[Pergunte ao Mestre] “There is no spoon”

Como ninguém nunca pergunta minha opinião nessa joça e eu sou muito enxerido mesmo, aqui vai a primeira “Pergunte ao Mestre”. Hoje vou me basear numa experiência muito interessante com um dos meus mais novos discípulos, que chamarei apenas de Luiz. Antes de mais nada, vou explicar que nosso querido amigo em questão é uma pessoa muito inteligente, imaginativa e determinada, como havia me provado anos antes através de feitos fantásticos que não vem ao caso… mas, continuando.
Meu jovem discípulo Luiz, em meio a uma conversa descontraída, começou a me confidenciar alguns objetivos que tinha na vida. Ele imaginava que fossem grandes demais e, portanto, inalcançáveis. A garota de seus sonhos, sua carreira ideal, status e dinheiro para curtir as festas que queria. Então falei que se isso era seu maior problema, estava muito fácil resolver. Ele então sabiamente perguntou “mas, como Mestre Zen?”. Eis então que eu respondi: “O verdadeiro objetivo não conhece obstáculos.” Com isso muitas pessoas devem estar familiarizadas, mas é um conceito muito amplo para compreenderem. Mesmo como ele já muito maravilhado, fiz uma referência mais “popular”: “There is no spoon” (Não existe colher, para os desprovidos de curso de inglês) Falei que ele poderia começar pelo mais fácil que seria a garota de seus sonhos, já que ele tinha alguém em mente previamente, MAS… Decidi facilitar para ele através de um simples exercício que agora passo a vocês.
Como é possível, Mestre Zen???
Mais fácil do que atingir objetivos que dependem de fatores externos, dos quais geralmente duvidamos que favoreçam a gente, propus a ele começar mudando coisas nele mesmo. Como todo bom ser humano jovem e impetuoso, ele logo começou a vomitar uma lista de coisas que gostaria de mudar, em um discurso infinito. Pacientemente esperei que terminasse e então lhe propus o seguinte exercício:
“Pegue as coisas que mais incomodam em si mesmo, as quais gostaria de mudar o mais rápido possível.”
Incialmente, o jovem Luiz deixou claro que eram quatro principais. Ele prontamente recomeçou sua avalanche de reclamações sobre si mesmo, um câncer para nossa auto-imagem, mas isso não tratarei nesse artigo. Ao terminar a tempestade de imperfeições, lhe propus o próximo passo:
“Cada item deve ser resumido em uma frase de no máximo 5 ou 6 palavras. Ex: “Sou muito nervoso.” ou “Não estudo o suficiente”.”
Ele sendo muito inteligente, não demorou mais do que poucos minutos para fazer sua curta lista de 4 frases. Nesse ponto ele já estava se empolgando, pois via que seus pensamentos estavam finalmente tomando forma, não era uma massa disforme de insatisfação, ele sabia agora identificar exatamente seus problemas. Então começou o processo mais importante e que, apesar de simples, parece invisível aos olhos humanos:
“Transforme cada uma dessas frases no seu completo oposto, colocando palavras como ‘quero’ ou ‘devo’ para começar cada frase. Ex: ‘Devo ser mais calmo’ ou ‘Quero ser mais estudioso’.”
Ele então teve um estalo e conseguiu transformar as frases em questão de segundos. Já estava entendendo parcialmente onde eu queria chegar, mas não sabia o que estava por vir. Faltava a cobertura do bolo:
“Escolha o objetivo mais fácil dos 4 (no caso).”
Ele escolheu algo que ele já sabia que era capaz de fazer, pois já tinha feito antes, mas não conseguia mais, por motivos de procrastinação, adiamento, etc. Resumindo: Tava enrolando!
“Agora estipule uma data MUITO PRECISA para alcançar esse objetivo”
No caso ele escolheu dia 30 de Junho, uma segunda-feira a tarde, desse mesmo ano. E então eu lhe ofereci a cereja do bolo.
“Na sua cabeça, você agora vai apagar todos aqueles defeitos que descreveu na sua lista anterior (ele jogou o papel fora inclusive), anotar esses quatro objetivos em algum lugar para guardar e se concentrar apenas na realização do que você escolheu, até a tarde de 30 de Junho de 2008.”
Então muito empolgado com seu - mais novo, recompensador e assustadoramente simples - objetivo de 6 palavras, ele se propôs a começar imediatamente a colocar seus planos em prática para realizá-lo. Após ver que ele estava realmente comprometido, revelei parte do segredo desse exercício. Na neurolinguística - ciência que estuda a forma como nosso cérebro processa as informações - é de conhecimento comum que o cérebro compreende melhor instruções simples, porém muito específicas, sobre o que deve executar. Portanto seus objetivos devem ser muito bem delineados. Instruções como “Quero emagrecer” ou “Quero ter dinheiro” são muito difíceis do nosso ainda limitado cérebro entender e processar. Para ser mais eficiente você deve ordenar a sua própria mente “Quero pesar X kilos até o dia 8 de Julho de 2008, as 14hs da tarde.” Todo o resto além dessa afirmativa, é mero detalhe. Não digo que será fácil, mas o mais importante em sua mente é esse objetivo simples e definitivo. Assim que tiver feito esse exercício e estiver comprometido com ele, vai entender que o “como” não é crucial, ele virá até você naturalmente, de dentro de seu próprio subconsciente. Luiz está feliz com a resposta e já cheio de resultados. O próximo… ? Por que não você?

“- Não tente entortar a colher, isso não é possível. Ao invés disso, apenas tente se dar conta da verdade: Não existe colher.
- Não existe colher?
- Então você verá, que não é a colher que entorta, é apenas você mesmo.”
Spoon boy - Matrix


Como sempre,muito inteligente.
Mesmo sem querer me ajudou em algumas coisas.
Coisas que acho que ate você sabe.
Se não sabe,me pergunte…hehe…
Bjus…
Amei!
Bju
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