Guerra ao Terror [Crítica]


“…A Guerra é uma droga.”
Não, essa referência não é no sentido de ser uma coisa chata. Como a muito tempo não se via com dignidade e ótima fotografia, a guerra é tratada do seu ponto de vista mais humano, o lado destruidor de almas e o lado viciante, andando em conjunto. Lado a lado somos jogados por perspectivas diferentes de um mesmo evento, um mesmo personagem, uma mesma história. Mesmo assim todo o “buzz” em torno do filme e a sua indicação ao Oscar podem ser exagerados, mas por um bom motivo.
Guerra ao Terror segue os últimos 37 dias da Companhia Bravo e o Comandante das Forcas Especiais William James em sua missão quase diária de desarmar bombas e combater insurgentes, antes de poderem voltar para casa. Um período relativamente curto, se não fosse por tantas ocorrências que transformassem esse fim de jornada em um verdadeiro inferno. Forçados a jogar um perigoso jogo de gato-e-rato nessa guerra, o esquadrão de elite anti-bomba tem que se unir para sobreviver onde cada pessoa é um inimigo em potencial e cada objeto pode ser uma bomba letal.
Se essa premissa já não te deixa tenso, a fotografia, ritmo e todo trabalhdo de direção de Kathryn Bigelow vai fazer o resto do serviço. Com maestria e até o uso bem regrado da câmera lenta, ela é capaz de lhe transportar para a agonia da guerra. Esta guerra, diferente de outras, é marcada pela impaciência, tensão e, principalmente, terror dos soldados que estão ameaçados 24 horas do dia. Ela consegue não apenas uma boa direção de elenco, misturando monstros sagrados do cinema com atores desconhecidos e alguns veteranos poucos reconhecidos em Hollywood. Tudo isso bem regrado através de um trabalho de edição e fotografia. Edição que talvez pudesse ter dado um ritmo um pouco mais enxuto, mas que não custa mais do que meia nota para a película.
Como um ator tão fodáximo como Jeremy Renner pode ter sido tão pouco explorado até hoje. Relegado a bandido em filmes de ação, ou até pontas em filmes como Extermínio 2, Renner mostra que realmente tem muita força e potencial em um papel dramático que realmente merece reconhecimento. Os outros atores apenas o acompanham. Também não se iludam pelos nomes graúdos no elenco como Guy Pearce, Ralph Fiennes, David Morse e Evangeline Lilly. Todas essas participações são curtíssimas e apenas para dar movimento a história. Talvez o segundo “ator” em comando seja o totalmente desconhecido Brian Geraghty, no papel do Especialista Owen Eldridge. Todo elenco de apoio também está de parabéns.
Partes técnicas a parte, o que realmente pega no filme é o drama da Guerra no Iraque. Principalmente o conflito urbano centrado em Bagdá. Infelizmente, guerras por guerras, já vimos atrocidades muito maiores e muito mais tensas nas telonas do que as mostradas em Guerra ao Terror, o que já trás uma platéia desensibilizada. A resposta do público em geral por aqui é “Era só isso?”. Tanto de espectadores, quanto de alguns amigos, obtive essa mesma indagação. Talvez para o público americano isso seja algo muito mais tocante e perturbador, já que são seus parentes e amigos que estão vivendo o que esses personagens vivem. E esse tipo de emoção não se passa nem mesmo com a fantástica fotografia da diretora Bigelow.
Exageros foram cometidos pela crítica americana, até a ponto de cometerem o sacrilégio de chamar esse filme de o Apocalypse Now de nossa geração. Tem que comer muito arroz com feijão para chegar aos pés de Francis Ford Coppola em parceiria com Martin Sheen e Marlon Brandon. Não insultem a história do cinema também, né? Mesmo com todo esse apoio da crítica e indicações para o Oscar, Guerra ao Terror sofreu de um problema seríssimo: Péssima distribuição e o No Hype. O filme teve péssima divulgação e a distribuição foi quase cômica. Para se ter uma idéia, ele é de 2008, foi lançado gradativamente até 2009 e aqui no Brasil chegou nas locadoras no segundo semestre de 2009 antes de ir para os cinemas só agora em 2010. Risível. Isso prejudicou muito o filme, que até 1 ou 2 meses atrás as pessoas se indagavam: Que filme é esse de “Guerra ao Terror”? Já que não tinha nada demais sobre ele até ser indicado em vários prêmios.
Mesmo com todos esses contra-tempos, vale muito a pena prestigiar o filme nos cinemas, ou talvez alugar em uma locadora por aí. Guerra ao Terror passa a inconstante visão entre a forma como o conflito destrói o espírito humano e ao mesmo tempo deixa um vazio preenchido apenas pela adrenalina gerada por esse próprio conflito, muito bem colocada como uma droga que define aquele que a experimenta, na cena em que William James tem que escolher seus cereais, talvez a mais genial de todo o filme. Quem assistir, verá. Assistam.








Mesmo com todos estes elogios, além de ser indicado ao Oscar. Não me animo ao ver o filme.
esse filme é muito bom. eu ja aluguei e posso comfirma.
Eu tô muito a fim de assistir ,mas queria ver no cinema será que com a vitória no Oscar dessa noite tem alguma chance do filme ir pra circuito mundial , ou pelo menos, nacional , nos cinemas ??
Boa crítica, mas como vc mesmo disse sabiamente, é um filme inerente ao American Way of Make War, nem todos tem a condição (por não vivenciarem a realidade) de interpretá-lo.
PS: não sei se estou viajando, mas no texto vc não quis dizer RITMO, ao invés de ritimo?
Não, você não tá viajando. Eu escrevi errado mesmo. Valeu
Até que enfim assisti The Hurt Locker que significa mais ou menos abrigo antibomba(ninguém merece a tradução Guerra ao Terror).Primeira impressão: É um documentário? Bem, a direção, a fotografia, a edição, o roteiro, o som sao primorosos. Amei as cenas de slow motion, aquela cena que praticamene abre o filme, a primeira explosão é linda. Gostei muito do ritmo, que ao contrário dos filmes de ação não acelerou desnecessariamente (acho que tenho uma queda por filmes um tanto arrastados).