2 de janeiro de 2010 às 9:00

Contatos de 4º Grau [Crítica]

Abduziram quase tudo, até a história.

Quando saiu o primeiro trailer do filme, criou um certo burburinho em torno do mesmo, para se tentar descobrir se aqueles vídeos absurdos no trailer eram realmente reais ou não. Com pouco mais de análise, se viu que um cara levitando em um cidade tomada por crime e desaparecimentos grotescos teria virado notícia e permeado o Youtube em poucos dias nos tempos atuais. Desde então foi declarada a caça a película. De lá para cá muita água rolou, o hype morreu  e Contatos de 4º Grau teve uma das piores estréias possíveis nos States, em 4º lugar. Irônico? Nem tanto para um filme de 4ª categoria, salvo algumas coisinhas.

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Em Contatos de 4º Grau, somos apresentados a história da Drª Abgail Tyler – presumidamente baseada em filmagens reais de um estudo de caso conduzido pela mesma – em que ela investiga distúrbios de sono dos moradores de Nome, cidade do Alaska investigada intensivamente pelo FBI e capital de mortes e desaparecimentos bizarros. O grande número de sumiços registrados pelos últimos 40 anos podem ser reflexo de possíveis abduções alienígenas.

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O filme erra em quase tudo nas mãos do mais que novato diretor, roteirista e ator coadjuvante Olatunde Osunsanmi. Se ele acerta é uma única coisa é a fotografia que valeu um mísero ponto nessa pontuação da crítica. Ele deve ser um bom fotógrafo, porque em todo o resto, até mesmo a edição, o filme errou feio. Desde a introdução feita por Milla Jovovich se apresentando como ela mesma, até a forma como ele compara imagens “reais” com a “dramatização” fica muito mal montada e colocada. Cortar a tela tira todo o clima e a atenção do espectador que tem que estar preso na trama. Isso não é um filme de ação frenético com edição noir como a série 24 horas, é algo que tem q ser constante e tenso. Osunsanmi não tem a mínima noção de como construir um thriller/documentário e seu roteiro falha miseravelmente ao tentar criar diálogos e história que tentariam lembrar uma conversa realista.

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Dos atores não se pode esperar muito. Milla Jovovich não é atriz digna de Oscar e até hoje não fez nada melhor que Joana D’arc, falha mais ainda em interpretar o pretenso desespero de Abgail Tyler. Elias Koteas também não é lá essas coisas e continua do mesmo jeito que entrou, fazendo nada como o Dr. Abel Campos. O único que salva na “dramatização” seria Will Paton como o Sherife August, que passa alguma emoção em sua negação total dos fatos apresentados a sua frente. Ele sabe interpretar um caipira rústico americano com maestria.

Agora, a maior estrela do filme ficou sem aparecer nos créditos. A “verdadeira” Abgail Tyler é na verdade uma atriz, como os espertinhos das interwebs descobriram. Ela se chama Melora Walters e inclusive já participou de uma mini-série na HBO e fez uma participação em Seinfeld. Extremamente gostosa, diga-se de passagem, se notarem o link do vídeo. Ela também é a melhor atriz do filme, pois não fosse o fraquíssimo diálogo, ela convence com sua dor e sofrimento como se fosse a própria Dra. Tyler. Sem falar que está com uma ótima maquiagem que a deixou realmente feia e quase irreconhecível. Para ela a outra meia-estrela do filme.

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Um fiasco para a Universal, tentando convencer a audiência de que era realmente baseado em fatos reais, quando não era… em pleno século XXI. Não aprenderam que não adianta criar uma mentira desse nível em plena era do twitter? Leva meia-hora para se confirmar uma notícia hoje em dia. Não bastasse isso, deixaram o roteiro na mão de amador que não consegue criar meio diálogo crível, personagens sólidos, que dirá convencer qualquer platéia de que aquilo é sequer uma “meia-verdade”. Minha recomendação é que não percam tempo nenhum com esse filme e no máximo assistam em um Corujão da vida. A melhor parte do filme é o trailer, que obviamente não foi editado por Olatunde Osunsanmi.Vá assistir Avatar de novo. Melhor emprego do seu dinheiro e não vai sentir que sua inteligência foi insultada. ;]

Crítica