Força Policial [Crítica]
Pride and Glory

“A maioria respeita o distintivo. Todos respeitam a arma…” Ué, mas isso não é de outro filme?
Sim, a citação é de Duas Faces da Lei, mas explica muito melhor o sentimento que os policiais – em qualquer parte do mundo, diria eu – enfrentam diariamente ao combater o crime. Claro que isso nos joga naquele velho dilema de quão bandidos eles acabam tendo que se tornar para combater os criminosos e quando isso tem um limite sem volta para os honestos, ou os nem tanto. Sobre tudo isso, em um ambiente bem “família” é que se trata esse meio drama e meio suspense.
Em Força Policial, somos apresentados ao detetive Ray Tierny (Edward Norton) e sua família. Descendente de um importante e poderoso policial (Jon Voight) que lidera uma verdadeira dinastia da lei, desde seu irmão mais velho e chefe de polícia Francis Tierny (Noah Emmerich) até seu cunhado Jimmy (Colin Farrell) são todos policiais. É em meio a esse ambiente familiar que eles presenciam a morte de quatro policiais em uma noite e a investigação que prossegue. Qual não é a supresa para Ray, que está investigando o caso, ao descobrir o envolvimento de seu cunhado em um possível escândalo de corrupação na polícia que pode acabar não apenas com a reputação do Departamento, mas também com todo o legado da família Tierny.
O relativamente novato Gavin O’Connor tem bastante a aprender, principalmente na ritmicidade da história. Apesar do roteiro ser concreto e a história bem amarrada, também teve voltas e reviravoltas excessivas até chegar no ponto que importa. É aquele velho erro, em que querendo mostrar tudo, acaba prolongando demais e aquele filme que poderia ser tenso e dramático pode acabar um pouquinho arrastado. Mesmo assim, a forma como é demonstrada as emoções e conflitos dos policiais na película ficou ótima. Aí eu entro no mérito do elenco. Edward Norton sempre dispensou apresentações, não ia fazer burrada dessa vez, né? Já Colin Farrell, não sei porque, mas sempre me convence como bandido, ou pelo menos uma pessoa de métodos questionáveis. Foi assim desde Demolidor, Swat e aqueles filmes menores em que ele representava o “escroto” da história. Ele convence como canalha.
John Voight é um ótimo pai. Acho que ele nasceu para o papel e se encontrou nele. Começou gerando Angelina Jolie e desde então só deu dentro no papel de papito. Quem recebeu uma verdadeira condecoração foi o ator Noah Emmerich pelo seu papel de chefe de distrito, irmão de Ray AND marido de uma esposa com cãncer terminal. Ele passou bem seu sofrimento e não transformou o personagem em um clichê ambulante. Também é legal mencionar a aparição especial de Rick Gonzalez, o Ben da série Reaper. E ainda pagando de “el fodon” dos traficantes. Maravilhoso
Com um elenco desses, deu uma boa amenizada na história, que só começa para valer a ficar interessante a partir do ponto que pega a primeira cena do filme, na verdade parte da metade da película. Um filme de duas horas e 10 que poderia ter facilmente 1 hora e meia no máximo. Erro de direção na edição? Roteiro? Não dá para saber, mas a história poderia ser realmente fantástica se contada em uma passada mais envolvente. Porrada daqui, porrada dali, mentira acolá. O filme se perdeu um pouco. Isso não significa que a história não seja ótima. A forma como conta os sofrimentos e angústias dos policiais que enfrentam o pior do pior, com pressões em família, problemas pessoais, péssimos salários – é, não é só aqui não – toda aquelas porcarias que ouvimos falar, mexem com a cabeça de qualquer cidadão.
Então o que você está dizendo? Eu digo para não perderem muito tempo no cinema com esse filme porque pode ser bem cansativo e talvez saiam insatisfeitos e com a bunda dolorida, mas que realmente vale muito a pena conferir quando estiver no conforto do seu lar, assim que sair nas locadoras.
Aquele jeito meio “Austrália” de ser, né? Então “aprecie com moderação” e não vá correndo para o cinema ainda.








Muito ruim.. pior do ano
Nem tanto né?