7 de novembro de 2009 às 16:53

Código de Conduta [Crítica]

Código de Conduta

Quem é vilão e quem é mocinho hoje em dia?

Uma das várias coisas que me fazem dizer “esse filme é bacaninha” é quando me faz refletir sobre algo ou pelo menos me causa sentimentos mistos em relação a história e os personagens. Nesse caso, o filme conseguiu esses dois com maestria, mesmo que não fosse um filme profundo, reflexivo, iraniano… daqueles meio chatinhos mas bonitos, sabe? Gosto quando Hollywood cria um certo dilema, pois até agora, mesmo depois do término do filme, não sei se fico triste ou feliz com tudo que aconteceu, mas sei que me fez pensar.

Em Código de Conduta um pai de família presencia a morte brutal de sua mulher e filha, para ver um dos assassinos escaparem impune enquanto somente outro paga pelo crime. Revoltado com o sistema judicial, ele planeja vingança contra todos os envolvidos, desde o juiz até o advogado corrupto que permitiu que isso acontecesse.

law_abiding_citizen_3

Vendo assim parece um remake de O Justiceiro ou algo do gênero, bem simplório, certo? Mas o buraco vai mais embaixo. Você fica observado os personagens e se indagando quem está certo? Quem é o bandido? Quem é o mocinho? E aí se dá conta de certas “verdades inconvenientes” que não tem nada relacionado com Al Gore. Isso graças ao roteiro de Kurt Wimmer, que já soube tratar sobre o assunto, polícia, sistema judiciário, corrupção etc em Os Reis da Rua. Isso aliado a direção de F. Gary Gray que não tem muita experiência com filmes de ação, apesar de ter feito Um Golpe de Mestre. Sua direção não chega a ser inovadora, mas é bonita e em certas cenas tem o fator “cru” que o filme necessita e o lirismo de outras… claro, para padrões Hollywoodianos.

law_abiding_citizen_25

O mais surpreendente ficou pela encenação de Gerard Butler na primeira metade do filme, com uma carga dramática que muitos acreditariam que ele não seria capaz de entregar. Ele conseguiu e no resto do filme foi obviamente aquele jeitão lunático psicótico meio Rambo de 300 que todos conhecemos, com boas pitadas de humor negro. Jamie Foxx não ganhou Oscar de troco na compra de balinha. O cara é fodáximo e dispensa comentários. Leslie Bibb, a namoradinha de John Favreau (Sr. Homem de Ferro) e que participa geralmente em comédias românticas, até teve a oportunidade de interpretar uma “mulher” ao invés de só adolescente e também surpreendeu. Participação especial de Viola Davis como prefeita, muito boa por sinal. Atriz de alto calibre, mas com poucos papéis de destaque no currículo.

law_abiding_citizen_12

Você se pergunta o que faz desse filme, algo diferente de todos os outros de justiceiros por aí? A começar pelos protagonistas. Nenhum dos dois são mocinhos ou bandidos. O que mais chama a atenção é que o personagem de Butler mata as pessoas das maneiras mais inesperadas, inteligentes e que te fazem ou dar um sorrisinho sádico no rosto ou pelo menos bater palmas de “parabéns”. O personagem de Foxx é aquele tipo genial,  que sabe tudo e cheio de seus próprios dilemas, onde acaba acreditando nas próprias mentiras. Dois personagens ricos juntos renderam reflexões interessantes, mesmo em um filme Hollywoodiano cheio de ação.

Lado ruim? O final, que não vou poder descrever porque, mas só posso dizer que é mau construído e o climax deixa muito a desejar, não pelo resultado, mas por faltar climax, acredito eu.

law_abiding_citizen_28

E no final das contas, com tantos bons talentos juntos, qual o resultado? Um filme sem bandidos e sem mocinhos. Vemos que ninguém é perfeito, a sociedade é podre mas o pior é o sistema judiciário criado pelos homens. A verdade é que a visão pessimista não é só crítica de Datena no final da tarde, te faz pensar se a justiça com as próprias mãos também é o caminho ou só mais do mesmo. Todos os personagens tem dúvidas, até os mais geniais, assim como na vida real. Assim como na vida real, ninguém consegue ter tudo. Assim como na vida real, a violência é gráfica em época de internet móvel. Na vida real ninguém é santo ou demônio 100%. Na vida real pais perdem suas famílias todos os dias e ninguém faz nada a respeito também. É um filme muito mentiroso e cheio de furos no plot, mas baseado em algo muito muito muito real.

law_abiding_citizen_8

Por esses motivos acho que o filme vale seu ingresso, muito mais do que torturadores repetitivos no sexto filme da franquia, mensagens de natal ou qualquer outro tipo de estréia da semana. Mesmo não sendo um filme esplendoroso e Bastardo, é suficientemente bom para você pensar.

Crítica