31 de julho de 2008 às 16:04

Existe um gene da preguiça?

PregadaçoJá ficou se perguntando porque diabos é tão difícil as vezes levantar do sofá para pegar aquela coisa que precisa. Ou mesmo conseguir sair de casa para fazer um exercício é quase tão complicado quanto cortar o próprio braço fora. Então, agora você vai descobrir que EXISTE um gene da preguiça.

Baseado em estudos preliminares em animais, J.Timoty Lightfoot (isso parece nome de Star Wars ou não parece?) e sua equipe na Universidade da Carolina do Norte, em Charlotte, sugere que a genética pode predispor alguns de nós a preguiça. Usando camundongos especialmente criados e selecionados de acordo com seus níveis de atividade, Lightfoot identificou 20 diferentes traços genéticos que funcionam como adestradores dos níveis de atividade dos camundongos – especificamente, quanto os animais conseguem correr. Os pesquisadores dizem que podem ter áreas parecidas no genoma humano. A universidade pretende conduzir um estudo similar em homens e mulheres.

“Nós adiantamos um mapa genético bastante completo de áreas que estão associadas com a regulação da atividade física.”

mouse_exerciseNo seu último estudo, Lightfoot e sua equipe criaram duas linhagens de camundongos, ativos e inativos. Então os pesquisadores cruzaram essas duas gerações criando um grupo de 310 crias mistas. Com 9 semanas de idade, cada rato foi colocado em sua gaiola individual e dado uma rodinha de exercício. Eles mediram quão longe, quão rápido e quanto tempo os animais corriam todo dia por três semanas. Ao final de cada semana os camundongos tinha seu genoma mapeado.

Enquanto alguns dos pequeninos corriam o que para humanos seria o equivalente a dezenas e dezenas de quilômetros – alguns até a noite toda – os sedentários bolaram maneiras interessantes de evitar exercício. Alguns transformaram a rodinha em cama, jogando palha sobre ela, outros usaram como “banheiro” e alguns até subiram por cima dela para analisar os sensores da rodinha. Fizeram de tudo menos exercício.

Apesar dos níveis de atividade não serem atribuídos totalmente aos genes, descobriu-se que em mais de 75% dos mais ativos os genes que promovem exercício eram dominantes. Basicamente o gene não determina sem alguém vai ser ativo ou não, mas cria uma certa “vontade” a mais para fazer as coisas. Não se sabe como essa “vontade” age sobre o organismo, mas Lightfoot tem duas teorias: os genes podem mudar a forma como os músculos trabalham – talvez fazendo com que processem a energia mais eficazmente e previnindo a fadiga – ou algum circuito bioquímico no cérebro, como os níveis de dopamina ou serotonina. Estão estudando o tecido muscular dos camundongos, mas não encontraram diferenças em suas funções. Então os pesquisadores estão chutando que a vontade de fazer exercício é pelo menos parcialmente influenciada pela química cerebral.

training_dayEles esperam um dia criar alguma droga que crie a vontade de fazer exercício, ou pelo menos ajude nisso. Eu pessoalmente sou o primeiro na fila de testes =D

E você? Precisa de uma ajudinha pra mexer o corpo ou está sempre ligado no modo 330 volts? O que acha de um possível remédio para ajudar a ter vontade de malhar?

Ciência