[M&M] Era uma vez…
Minha vida sempre pareceu permeada pelo “era uma vez”. Ontem fui ajudar minha mãe a escolher um colchão novo e comecei a papear com as vendedoras. Sim eu falo pelos cotovelos.
E começamos a falar de homens. Claro. Junta um monte de mulher… e colchões.. PRATICAMENTE uma festa do pijama.
Sei que em algum momento uma delas falou “nossa! Mas você é muito nova para ter tantas histórias loucas assim”.
Pois é… Minha vida realmente parece um conto de fadas. Não sei se sou “eu” que faço opções estranhas ou se é alguma aura cósmica que me persegue, mas é fato… Nada nunca é muito fácil ou muito direto no meu trajeto.
As vezes é até exagerado.
Um dia estava eu esperando um amigo sentada na frente do MASP e lá veio um poeta falar comigo. Seu nome é Luiz, Luiz Antonio. Poeta independente. Meio velho e cabeludo. Perdido nos anos 70.
Veio me pedir ajuda para lançar um livro, então resolvi tomar as dores do meu colega nas artes e dei a ele todos os trocados que tinha na bolsa. Pois bem ele partiu para angariar mais fundos… E eu fiquei sentada no mesmo lugar.
Dois minutos depois um gringo vem falar comigo. Era um Morman americano. Sim, ele veio tentar me catequizar. Enfim comecei a conversar em inglês no meio da paulista com o tal do morman e 5 minutos depois estou rodeada de outros mormans, que aparentemente acharam eu saber falar inglês algo mágico.
Uma conversa bem regada a “Jesus cristo te salvará”, mas… Tudo bem. Foi interessante… E partiram para catequizar outras pessoas… Eu ainda no mesmo lugar.
E lá vem um mímico. Me estende a mão com uma flor e eu respondo “dei todo meu dinheiro para o poeta! Desculpa”

Pois bem… Eu estava sentada no museu de arte moderna falando a um mímico que havia dado meu dinheiro ao poeta… Enfim… Ainda assim ele me estendeu a flor com um grande sorriso no rosto.
Meu amigo ligou. Eu então atravessei a rua. Cruzei com o poeta que me felicitou. E ao chegar do outro lado vejo um cara gatinho (sem camisa!) andando de bicicleta… Passou por mim… Parou a bicicleta… Desceu…
“Ow! Você é muito linda!”
Subiu na bike e partiu.
Tudo na minha vida parece um conto de fadas. Todos os romances. Todas as conclusões. Tudo me parece feito do mesmo sonho bêbado de Lewis Carroll. Sinto viver constantemente presa dentro do meu próprio autismo… Onde coisas bizarras acontecem. E acreditem, realmente coisas muito bizarras passam pela minha cabeça.
Era uma vez, entre nada e lugar nenhum, uma garotinha baixinha de cabelos longos. Perdeu-se na floresta ao voltar para casa… Mas pelo caminho encontrou um poeta, um homem bom e um mímico que a ajudaram a passar o tempo. Deu ainda de cara com o príncipe encantado no cavalo branco de duas rodas… Mas preferiu voltar para casa, pois já havia encontrado um caipira que tocava bandolim montado numa tartaruga.
E essa menina… Ainda que presa em seu mundo autista, na maior parte das vezes… É feliz.








