6 de julho de 2008 às 18:10

Hancock [Review]

Hancock

“Existem Heróis… Existem super-heróis… E existe Hancock.”

Já pensou como seria misturar Super-homem, Jack Sparrow e Wolverine? Pois então, eu sugiro que procure esses três personagens no Google e depois vá assistir Hancock. O filme tem uma premissa ao mesmo tempo inusitada e batida. Batida porque estamos na era dos filmes de super-heróis “Begins”. O primeiro filme conta as origens e depois lá vem sequência com o quebra-pau mesmo. Inusitada porque Hancock é exatamente como diz a tag line do poster: Não é um herói, não é um super-herói, é somente Hancock. Ele tem sua categoria própria de ser, não se enquadra em nada que você já tenha visto.

Ressaca braba... quase todo mundo já teve uma dessas

Basicamente a história é a seguinte. Hancock, interpretado pelo já consagrado Will Smith, é um “super-herói” vagabundo, alcolatra, irresponsável e de pavio curtíssimo. Ele não quer agradar ninguém e o público não é muito fã dele também. Em um de seus “salvamentos”, ele acaba poupando a vida de Ray Embrey (interpretado pelo genialíssimo Jason Bateman), um relações públicas que decide retribuir o favor ajudando ele com sua “aceitação pública”. Ele acolhe Hancock junto a sua família e sua esposa Mary (a perfeitíssima Charlize Theron) e ao se conhecer cada personagem é que vemos as nuances mais sutis da história.

Peter Berg tem feito cada vez melhor como diretor (Colateral, A Última Cartada, O Reino) e esse ao meu ver foi seu ponto mais alto. Os roteiristas Vincent Ngo e Vince Gilligan nem se fala. O que eles conseguiram em questão de personagens, reviravoltas na história, surpresas e tudo mais, não é fácil. Em meio a uma crise de criatividade em Hollywood, estamos diante de algo bem original, com certeza. Will Smith dispensa comentários, ele é uma marca de qualidade em qualquer de seus últimos papéis. Jason Bateman nos traz um humor sutil, inteligente e carrega algumas das mensagens mais importantes do filme. Ele é o insignificante e frustrado relações públicas que quer mudar o mundo, uma pessoa de cada vez. Charlize Theron não só é ótima atriz, como é gostosa seja bancando a MILF da vez ou em meio a cenas de ação.  Esses três atores, seus personagens e as viradas na hitória nos fazem refletir sobre muitas coisas, desde nossa mortalidade até aspectos sociais que damos como corriqueiros. Dentre todos os outros aspectos, fiquei mais do que satisfeito com a trilha sonora, que conta com blues a rock, passando por hip hop e outros estilos. Respeitaram muito a black music e acredito que deve ter dedo do velho Will nessa. Apesar de Peter Berg ser um “branquelo” que sempre foi fã da cultura negra americana.

Ninguém quer ser herói, muito menos ser um Hancock

Ao contrário de todos os heróis, NINGUÉM quer ser Hancock, nem ele mesmo. Estamos falando de um cara que provavelmente prefere um chute no saco do que dizer um “obrigado” ou fazer um elogio. =D A história na verdade não fala sobre super-poderes, sobre tramas de destruição mundial ou nem mesmo sobre como ser “do bem”, pelo contrário. Tudo gira em torno de discussões como livre-arbítrio, mortalidade, sentimento de aceitação, a importância da ética, ser ou não ser pró-ativo e principalmente sobre como a humanidade pode ser uma porcaria, mas gostamos de ser parte dessa porcaria. Queremos ser parte dessa porcaria. No final, não interessa onde você está, o que passou, de onde veio e nem o quanto diz o contrário… ninguém quer estar sozinho. Então chama seus amigos, ou leva a namorada, ou seus pais, primos, tios, vizinho, qualquer um e vá junto com bastante gente dar muita risada e dar valor a sua vida.

Crítica