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Pergunte ao Mestre 12

Ok, ok. Eu sei que a maioria de vocês devem ter vindo amarrar o Mestre a uma estaca, juntar bastante lenha, atear fogo e ver ele queimar. Antes disso, deixe-me apenas apresentar a vocês algumas razões muito especiais pelas quais vocês NÃO devem prestar vestibular.

Na verdade é tudo muito simples. Todos sabem que o objetivo do Vestibular é funcionar como um processo seletivo para selecionar os alunos que passaram ou estão passando pelo ensino médio que tem os conhecimentos básicos necessários para terem acesso ao sistema de ensino superior, seja este público (estadual, federal, etc.) ou particular. Primeiramente gostaria de dizer que não sou totalmente contra o ensino superior, ou quaisquer formas de aprendizado por assim dizer. Aprender é sinônimo de evolução e sou um evolucionista acima de tudo. Vamos agora aos motivos básicos que levariam alguém a não participar desse processo seletivo, e posteriormente cursar esse ensino superior.

1. Dúvida

A maioria dos vestibulandos é formada por adolescentes na faixa etária entre 17 e 18 anos, recém-formados do esino médio e pertencentes a todas as classes sociais, etnias e credos. O problema é que durante toda a vida foram pressionados a escolherem uma profissão e com essa faixa etária dificilmente estão aptos a fazerem uma decisão madura e concistente sobre que carreira devem prosseguir. Se você imaginar que no Brasil esses estudantes passam mais da metade de seus dias enfurnados em livros, tarefas e estudos e no tempo seguinte nem sempre tem a oportunidade de explorar como funcionam as profissões que representam seus maiores gostos e habilidades: Como esperar que façam a decisão correta? É um paradoxo ridiculamente criado por alguns fatores básicos, como a pressão do “mercado de trabalho”, da “sociedade” (em grande parte da família e amigos) e do próprio estímulo criado pelo sistema de ensino vigente. Resumindo em uma única frase: “Na dúvida, não ultrapasse.

dúvida

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2. Pressão

Entro em outra questão interessante. Vocês sabiam que em vários países de primeiro mundo na Europa, Oceania, América do Norte, entre outros, existe a cultura de que um jovem que se forma no ensino médio deve primeiro explorar novas opções, viajar o mundo, trabalhar, estabelecer outras responsabilidades ANTES de cursar um ensino superior? Poisé, amiguinhos. Aqui no Brasil e em vários outros países de terceiro mundo existe uma pressão imposta sobre os jovens para que escolham o mais rápido possível – muitas vezes ainda na pré adolescência – sua carreira e que trabalhem em suas especializações com bastante urgência. Qual o Resultado? O mercado de trabalho está sendo inundado de profissionais imaturos, mal-preparados, apressados e basicamente inúteis, que se tornam estatísticas ao invés de cumprirem sua missão, que seria a de engrandecer o mercado e agregar conhecimento. Não ceda a pressão. Siga seu próprio ritmo e se aos 20 você ainda não sabe o que vai ser, não se preocupe, mais cedo ou mais tarde vai descobrir sua afinidade. Acredite: Um profissional em harmonia com sua verdadeira vocação vale por 100 formandos despreparados psicologicamente.

Pressão

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3. Ilusão do Livre-arbítrio

Se você for perguntar na porta de um processo de seleção se os candidatos tem certeza que querem seguir tal carreira, pode esperar que a maioria vai dizer “sim”, mas será verdade? Muitas vezes adotamos os sonhos de nossos pais, nos empolgamos com relatos de colegas, nos deixamos levar pela mídia (propaganda, jornalismo, programas de opinião, etc.) e deixamos de lado nossas verdadeiras vontades. Com os jovens isso não é diferente do resto dos seres humanos, tendo o agravante da falta de maturidade e da personalidade ainda em desenvolvimento. Eu diria para as pessoas não se deixarem levar pelas aparências e muito menos deixe que a pressão do mundo lá fora crie uma ilusão de que “X carreira é melhor para o mercado de trabalho” e transforme em “É isso que eu quero para mim”. O mercado não quer alguém ávido por dinheiro ou em satisfazer as vontades alheias. As empresas, empregadores, clientes e afins querem alguém egoísta. Acredite em mim, ninguém gosta do capacho. Todos querem alguém independente que saiba pensar por sí só e realmente esboce o idealismo do lívre-arbítrio. Seja você mesmo, não perca tempo vivendo a vida dos outros.

Ilusão

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4. Desnecessário

Muita gente vai gritar alto com essa, mas acredite. Em vários pontos o ensino superior é desnecessário. Hoje em dia na verdade é quase um consenso de que o importante não é o curso e sim o diploma. Entra na questão da pressão do mercado de trabalho. Nesse caso o ensino superior se faz totalmente desnecessário pois a qualidade de um profissional com certeza não está na sua graduação, mas sim, em como ele vai desenvolver o que aprendeu. Mais importante ainda é o que ele realmente aprendeu. Grande parte dos conhecimentos utilizados na sua carreira não vão ser aprendidos em sala de aula, mas sim em conversas com seus professores, trabalhos extra-curriculares e principalmente vindos da vontade de aprender por conta própria. Não se iluda achando que a faculdade é um poço de sabedoria, pelo menos não em nosso país. Desmistifique essa ilusão conversando com formandos longe de seu círculo social e constatando suas críticas sobre o curso muitos anos depois de sua formatura. Eles sim vão lhe dizer até onde suas faculdades – e não seus diplomas – influenciaram realmente suas carreiras. Claro que em uma universidade você vai ser estimulado a aprender, a estar envolto na área de aprendizado, a ter as “guias” do que deve se focar, mas para um autodidata isso se torna amplamente secundário. Tenha fome de aprender, não fome de se formar.

autodidata

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5. Gastos

Seja o gasto único da inscrição de um vestibular de faculdade pública, ou os milhares e milhares de reais gastos em cursinhos, faculdades particulares, atividades “extra-vestibular” de relevância ao processo de seleção, cada centavo conta. Para você entender melhor, vamos analisar a palavra “formado”. Completar o ensino superior significa completar sua “formação” acadêmica, daí o termo “formar”. Pensando assim, de que adiantou para Alceu Valença ser formado em Direito??? Ele se formou e depois teve que se reformular em outra coisa totalmente diferente do que havia criado. Praticamente começou do zero. Agora imagine que se estiver fazendo faculdade particular, você gastará até a conclusão do seu curso um mínimo de R$ 42 a 43 mil. Não é bom colocar algum pensamento nisso antes de começar? Tenha dó de seus pais. Tenha dó de seu próprio suor, se for pagar sua própria faculdade durante o curso ou depois com crédito educativo. Mesmo que vá fazer faculdade pública, mas cursou ensino médio/fundamental particular, imagine que seus pais gastaram no mínimo R$ 100 mil até o seu vestibular. Não jogue tudo fora fazendo um curso qualquer. Se for para jogar no lixo, melhor não prestar, concorda? Diante disso, eu sei que parece mesquinho, mas imagine quanto não vai ser gasto somente com o processo seletivo? As inscrições não estão baratas e alimentam uma indústria “cruel” que tortura milhões de jovens brasileiros todos os anos. Nem estou computando o gasto de “tempo” que é muito mais valioso, pois esse não podemos ter de volta.

Labirinto de gastos

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Então você me pergunta: Se eu não for fazer faculdade, vou fazer o que? O leque de opções se abre diante de seus olhos. Claro que isso varia de acordo com suas condições sociais, mas se tem acompanhado meus artigos anteriores, vai notar que tudo isso é extremamente relativo. Não existe tal coisa chamada sorte, existe competência em administrar sua vida. Você pode desde fazer um mochilão – pelo país ou pelo exterior – até arranjar um trabalho, estudar por conta própria em áreas que não são cobertas pela universidade… As possibilidades são virtualmente infinitas e poucas requerem quantias absurdas de dinheiro. Na verdade algumas até “rendem” dinheiro.

Antes que achem que estou desacreditando o ensino superior. Muito pelo contrário. Acredito que no Brasil o ensino superior não tenha o devido respeito que recebe nos países mais desenvolvidos. Se forem cursar – o que é bem provável – alguma faculdade, que façam conscientes e na hora certa de fazê-lo e não pelos motivos refutados acima. Lembre-se: Nosso país precisa de bons profissionais e não de estatísticas. Como inspiração, deixo a vocês o discursso de Steve Jobs (Presidente da Apple e dos estúdios Pixar de animação) para os formandos da classe de 2005 da Universidade de Stanford. Detalhe: Ele nunca se formou. Uma verdadeira lição não somente sobre educação superior, mas sobre a vida em geral.

O vídeo está legendados e divididos em duas partes

Esse artigo não é para aqueles que sabem o que realmente querem, mas para aqueles que ainda procuram saber e vão continuar procurando todos os dias de sua vida sendo felizes na sua busca por conhecimento.

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  1. Tati Viana Em segunda-feira, 18 de agosto de 2008

    Cara! Eu ia fazer um post sobre isso!
    Também não sou formada, nem meu marido, e nos damos bem na nossa área, praticamente dominamos :P. E tem uma porrada de formado em publicidade que não sabe nadica do que a gente sabe!!!

    Por isso que não faço. Não tô precisando…
    Mas, quem sabe um curso de artes em London? Eu topava, se pudesse :P.

  2. Christian Gump Em segunda-feira, 18 de agosto de 2008

    Cara, concordo plenamente. Acho que a pressão também vem da necessidade de trabalhar logo – e para a maioria dos trabalhos não tão ruins, é preciso curso superior.

    Só não entendi a opção de fazer um mochilão… Me explica aí, porque se tiver uma forma de fazer isso sem precisar trabalhar pra ganhar dinheiro pra viajar, eu largo tudo HOJE! hehe!

  3. Mestre Zen Em segunda-feira, 18 de agosto de 2008

    @Tati Viana
    Oooopa, se arranjar também um tour pra mim pela ásia ou uma viagem de compras em Miami eu topava legal hauhauahu :biggrin:

    @Christian Gump
    Eu tinha um livro, mas perdi. Do cara que rodou toda a Europa no final dos anos 90 com apenas 50 Dólares. Tá ok que ele passou um ou outro perrengue e os 50 dólares não incluiam a passagem de ida, mas…
    De toda forma, o mochilão não foi com a intenção de falar que não precisa de dinheiro, falei que tem várias maneiras de fazer várias coisas mais engrandecedoras que não exigem dinheiro, como trabalhar!
    Citando outro exemplo de viajante econômico, amigo meu conheceu todo o sul do Brasil com 200 reais. A história da viagem dele foi simplesmente fantástica e vai ficar pra vinda inteira. Te garanto que isso para um garoto de 18 anos seria muito mais proveitoso que 1 ano de cursinho, em termos de experiência de vida.

    MAS, como eu disse, são somente sugestões :wink:

  4. Christian Gump Em segunda-feira, 18 de agosto de 2008

    @Mestre Zen – Hehehe mas eu ainda não sei como eles fazem isso! Eu concordo que é maravilhoso! Eu saí do uruguai e fui pedalando até Tubarão-SC, e foi algo quase espiritual. Mas gastei mais que 200 reais, com certeza :-)

    Nas férias, vou mochilar no Chile, Argentina e Uruguai. Vou gastar pouquinho, se comparado a outros viajantes, mas é bem mais que isso! hehe!

    Se eu conseguisse viajar com 200 reais, eu economizava alguns milhares de reais e passava o resto da vida viajando. Meu sonho! :-)

  5. Christian Gump Em segunda-feira, 18 de agosto de 2008

    Ahhh, eu tenho um livro muito bom, de um cara que deu a volta ao mundo de Bike. Gastou só 10.000 dólares em 3 anos. Isso é massa, quem sabe ainda faço isso! hehe! O esuqema dele envolvia acampar quase sempre, e teve que trabalhar em dois países tb. Mas tudo valeu!! :D

  6. Mestre Zen Em segunda-feira, 18 de agosto de 2008

    @Christian Gump
    Putz, eu tenho que explicar tudo? Você tem quantos anos, 5? hauahuahuahuahu :biggrin:
    O evento em questão que gastou R$ 200 reais foi uns 6 anos atrás, onde 200 valiam muito mais, mas com certeza envolveu trabalhar em alguns lugares, fazer algumas coisas bem “aventureiras” e ele nem usou bicicleta, pra você ter uma noção. Mas viajar com pouca grana é perfeitamente executável, depende do intelecto, coragem e determinação do sujeito. Eu não tenho, portanto nem arrisco. Viagem não é pra mim, mas tem quem gosta… :cool:

  7. Christian Gump Em segunda-feira, 18 de agosto de 2008

    @Mestre Zen – hehe estou enchendo o saco, porque é a segunda vez em poucos dias que eu ouço que mochilar é uma alternativa que não envolve dinheiro! Na verdade, mais do que coragem e determinação, o cara precisa é de lábia pra viajar totalmente sem grana – pois vai depender totalmente dos outros. Mochilar ainda é meu objetivo na vida, mas pra isso eu tenho que trabalhar com esses negócios chatos envolvendo computador, programação… bleargh! hehehehe!

  8. Odder Em segunda-feira, 18 de agosto de 2008

    “Encanadores são os trabalhadores mais bem pagos na Austrália. [...] eles cobram até $1500 (mil e quinhentos dólares australianos) por um dia de trabalho.”

    [P.S.: 1500 AUD ~ R$ 2.100]

    E quem precisa de um diploma para virar encanador?

    Falando em decisões… o q te levou a escolher o curso q vc tá fazendo?

  9. Mestre Zen Em segunda-feira, 18 de agosto de 2008

    @Odder
    Poisé, e tem gente gastando centenas de milhares de reais pra ganhar praticamente isso no final. Tem lógica?

    Quanto a sua última pergunta:
    “Vem cá, eu te conheço???” :lol:

  10. guilherme Em segunda-feira, 18 de agosto de 2008

    Hmm… isso é verdade. O problema é o estudante convencer o pai dele disso.

  11. Mestre Zen Em segunda-feira, 18 de agosto de 2008

    @guilherme
    Talvez não comece na sua geração, mas na próxima, com seus filhos… Pense a respeito :happy:

  12. [...] tem dúvidas em relação ao vestibular? Neste link, há um ótimo texto sobre o [...]

  13. rodrigo Em segunda-feira, 18 de agosto de 2008

    bom, acho q meu caso foi isolado, mas eu nao tinha ideia do que faze, minha mae me obrigou a entra numa faculdade, e agora, 6 meses depois, eu nao me vejo fazendo outro curso, e nao me vendo fazendo outra coisa pra fala a verdade, acho q em mts casos eh necessario a formaçao superior, mas tenho uma tia q nao se formou em nada, so ralou, e ta mt feliz trabalhando, sem conta na grana ne q eh importante =D

    • Mestre Zen Em segunda-feira, 18 de agosto de 2008

      Posso dizer que você é um cara de “sorte”, rodrigo. =]

  14. Polly Em segunda-feira, 18 de agosto de 2008

    Olaaaa!!!
    Td beiin??
    Gostei mto da sua materia…

    Mto legal mesmo….
    To fazenso um curso tecnico, e vejo que o mai s valioso nao e um diploma, e sim a sabedoria e experencia e vc adquire.. Vc leva pra vida toda..

    E com elas vc nao corre o risco de ficar desempregado (kk), pois conhecimento ninguem toma da gente..

    Abraços..

    Boa tarde!!

    • Mestre Zen Em segunda-feira, 18 de agosto de 2008

      Poisé, só tome cuidado para que um curso técnico restrinja suas capacidades de aprendizado. A gente se especializa em uma função muito específica e esquece de se abrir pra outras áreas do conhecimento. Mas mesmo assim, é uma alternativa, para quem está desesperado a se formar por emprego.
      Diploma é status.


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