Gravatar Quão eficientes são os testes em animais?

Ratos de LaboratórioA cada semana vemos notícias, inclusive aqui no ZeroOitocentos, sobre grandes descobertas na área da ciência usando ratos e camundongos de laboratório. Infelizmente apenas uma fração dessas descobertas se traduz em reais e eficientes avanços com humanos. Então fica a pergunta: Para que realmente servem os testes em animais? Para responder essa pergunta, Frankie Trull, presidente da Foundation for Biomedical Research (Fundação para Pesquisa Biomédica), sem fins lucrativos, que também é defensor dos testes responsáveis em animais deu uma entrevista a TIME Magazine explicando os prós e contras dos testes em animais.

O motivo básico para os testes em animais é determinar dois pontos básicos antes de qualquer composto ser introduzido em um humano: segurança e eficácia. Eles servem para saber se é seguro para consumo humano e se desenvolve o efeito esperado. Na verdade o processo começa muito antes de chegar aos animais, mas em algum ponto do processo é crítico entender como um composto, como por exemplo, uma medicação para hipertensão, funciona em um sistema orgânico vivo. Você não pode somente pensar como vai funcionar na pressão sanguínea ou no coração. Você precisa saber como vai afetar todos os orgãos. O propósito principal dos testes é saber como afeta um sistema biológico inteiro, com o de um animal.

É claro que apesar dos excelentes resultados que vem dos pré-testes clínicos, o ser humano é o maior modelo animal e algumas vezes o contra de um novo composto não é realmente identificado até chegar a um ser humano.  Comumente se ouve dizer que não se pode dar aspirinas para gatos, porque é tóxico para eles, ou que você não deve dar chocolate para um cachorro. Mas ao olhar para trás e ver quantos diferentes compostos químicos falharam antes de chegar a testes humanos, fica claro que os animais tem um importante papel, nem que seja nos dar alertas antecipados. Além disso é uma ciência em constante evolução.

lab ratNos últimos 60 anos, cientistas tem descoberto o que funciona melhor em cada modelo. A maioria dos testes em animais é feito em roedores, de ratos a camundongos. Roedores, especialmente os camundongos, tem um período de vida muito curto, então você pode ver como um composto químico funciona em um animal jovem, então no mesmo animal em fase geriátrica e logo depois na próxima geração do animal. Então se um produto ou composto é determinado como seguro para um roedor, outra espécie pode ser usara. Por exemplo, se é um composto neurológico, geralmente os gatos são os modelos preferenciais porque seu sistema neurológico está mais próximo do humano. Se é um estudo cardiovascular, pode ser usado em cachorros (apesar de cachorros não estarem sendo usados ultimamente desde que descobriram que os porcos tem modelos de sistemas cardiovasculares mais similares aos humanos).

Claro que a ciência está sempre fazendo progressos. Hoje se lê muito sobre espécies muito específicas de roedores, animais chamados de “animais transgênicos”. Isso significa que se houver um estudo sobre diabetes, os ratos terão diabetes, para que você possa atingir alvos específicos de uma forma muito mais eficaz e rápida do que antigamente. Antes teria que se “torcer” para serem diabéticos. Também, a medida que a comunidade científica está conhecendo mais e mais sobre o genoma, seja o genoma humano ou de uma mosca varejeira, eles estão melhor qualificados para identificar marcadores genéticos, para isolá-los e então começar a trabalhar desenvolvendo compostos para doenças específicas.

Garfield CientistaCada vez mais, cientistas estão procurando modelos “não-animais” para dar mais e mais respostas. Isso não apenas vai diminuir o número de animais usados em alguns experimentos mas, mais importante para muitos, agilizará o processo de aprovação das drogas. É a esperança geral que possamos um dia substituir inteiramente os testes em animais por modelos de computador. Mas não se deve esperar isso em um período breve. Trull disse:

“Animais não são perfeitos. Eles definitivamente não são uma cópia perfeita de um ser humano, mas eles [ainda] são o mais próximo que podemos chegar sem usar um humano.”

Com certeza é possível conciliar ciência e o respeito pelos animais de forma a não prejudicar avanço da biotecnologia, que deve trazer as grandes descobertas desse século.

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2 Respostas para “ Quão eficientes são os testes em animais? ”

  1. Eu sou contra testes com animais,eu quero q tudo isso acabe,essas crueldades que fazem com os animais.Eu tenho 12 anos e vou lutar para q tudo isso acabe pois eu amo os animais!!
  2. @sthephanie
    Pequena Sthe, acho que existe testes e existem testes, assim como existem protetores de animais e existem protetores de animais. Explico…
    Já conheci (de ouvir falar) protetores de animais que são tão radicais que até não tem outros amigos a não ser que sejam outros protetores de animais e também tem alguns que são protetores conscientes, que fazem sua parte seja como advogados, promotores, ativistas, veterinários, voluntários, etc.
    Assim como existem testes realmente CRUEIS com animais e também existem aqueles testes que não oferecem um real risco aos bichinhos.

    De toda forma, o artigo ficou bem ambíguo e o próprio especialista citado diz que os testes devem ser concientes, daqueles que não trazem reais sofrimentos aos bichos. Em alguns países de primeiro mundo existe uma legislação rígida quanto a isso e vários desses bichinhos são adotados após os experimentos. Aqui infelizmente não tem nada nem próximo disso, poderia ser um bom lugar para se começar a fazer algo a respeito, né? ;)

    Fica isso como inspiração para você que quer se embrenhar na causa dos animais =]

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