Gravatar [Legalmente Loira] Conto de fadas para mulheres do século XXI

Bom meninas, pra começar essa coluna maravilhosa dedicada a nós, seres mais belos e desenvolvidos desse planeta chamado Terra, eu resolvi fazer uma análise da mulher contemporânea comparada a de épocas passadas usando como base os contos de fada.
Segundo Catherine Orenstein, grande intelectual feminista, nosso sentido de identidade social e cultural vem permeado nos contos de fadas, um dos gêneros literários mais poderosos de socialização. “Eles tentam nos mostrar o certo e o errado”, afirma ela. Por esse motivo, modificam-se no decorrer dos séculos, evidenciando de que forma as verdades humanas mudam.
É claro que todas nós conhecemos os contos de fadas tradicionais. Uma jovem garota vestida em andrajos e forçada a trabalhar de empregada por sua malvada madrasta; um baile; um príncipe encantado; uma fada madrinha. É isso mesmo, adivinhou. Estamos falando da Cinderela ou Gata Borralheira, como queiram. A versão de Perrault é a mais conhecida, nesta a passividade de gata Borralheira é evidente. A protagonista é o modelo da boa moça resignada, cheia de pudor, que não impõe sua vontade. O arquétipo feminino da fragilidade chega ao extremo aqui. Sendo servil à madrasta e às irmãs, ela é sempre eficiente e medrosa, o que se espera de uma menina bem criada e educada. O modelo de comportamento apregoado é o da dona de casa submissa às situações nefastas que a vida impõe. Borralheira não tem amigos, apenas os animais domésticos são seus companheiros, sua vida social é nula, relaciona-se apenas com a madrasta e as irmãs (família). É a velha história de submissão e inatividade, da espera por “ele”, o tão sonhado príncipe que irá salvar a mocinha da escravidão e transporta-la a um mundo de sonhos onde viverão “felizes para todo o sempre”.
E a tal da branca de neve? Na versão originalmente criada pelos irmãos Grimm a história já começa mal. A princesa vestida de trapos, explorada pela megera da madrasta (tal como sua amiga a Cinderela) e passiva a essa situação é então expulsa de casa devido a disputa de um homem símbolo. O amor do homem em questão não é mencionado explicitamente, a luta aparentemente é para saber quem é a mais bela ( que senhora mais vazia de auto-estima!) Mas no fim das contas, “ele”, o tal do príncipe é a causa do rebuliço no começo da história. Ao longo da trama a mocinha encontra refúgio na casa dos anões na floresta. Lá ela cuidava da casa, lavava, cozinhava para os homenzinhos que a abrigaram, o que remete novamente ao lugar da mulher na sociedade da época, servindo em total resignação.Continuando, a madrasta tenta matar a mocinha com uma maçã envenenada. Não é segredo que tal fruta faz parte do imaginário coletivo como símbolo do desejo, da paixão, mas também da perdição. A jovem se deixa levar por seus impulsos e, num misto de ingenuidade e cobiça, cai em tentação e é castigada, claro! A mensagem é: nunca ceder aos desejos, ser recata é o correto. E no final quem a salva da perdição? O príncipe! Com um beijo ele a liberta da desgraçada ocasionada pelo seu pecado, e todos os problemas da moça agora estão resolvidos.
E aquela história da menina, do lobo, do encontro na floresta? Conto conhecido pelo nome de “a chapeuzinho vermelho” e originalmente escrito por Perrault. No fim do conto, a menina é comida pelo lobo, sem salvação nem redenção. A perda da virgindade encontra sinônimo na expressão popular da época do autor, a idéia “ela viu o lobo”, que foi também incorporada na arte e na cultura dos últimos séculos com a mesma conotação sexual. Perrault escreveu a história com fins didáticos, para alertar as jovens virgens e mesmo as não-tão-virgens que brilhavam na corte do Rei Sol (referência à corte de Luís XIV) do perigo que as rondava, da necessidade de se manterem recatadas, do contrário a curiosidade as arruinariam. As alegorias de seus contos representam as preocupações políticas e sexuais da França no século XVII. Vestir sua heroína com um capuz vermelho - a cor das prostitutas, do escândalo e do sangue - simboliza o pecado da menina e a previsão de seu destino. Ou seja, uma forma subjetiva de ameaça, afinal as mulheres não poderiam decidir por si mesmas o que fazer com o próprio corpo.
Há ainda vários outros. Tem a bela adormecida que é levada pelas circunstâncias durante toda a história, protegida do mal por todos sem nunca “tomar as rédeas” da situação e só se livra dos perigos do mundo quando o jovem príncipe a beija resolvendo, assim, todos os problemas dela. Tem aquela princesa que só é feliz pra sempre quando beija o sapo que se transforma em príncipe. Enfim, os contos de fadas clássicos sempre tratam de uma mulher frágil, que não pode ceder aos impulsos e tentações, recatada e que nunca luta pra mudar sozinha a situação em que vive, acreditando que as coisas só serão melhores quando encontrar o seu grande amor, aquele homem perfeito, doce e forte com seu cavalo branco
Essas histórias evidenciam a mulher do século XVII, cuja realidade é bem distante da nossa. Apesar disso, ouvimos essas mentirinhas quando crianças e durante muito tempo acreditamos que a nossa vida será como a daquelas princesas, que estaremos seguras quando o “príncipe encantado” chegar, que ele não terá defeitos, que viveremos felizes para sempre. Mas, aí a gente cresce e vê que o príncipe virou sapo, e não adianta sair beijando sapo por aí, nenhum vai virar príncipe. Percebemos que a vida não se resume a procurar um grande amor, porque há muito mais no mundo do que isso. Entendemos que não precisamos ter um homem do nosso lado pra nos sentirmos seguras, nós podemos nos proteger do mundo, nós podemos nos sustentar, nós podemos nos mimar. Não precisamos de cavalo branco não, nós “suamos a camisa” e compramos sozinhas nosso 1.0. Podemos ceder a todas as tentações sem culpa, porque temos força para lidar com qualquer conseqüência.
Ser mulher é um privilégio e quando descobrimos o poder que temos não há nada no mundo que não esteja a nosso alcance. Podemos ser e fazer o que quisermos. Hoje nossa realidade não é mais uma cozinha suja, é um mar de oportunidades e prazeres. Hoje só obedecemos às nossas próprias vontades, que são muitas!E ao invés de sermos escolhidas, nós podemos escolher aquilo e aquele que nos fará feliz.
Pra terminar, escolhi um texto que retrata muito bem a nossa realidade, chama-se “Conto de fadas para mulheres do século XXI” escrito por Luis Fernando Veríssimo:
Era uma vez, numa terra muito distante, uma linda princesa, independente e cheia de auto-estima que, enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo estava
de acordo com as conformidades ecológicas, se deparou com uma rã.
Então, a rã pulou para o seu colo e disse:
- Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. Uma bruxa má lançou-me um encanto e eu transformei-me nesta rã asquerosa. Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir lar feliz no teu lindo castelo. A minha mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavarias as minhas roupas, criarias os nossos filhos e viveríamos felizes para sempre…
Naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria e pensava:
Nem morta!
Beijinhos glamourosos pra todas.

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5 Respostas para “ [Legalmente Loira] Conto de fadas para mulheres do século XXI ”

  1. hauahuah, bjinhos glamurosos tá fazendo maior sucesso, sabia ? kkkkkk

    adorei a primeira coluna, ficou show, mas eu sou suspeito pra falar né ?

  2. AMOR…ADOREI A SUA COLUNA!!
    COM CTZ VC É UMA MULHER NOTA 1000
    BJOS!
  3. Oiii princesa…Parabens por sua coluna,gostei muito!!!
    E como disse o amigo que comentou acima:vc é 1000…..
    Te adoro
    Bjaoooooooooooooooo
  4. Prima, tenho maior orgulho d ter vc como prima, carambaaa ta d parabens linda como sempre se superando em td. T amooo primaaa e o primo ai tbm hehe
    Bjuxxx
  5. Babi

    Adorei sua coluna parabens

    Papi

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