7 de março de 2010 às 18:40

Coração Louco [Crítica]

No coração louco da música country

Ao contrário do meu desgosto com a música sertaneja, tenho preferência descarada pela country music como representação folclórica de um povo interiorano. Talvez porque me remeta a meus gêneros musicais favoritos como blues, rock, jazz, etc. Em atuações fantástiscas, uma direção de tirar o chapéu e uma trilha sonora mais do que tocante, o filme aborda como uma pessoa deve lidar com as consequências de suas escolhas de forma tocante, séria e nada sutil.

Coração Louco conta a história de Bad Blake, um cantor de música country tradicional envolvido no alcoolismo e uma carreira decadente. Ele encontra a jornalista de uma cidade do interior, Jean Craddock, pela qual se apaixona. Infelizmente ele deve encarar seu passado conturbado, seus problemas atuais e rever toda sua vida enquanto tenta salvar um romance fadado ao fracasso.

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A premissa em si já cheira a música country e o diretor Scott Cooper com certeza soube captar a essência do gênero não só através de um filme extremamente musicado, sem ser um musical, com o toque tênue entre o glamour e a desgraça que representa a música country. Na verdade, o country serve como pano de fundo diretorial para expressar as emoções dos personagens, principalmente Bad Blake. Com bela fotografia das rodovias americanas e direção bem tradicional, ele diz muita coisa sem realmente usar as linhas do roteiro, escrito pelo próprio. Uma das grandes vantagens de ser roteirista e diretor é que a história flui e fala por si entre imagens, belíssima música country tradicional e bons argumentos.

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Jeff Bridges com certeza tem bons motivos para ter sido tão premiado em seu papel de Bad Blake. Seus olhinhos miúdos, que seriam um grande empecilho para transparecer as emoções, na verdade não o impediram de construir um dos personagens masculinos mais humanos dos últimos tempos. Ele não é perfeito, não é malígno, não é nada a não ser nos sutis extremos de alguns exageros e isso o faz ser tão carismátco. Maggie Gyllenhaal não é das melhores atrizes na minha opinião, mas conseguiu até desempenhar bem um papel que por si só era bastante pesado. Infelizmente, sua maior qualidade é ser “fofa” e consegue desempenhar isso bem, mas consigo também imaginar trocentas escolhas melhores para o papel de Jeane. Pequena perda aí. Por outro lado, ótima escolha de Colin Farrell como Tomy Sweet. Ele canastrão dentro e fora das telas, faz o típico gênero new country na música atual, produzindo músicas artificiais e ao mesmo tempo com um pezinho na country antiga. Ótima escolha de elenco nesse caso, já que era um papel curto.

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Bad já deixa bem claro suas intenções no começo do filme dizendo que seu nome é só Bad e vai continuar Bad (ruim) até o dia de morrer. Felizmente, ou infelizmente, para ele e para os espectadores, temos que rever sempre nossas certezas e os rumos de nossas vidas mais cedo ou mais tarde. A estrada é árdua para o personagem e tocante para os espectadores, mas principalmente… nos faz pensar. Os lemas do tipo “um dia de cada vez” e o fato de não querermos passar a vida completamente sozinhos são universais. Mesmo quando parecem batidos, estão alí martelando nosso dia a dia e não podemos correr disso para sempre. Bad Blake nos dá uma lição de vida no final das contas. Ao mesmo tempo que queremos aquele lance Luka de ser, bem “to nem aí”, também nos vemos no personagem como um ser humano que comete erros mesmo quando definitivamente não pretende.

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Recomendadíssimo para os próximos dias e para qualquer outro dia depois dessa primeira semana em cartaz. Tem o poder de agradar, e incomodar também, a gregos e troianos. Claro, tendo em noção que é um drama e é do tipo semi-oscarizado, portanto… Fica o aviso. Notas especiais para participação especialíssima de Robert Duvall. Adoro esse cara. Também comparações de Bad Blake com The Dude do Grande Lebowski são esperadas. =D

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