19 de fevereiro de 2010 às 9:00

Idas e Vindas do Amor [Crítica]

“Amor jovem: cheio de promessas, cheio de esperanças e ignorante da realidade…”

Hollywood também ignora totalmente a realidade. Em um filme que ignora todas as leis do bom senso, romantismo se saiu extraordinariamente bem nas bilheterias gringas e promete fazer sucesso por aqui. Talvez não o mesmo tanto, pois não foi lançado em uma data tão estratégica… o nome original do filme seria Dia dos Namorados, que foi dia 12 de Fevereiro nos States. Seguindo essa ótima jogada de marketing e um elenco que briga por seus 5 minutos em cena, a história é frívola, mas aquece os corações apaixonados enquanto joga os solteiros na vala.

Idas e Vindas do Amor conta a história de diversas pessoas de Los Angeles ao longo do Dia dos Namorados e como entre “idas e vindas” (HÁ!) eles descobrem o valor do verdadeiro amor e a importância da data.

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Sim, é só isso. Podem voltar para casa agora… Uma das boas coisas do filme foi o fato do diretor Gary Marshall ser especialista em comédias românticas do estilo “feel good” e já trabalhou com praticamente boa parte do elenco em algum ponto da carreira. Talvez ele seria realmente o mais indicado para registrar cinematograficamente um dia tão romântico e especial para os pombinhos apaixonados. Suas escolhas, mesmo que óbvias, para caracterizção, figurino, fotografia e até trilha sonora, são realmente tão óbvias quanto o clima de Dia dos Namorados. Não se pode dizer que ele não cumpriu o papel.

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Em questão de atuação fica difícil avaliar quando a maioria das atuações não duraram mais do que 10 minutos de cena no total. São flashs de trocentos personagens que realmente não dão muita profundidade e tempo de construção, mas se fosse um curta metragem… vamos ver. Ashton Kutcher não convenceria sua vovozinha cega de que está atuando nem se sua vida dependesse disso. Tirando a pior atuação do filme do caminho, tenho que dar o braço a torcer para Julia Roberts e Bradley Cooper por terem feito ótimos papéis, mas eles tiveram sorte pois tiveram os melhores persoangens e os melhores desfechos, apesar de terem tido o menor tempo em cena provavelmente. Isso sim é talento. Sua sobrinha Emma Roberts por enquanto é mais promessa do que tudo, já que não teve um papel favorável. Mas o prêmio de “tirar leite de pedra” vai para Anne Hathaway que simplesmente convence como a frágil, porém independente, Liz. As melhores risadas do filme definitivamente ficam por conta de Queen Latifah como agente de um atleta. Melhor comediante em uma galeria de comediantes, algo a se louvar.

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O filme é em grande parte óbvio e simples como quase toda comédia romântica. O seu maior defeito talvez seja também seu maior triunfo. Enaltece o quanto é importante ter um parceiro/relacionamento/etc. enquanto joga a vida independente a segundo plano. De acordo com o filme, se você não tem um namorado, esposa, ou similares, não é absolutamente ninguém no planeta. Deus me livre de divorciar então, hein? Basicamente o filme é uma tacada de mestre para lançamento em 12 de Fevereiro, data específica para isso nos States e público alvo bem claro: casais que vão ao cinema. Em uma ótima jogada de marketing, descolaram um dos elencos multi-estelares mais bem montados da história em questão a cultura pop americana e o esforço parece que rendeu bem, já que a “continuação” New Year’s Eve (algo como Reveillón) já está engatilhada.

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Em questão de história? Para que história? Você tem 20 dos atores e atrizes mais cobiçados de Hollywood em pouco menos de duas horas de histórias desconexas e piegas. O que interessa é, se você tem uma cocotinha ou um rapazote para levar ao cinema, essa é sua escolha do fim de semana. Se quiser refletir sobre relacionamentos de verdade, assista Amor Sem Escalas, ou pelo menos Zumbilândia. Vão tocar mais profundamente na questão humana. ;]

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