[Especial Cavaleiro das Trevas] Batman Begins - O Começo de uma nova era

Batman já teve várias versões, mas nenhuma contou sua história no cinema como o histórico Batman Begins. Você já deve ter visto que o bilhonário mascarado rendeu 1 série de TV, 9 séries animadas, 17 jogos e 7 filmes, além dos 6 curtas de animação que você poderá conferir aqui manhã no nosso Especial. Nada se compara ao trabalho de Chris Nolan em Batman Begins. Para quem esteve enterrado em uma caverna nos últimos 3 anos (o filme é de 2005), Begins fala sobre as origens do Homem-morcego. Ele se aprofunda em sua relação com seus pais, a morte dos mesmos, o crescimento de Bruce Wayne e uma parte de seu treinamento. Finalmente podemos ver um Batman desde os primórdios até o ápice, que é o surgimento do Cruzado Encapuzado.
No seu lançamento, o filme foi sucesso absoluto. Christian Bale intepretou Bruce Wayne/Batman e fez um papel primoroso. Foi instantaneamente comparado com Michael Keaton e venceu com facilidade. Bale sempre foi bom ator, tem um currÃculo invejável e ao encarnar o bilhonário, apesar de difÃcil, fez o trabalho maravilhoso. Ele fez Bruce Wayne ser uma pessoa revoltada com as injustiças, inconsequente como todo jovem, sombrio como todo adulto e principalmente soube interpretar cada pequeno aspecto da personalidade de Bruce Wayne, o que foi crucial para o sucesso deste primeiro filme. Begins é o caminho de se “encontrar” em meio a dor de crescer orfão e vÃtima de uma injustiça. A tortura psicológica, a obstinação em busca de alÃvio, como apenas uma paixão por Rachel Dawes (interpretada pela muito fofinha Katie Holmes) pode abrandar a sede por vingança. Basicamente Bale junto ao diretor Chris Nolan deixaram bem claro a diferença entre vingança e justiça.
O papel de Rachel Dawes deveria ser crucial na história, mas se tornou nota de rodapé. Com certeza foi por conta da interpretação de Katie Holmes, que por mais que tente interpretar uma poderosa promotora de Gotham City, acaba sendo inevitavelmente a vizinha gostosinha de “Dawson’s Creek”. Em contrapartida, nós tivemos a oportunidade de ver a melhor interpretação do Comissário Gordon, ainda como um mero detetive, que vem a conhecer e simpatizar pela causa de Batman. Gary Oldman é uma estrela do primeiro escalão. Conhecido por interpretar alguns dos melhores vilões da história do cinema, agora ele muda totalmente sua “roupagem” e faz um dos aliados do Cavaleiro das Trevas. Quem não conhece seus outros trabalhos ,ou até mesmo sua cara no dia a dia, diria que ele nasceu para ser James Gordon. Agora existe a promessa de uma participação maior em Cavaleiro das Trevas… Merecidamente, eu diria. Outra grande atuação, mas que não é novidade, é a de Michael Caine como Alfred. Ele coloca um pouco mais de humor no papel e uma carga emocional muito maior. Pela primeira vez desde que me entendo como leitor e fã de Batman, vi Alfred Pennyworth como um ser humano e um membro da famÃlia, ao invés de um mordomo que poderia ser facilmente substituÃdo por um robô. Alfred é a “mãe” de Bruce Wayne, simplesmente isso.
Os bandidos da vez são o Dr. Jonathan Crane, a.k.a. O Espantalho e o arqui-inimigo imortal Ra’s Al Ghul. Uma das boas sacadas do filme foi transformar a “imortalidade” de Ras em algo mais realista. Ao invés de um único homem, Ra’s Al Ghul é uma verdadeira instituição. Simplesmente é o nome de um posto mais alto em uma sociedade de homens com um mesmo ideal, a Sociedade das Sombras. Achei uma boa sacada de Nola e David S. Goyer (co-roteirista). Cillian Murphy recém saÃdo de sua interpretação em 28 Days Later (ExtermÃnio) faz um verdadeiro psiquiatra psicótico. Suas atuações são sempre bem marcadas e exageradas, como deveria ser um psicótico, então vale a pena. Liam Neeson interpreta Qui-Gon Jinn Henri Ducard, o responsável no filme por dar treinamento e posteriormente surpreender Bruce Wayne, se mostrando um justiceiro mais cruel e implacável que o próprio futuro Batman. Neeson ficou marcado por esses papéis, no mesmo estilo, tonalidade, frieza. Sei que não é apenas pela sua interpretação, pois já vi ele fazer papéis mais “viscerais”, mas Hollywood não perdoa e os esteriótipos são difÃceis de quebrar.
No final, a grande fórmula do sucesso - que parece ter se repetido em Cavaleiro das Trevas - foi transformar o mundo dos super-heróis em algo mais realista. Batman nessa versão é uma história que poderia facilmente ser verdade. Ra’s Al Ghul perde seu tom mágico, Espantalho se torna totalmente crÃvel e Bruce Wayne é muito mais humano. As vezes trazer um pouco da fantasia para o mundo real pode ser ainda muito mais atraente do que só “florear” nosso dia a dia. Se você não assistiu, assista. Sendo fã de batman ou não, vale a pena. Agora se você vai ver Cavaleiro das Trevas, é OBRIGATÓRIO ver esse filme. Não porque seja impossÃvel entender alguma coisa, mas porque é simplesmente o “começo” de tudo.








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