagonista, consegue ganhar em simpatia. Ponto para a desconhecida Wenwen Han. Taraji P. Henson é fantástica no seu papel de sempre: mãe. Ela transpira mãe. Vide Benjamin Button. Tiro óbvio. Pena que fique estigmatizada por isso. Jaden Smith evolui bastante desde A Procura da Felicidade, ao lado do papai Smith. Os Smiths estão trabalhando duro para torná-lo ator de gabarito. Ainda tem muito a aprender, mas segue os passos do pai no papel de Dre. Quem realmente surpreende é Jackie Chan. Não, ele não fez nenhuma acrobacia impressionante. O que pegou foi que ele pela primeira vez fez um papel dramático e convenceu. Sem grandes macaquices. Deixou de lado sua tentativa fútil de parecer herói jovem, aceitou sua idade e se saiu super bem. Inédito. Ponto alto para ele e grande revelação do filme.

902539 - KARATE KID

A história gerou polêmica de todos os lados. Karate Kid sem Karate. Filhos de famosos. Propaganda política de uma ditadura chinesa. Erotização precoce de personagens infantis. Tudo isso realmente tem seu lugar, mas será isso o que deve transparecer mais no filme? Ao assistir, me veio a imagem de grandes heróis de filmes sobre atletismo e histórias tocantes envolvendo esportes, como Carruagens de Fogo ou o mais recente Rocky Balboa. Dramas humanos por trás de pancadaria e competições. O segredo não são as pouquíssimas cenas de luta ou pré-adolescentes se esbofeteando. A mensagem principal do filme de nunca desistir de seus objetivos, se os princípios são dignos, continua um ponto forte na película.

902539 - KARATE KID

Anteriormente chamativa por mostrar a pouco explorada, e até misteriosa, cultura japonesa para o mundo ocidental e os benefícios de se olhar para outro mundo com olhos menos preconceituosos, agora a temática é outra. Preconceito toma um lugar de maior destaque para ilustrar a história, mas em nenhum dos dois filmes essa foi a mensagem principal. Tudo bem que o final desse filme foi bem menos tenso e catártico que o outro, mas ainda assim o carisma de atores e personagens até que levou ele bem mais longe do que esperado, arrecadando inclusive boa bilheteria. De qualquer forma, se já tiver visto outros filmes fantásticos em cartaz, essa pode ser uma boa pedida. Só sei que Pat Morita é insubstituível.

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