Julie e Julia [Crítica]


Uma historinha “fofa” como um muffin…
Com uma estréia toda atrapalhada no circuito nacional, o filme chega por essas bandas quase 1 mês depois de sua estréia marcada para 27 de Novembro. Com duas atrizes queridinhas da academia, dessa vez elas ilustram uma “comédia romântica” onde existe um triângulo amoroso entre Julie, Julia e a culinária, mas sem sem vergonhice. Uma boa pedida para o Natal? Provavelmente.
Julia Child era uma mulher que viveu a muitas décadas atrás e tentou entrar no mundo dominado por homens da cozinha francesa. Muito bem sucedida e um marco história na culinária, ela foi lida pela simplória atendente de telemarketing Julie Powell que decidiu fazer todos os dias alguma receita do famoso livro de receitas de Julia, relatar suas experiências em um blog e escrever um livro. Julie e Julia intercala a vida de duas mulheres que, apesar de separadas pelo tempo e pelo espaço, estão ambas perdidas… até descobrirem que com a combinação certa de paixão, coragem e manteiga, tudo é possível.
A obra é dirigida e roteirizada por Nora Ephron, que faz um trabalho primoroso, com um pequeno deslize. Ela deixa bem mais interessante a história de Julia Child, lutando com dificuldades muito mais intrigantes no final da década de 40, do que a baixa auto-estima de Julie Powell nos anos 2000. Pela lógica, deveriamos nos identificar e relacionar mais com a personagem mais atual, que é atendente de uma agência do governo responsável por cuidar de vítimas do 11 de Setembro, mas na verdade nos simpatizamos muito mais com a gloriosa Julia Child. Talvez fosse até intencional, mas acaba tornando a história de Julie menos importante, não fosse por pequenos comentários magníficos ao longo do filme. Ponto negativo apenas neste aspecto do roteiro. Não desmerecendo a ótima direção de Ephron que faz a troca de histórias através do tempo uma verdadeira jornada, quase com um rítimo musical bem passado. Perfeito.
Talvez fosse intencional, pois mesmo Amy Adams sendo muito simpática, fofurets e tudibaum como sempre tem sido, não se pode comparar sua dobradinha com o pouco conhecido Chris Messina – seu marido no filme – com a gloriosa parceria de Meryl Streep e Stanley Tucci, como foi vista pela última vez em O Diabo Veste Prada. Todos estavam muito bem, mas em níveis diferentes, óbvio. Atores de suporte tiveram boas participações, como as colegas de Streep nos anos 40. O elenco no mais está de parabéns.
Tirando o pequeno defeito na roteirização, o filme não tem grandes falhas, está ótimo, suave, gostoso e traz de volta algo que não se via a muito tempo na telona do cinema, o verdadeiro amor pela culinária. Muito se falou sobre a culinária no cinema, mas pouquíssimos filmes passaram a idéia do poder que a comida representa na vida de uma única pessoa. Aqui o foco não é a indústria, o sucesso na culinária ou mesmo se os pratos despertam o interesse do espectador ou não, mas a reação que o ato de cozinhar – simplesmente por cozinhar – tem na vida da pessoa que que cozinha. Não é sobre unir as pessoas, ou a nobre arte de cozinhar. Talvez se tivéssemos que classificar esse filme, seria sobre superação através de uma paixão espontânea, como aquele amor a primeira vista e todos os altos e baixos que vem com essa paixão. No caso, o pivô do triângulo amoroso é a cozinha francesa. Enquanto, em um grande menage a trois culinário através das décadas, Julie lê Julia, se apaixona por ela, que se apaixona pela cozinha francesa, que se apaixona pelas duas, que… vocês entenderam onde quero chegar.
De qualquer forma, se estreou na sua cidade a bastante tempo, é extremamente recomendado que aproveite esse feriadão prolongado para assistir. Não terá o mesmo impacto depois de nos entupirmos pós-ceia, mas com certeza também não se recomenda assistir esse filme com fome. Será uma boa pedida para a despedida do circuitão 2009.







