16 de outubro de 2009 às 13:00

Distrito 9 [Crítica]

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Humanos não merecem o título de humanos

Peter Jackson sempre tentou nos tocar com as histórias e filmes que nos contou através de fantasias, mitos e afins, mas nada que ele dirigiu conseguiu ser tão tocante quanto sua última produção. Uma história intrigante, no mínimo peculiar – para não dizer bizarra – e com um pano de fundo inusitadamente familiar, segregação racial, nos leva a olhar para nós mesmos e como tratamos nossos semelhantes. Nem em mil anos esperava por uma história assim.

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A humanidade esperava por um ataque hostil ou por gigantes avanços tecnológicos, nada disso veio. Os alienígenas chegam à Terra como refugiados e se instalam em uma área da África do Sul, o Distrito 9, enquanto os humanos decidem o que fazer com eles. A Multi-National United (MNU) é uma empresa contratada para controlar os alienígenas e mantê-los em campos de concentração e deseja receber imensos lucros para fabricar armas que tenham como “matéria-prima” as defesas naturais dos extraterrestres. Mas a MNU falha na tentativa de fabricação das armas e descobre que para que elas sejam ativadas, o DNA dos aliens é necessário. Depois de 20 anos de ocupação, a tensão entre humanos e aliens aumenta quando Wikus van der Merwe é contaminado por um misterioso vírus que modifica seu DNA e permite a poderosa MNU colocar em prática seus planos de exploração sobre as criaturas de outro planeta. Então o homem que se torna o mais procurado do mundo, tem que fugir. Sem casa e sem amigos, só tem um lugar onde se esconder: Distrito 9.

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O diretor Neill Blomkamp escolheu uma perigosa, mas muito bem sucedida, linha de filmagem para um filme de ficção. Ele mistura cenas que incialmente parecem um documentário, junto com imagens de circuitos internos, misturados a comentários de “especialistas” associado a imagens do filme em si. A idéia deu mais que certo e você por alguns momentos acredita estar imerso em um mundo real. Nem precisa dizer o quanto é complexo dar realismo a um mundo onde alienígenas vivem em favelas por 20 anos. Sem falar na maravilhosa concepção visual e a bela música do filme. Ele também assina a mais que estranha história e só por fazer algo no mínimo criativo – de certa forma – já ganha muitos e mutios pontos. A única infelicidade são alguns erros na trama, sendo o principal o motivo pelo qual os alienígenas aterrisaram, que está envolvido com o final do filme, o qual não posso comentar para não gerar spoilers, mas vocês devem entender se forem minimamente espertinhos. ;]

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Sharlto Copley como Wikus van der Merwe ficou simplesmente fantástico. Se não acompanham o hype do filme aqui pelo blog não vão entender, mas o ator não tem absolutamente nada relacionado com o personagem. Do sotaque, ao tom de voz, ao jeito de agir, até mesmo o visual… nada é parecido com Shalto. Transformação completa. Entre os outros, não tem muito mais atuação. Alguns atores desconhecidos, vários deles são fracos na verdade, mas com pequena participação. Fica nas mãos de Copley mover a história, sul-africano genuíno que pela sua boa estréia já ganhou papel em Esquadrão Classe A. Merecido, diga-se de passagem. A idéia de Blomkamp de usar atores desconhecidos também foi muito boa por sinal. Mesmo com uma atuação talvez não tão perfeita, dá um ar de veracidade, pois você não está vendo Nicholas Cage ou Brad Pitt desesperado com coisas alienígenas, são pessoas “de verdade” que você nunca viu.

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Acho difícil falar mais do que está na resenha sem dar spoilers, mas a mensagem que o filme trás é com certeza chocante e ao mesmo tempo muito atual. Blomkamp utilizou uma raça alienígena para expor um problema muito comum até os dias de hoje, o racismo. Sim, podemos até começar a nos sentir um pouco racistas quando vemos que criaturas com aparência insectóide, de hábitos nojentos e uma tendência a causar confusão está ao nosso lado, mas então pensamos… “Peraí, todo contato com uma nova cultura não é assim?”. Sem o lance “insectóide”, mas toda cultura nova que encontramos tem hábitos estranhos, muitos repuslsivos a nossa cultura e isso geralmente traz problemas. O mais incrível é que vemos que isso poderia facilmente se repetir nos dias de hoje, caso encontrássemos outra raça, ou mesmo humanos como nós, só que um pouquinho diferentes.

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A forma clara que o filme nos traz de que odiamos as diferenças chega a ser assustadora. É verdadeiro ódio que nutrimos por tudo aquilo que não nos identificamos e o personagem Wikus passa por uma jornada ao ver que, tirando a biologia, todo ser capaz de amar, cuidar, significar algo para outro é tão valioso quanto qualquer pessoa que conhecemos. A mensagem e a reflexão de Distrito 9 é muito profunda, indo muito além disso. Por isso e pelo excessivo “gore” de cabeças, membros, corpos despedaçados, mutilação, violência e outras atitudes – muito presentes no dia de hoje – o filme é apenas para maiores de 18 anos. Realmente, nem recomendo levar os mais novos mesmo, pois podem não entender a mensagem AND saírem traumatizados de alguma forma.

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Agora, recomendamos fortemente Distrito 9 como uma das melhores ficções do ano, ao lado dos clássicos que vocês já devem ter visto. Com certeza o melhor filme desse fim de semana, provavelmente do mês. Se não gostou, assista de novo e procure a mensagem nele, você provavelmente vai se surpreender com os “pequenos detalhes”.

Crítica