Código de Conduta [Crítica]


Quem é vilão e quem é mocinho hoje em dia?
Uma das várias coisas que me fazem dizer “esse filme é bacaninha” é quando me faz refletir sobre algo ou pelo menos me causa sentimentos mistos em relação a história e os personagens. Nesse caso, o filme conseguiu esses dois com maestria, mesmo que não fosse um filme profundo, reflexivo, iraniano… daqueles meio chatinhos mas bonitos, sabe? Gosto quando Hollywood cria um certo dilema, pois até agora, mesmo depois do término do filme, não sei se fico triste ou feliz com tudo que aconteceu, mas sei que me fez pensar.
Em Código de Conduta um pai de família presencia a morte brutal de sua mulher e filha, para ver um dos assassinos escaparem impune enquanto somente outro paga pelo crime. Revoltado com o sistema judicial, ele planeja vingança contra todos os envolvidos, desde o juiz até o advogado corrupto que permitiu que isso acontecesse.
Vendo assim parece um remake de O Justiceiro ou algo do gênero, bem simplório, certo? Mas o buraco vai mais embaixo. Você fica observado os personagens e se indagando quem está certo? Quem é o bandido? Quem é o mocinho? E aí se dá conta de certas “verdades inconvenientes” que não tem nada relacionado com Al Gore. Isso graças ao roteiro de Kurt Wimmer, que já soube tratar sobre o assunto, polícia, sistema judiciário, corrupção etc em Os Reis da Rua. Isso aliado a direção de F. Gary Gray que não tem muita experiência com filmes de ação, apesar de ter feito Um Golpe de Mestre. Sua direção não chega a ser inovadora, mas é bonita e em certas cenas tem o fator “cru” que o filme necessita e o lirismo de outras… claro, para padrões Hollywoodianos.
O mais surpreendente ficou pela encenação de Gerard Butler na primeira metade do filme, com uma carga dramática que muitos acreditariam que ele não seria capaz de entregar. Ele conseguiu e no resto do filme foi obviamente aquele jeitão lunático psicótico meio Rambo de 300 que todos conhecemos, com boas pitadas de humor negro. Jamie Foxx não ganhou Oscar de troco na compra de balinha. O cara é fodáximo e dispensa comentários. Leslie Bibb, a namoradinha de John Favreau (Sr. Homem de Ferro) e que participa geralmente em comédias românticas, até teve a oportunidade de interpretar uma “mulher” ao invés de só adolescente e também surpreendeu. Participação especial de Viola Davis como prefeita, muito boa por sinal. Atriz de alto calibre, mas com poucos papéis de destaque no currículo.
Você se pergunta o que faz desse filme, algo diferente de todos os outros de justiceiros por aí? A começar pelos protagonistas. Nenhum dos dois são mocinhos ou bandidos. O que mais chama a atenção é que o personagem de Butler mata as pessoas das maneiras mais inesperadas, inteligentes e que te fazem ou dar um sorrisinho sádico no rosto ou pelo menos bater palmas de “parabéns”. O personagem de Foxx é aquele tipo genial, que sabe tudo e cheio de seus próprios dilemas, onde acaba acreditando nas próprias mentiras. Dois personagens ricos juntos renderam reflexões interessantes, mesmo em um filme Hollywoodiano cheio de ação.
Lado ruim? O final, que não vou poder descrever porque, mas só posso dizer que é mau construído e o climax deixa muito a desejar, não pelo resultado, mas por faltar climax, acredito eu.
E no final das contas, com tantos bons talentos juntos, qual o resultado? Um filme sem bandidos e sem mocinhos. Vemos que ninguém é perfeito, a sociedade é podre mas o pior é o sistema judiciário criado pelos homens. A verdade é que a visão pessimista não é só crítica de Datena no final da tarde, te faz pensar se a justiça com as próprias mãos também é o caminho ou só mais do mesmo. Todos os personagens tem dúvidas, até os mais geniais, assim como na vida real. Assim como na vida real, ninguém consegue ter tudo. Assim como na vida real, a violência é gráfica em época de internet móvel. Na vida real ninguém é santo ou demônio 100%. Na vida real pais perdem suas famílias todos os dias e ninguém faz nada a respeito também. É um filme muito mentiroso e cheio de furos no plot, mas baseado em algo muito muito muito real.
Por esses motivos acho que o filme vale seu ingresso, muito mais do que torturadores repetitivos no sexto filme da franquia, mensagens de natal ou qualquer outro tipo de estréia da semana. Mesmo não sendo um filme esplendoroso e Bastardo, é suficientemente bom para você pensar.








Eu estava agora falando com o Fernando sobre como gosto de suas críticas e como tá chato ler alguns reviews de certos blogueiros. Você fala da produção, não passa spoilers, conta como foi realmente o filme e a atuação dos atores… Tem uma galerinha agora que tipo… Tá contando o filme inteiro!!! Até o final!
Nem gosto de filmes tipo “Tive minha família assassinada e agora quero VINGANÇA!”, mas fiquei com vontade de ler…
Um abração,
Tati
PS.: Estou de volta, graças ao Google e suas ferramentas maravilhosas. Voltei ao Google Reader, e finalmente estou acompanhando meus blogs favoritos XD.
Valeu mesmo pelo comentário. É muito importante esse tipo de feedback. E realmente tem tido muitas críticas pobres por aí, não exaltando a minha, mas tem texto ruim de todo tipo na internet como um todo.
Gostei do filme porque mesmo sendo clichezento em certos pontos tem seu diferencial e ver Leônidas nos tempos modernos tem seu valor hehehe
Valeu pela Tati ter votlado, São Google.
Olá, Fernando. Obrigado pelos comments lá no mercado binário, muito legal que tenha gostado. ;)! O assunto lá é bastante segmentado, mas tem umas duas ou três pessoas que passam lá de vez enquanto. hehee.
Verdade tenho que dar um trato depois no domínio e no layout dele, que blogspot queima qualquer tentativa de ser um blogueiro profissional,eheh.
Sobre suas releases, são show . Curti a do Substitutos, filme é #top, Vi este final de semana outro numa linha parecida, o #Gamer #top .
É, no Gamer eu já não coloquei tanta coisa boa, porque ele é um dos mais fraquinhos do Butler, seguido por Verdade Nua e Crua, mas tem sua diversão. A gente tava discutindo isso antes de você chegar no #nob aquele dia. O melhor é o Michael C. Hall. Aquele sim é tão bom ator que rouba a cena em qualquer fiilme.
Tio Butler ta fazendo filme adoidado ein? Mais um dos que gostei :D
Por mais que esse filme soe como mais um desse grandes cliches (tipo vingança a qualquer custo),vale dizer q vi e recomendo , embore não aprove o q os roteiristas fizeram com o desenvolvimento da trama que de inicio se apresenta com um intenso suspense psicologico, e se torna em mais um desses “enlatados” de ação,com um PÉSSIMO fechamento da história (resoluções absurdas do conflito com informações que se contradizem)
Mas isso vai da opinião de cada um
Como falei, o desfecho não foi o melhor possível, mas o filme tem seu valor pelo debate que traz.
Valeu pelo comentário.
Eu ainda acho que o filme começou excelente e terminou ruim.
Prezado,
Discordamos sobre sua afirmação de que esse filme não é profundo nem reflexivo. Esse comentário soa tão reducionista quanto dizer que todos os filmes iranianos são bons e que todos os filmes hollywoodianos são ruins/pobres. Se você conhecesse alguns poucos teóricos que estudam violência, punição, banalidade do mal tais como Arendt, Foucault e o próprio Clausewitz, citado no filme, que diz “a guerra é a política continuada através de outras formas” e que Foucault a inverte afirmando que “a política é a guerra continuada através de outras formas”, entenderia melhor a reflexão (que você diz inexistir) proposta pelo filme. Outra questão que este filme nos fez pensar é sobre o caráter político e não somente psíquico das ações humanas. O protagonista do filme afirmou diversas vezes que o que ele estava fazendo não era vingança (afirmação essa que você parece não ter percebido ao reduzí-lo como mero justiceiro), mas sim desvelar as corrupções do sistema judiciário e ensinar o promotor a não agir como um simples gestor, da mesma forma que a filósofa judia Hannah Arendt criticou Adolf Eichmann, o principal responsável pelo extermínio dos judeus cometidos na II Guerra Mundial, que foi julgado em Jerusalém por crimes contra a humanidade. Outra questão problematizada no filme são as dualidades bem/mal e justiça/injustiça, além da problematização do posicionamento político do “terrorista”, que pode ser pensado sob o caráter de extrema esquerda (anarquista) ou de extrema direita (fascista). Isso não significa definir suas ações sob um ou outro aspecto político, pois são muito mais complexas, envolvendo diversos fatores. Portanto, creio que a única denominação que não deva ser atribuída ao filme é de pobreza. Ao contrário, é preciso observar além da lente técnica, preconceituosa (anti-hollywoodiana) e senso-comum (pseudo-intelectual) de pura e simples justiça de alguém que teve sua família exterminada. O filme ‘O Justiceiro’, baseado nos quadrinhos da Marvel, possui sim uma outra linha de reflexão baseada na ideia de justiça com as próprias mãos. Já esse filme vai muito além disso, permeia toda uma filosofia política da violência. Acreditamos que você desenvolveu uma análise bastante pobre e simplista sobre o filme, mas como não somos críticos de cinema e aqui estamos no papel de críticos de um crítico, atenhamo-nos apenas a expressar nossa opinião divergente.
Atenciosamente,
Pablo O. Rosa
Thaís R. Rosa
foi um dos melhores filmes de ação que assisti esse ano.
o final realmente tb não gostei,mas acho que não teria um ouyto final alternativo para ele.
faboloso!!!
Não sou muito versado em filmes. Mas este eu assiste e por mais de uma vez. Sou advogado e vejo que o sistema judiciário brasileiro está a beira de um colapso, pois os juízes não agem como funcionários públicos, mas como se proprietários da lei fossem. Como se tivessem a tutela das pessoas. Isso está levando a uma série de erros, com inúmeras prisões indevidas. E quanto o cidadão que teve seus direitos violados bate ás portas do mesmo judiciário, por terem ficado presos por erros grotescos de um magistrado, acaba se formando um corporativismo asqueroso, sob o vil argumento de que não existiu violação das regras.
Por sua vez o ministério público que se coloca como defensor da legislação, busca sempre a condenação, pouco se importando se a pessoa está ou não sendo vítima de uma investigação policial deficiente.
Vivo em uma pequena cidade onde os feitos são bem limitados. Mesmo assim há uma infinidade de casos onde a pessoa vai para a masmorra e depois o tribunal reconhece que ela é inocente.
Não sou muito versado em filmes. Mas este eu assiste e por mais de uma vez. Sou advogado e vejo que o sistema judiciário brasileiro está a beira de um colapso, pois os juízes não agem como funcionários públicos, mas como se proprietários da lei fossem. Como se tivessem a tutela das pessoas. Isso está levando a uma série de erros, com inúmeras prisões indevidas. E quanto o cidadão que teve seus direitos violados bate ás portas do mesmo judiciário, por terem ficado presos por erros grotescos de um magistrado, acaba se formando um corporativismo asqueroso, sob o vil argumento de que não existiu violação das regras.
Por sua vez o ministério público que se coloca como defensor da legislação, busca sempre a condenação, pouco se importando se a pessoa está ou não sendo vítima de uma investigação policial deficiente.
Vivo em uma pequena cidade onde os feitos são bem limitados. Mesmo assim há uma infinidade de casos onde a pessoa vai para a masmorra e depois o tribunal reconhece que ela é inocente.
O filme é fantástico. Deveria ser receitado para todos os juizes e também membros do ministério público para ver se acabava com a prepotência desses funcionários públicos altamente remunerados e que não dão a mínima satisfação para os prejudicados pelos seus atos.
Infelizmente o filme é uma ficção. Sinceramente eu gostaria que ele se transformasse em realidade, pois assim essas pessoas que se dizem da justiça (que é uma ofensa ao termo), talvez tivessem mais responsabilidade.
O filme, em minha modesta opinião, é uma obra prima, apesar de seu final que eu não gostei, pois preferia ver o promotor também amargando as consequências do que ele plantou.
Pablo e Thaís Rosa estão com a razão.
Considero que pra fazer um final bom, precisaria de pelo menos mais 30min de filme. Que final mais ruím para um filme tão inteligente. Lamentável.
Concordo José.
E por mim, o personagem do Butler, sairia vivo, e todo resto morreria no plano que ele arquitetou, principalmente o promotor vivido pelo Foxx, que pra mim, sai como herói, e na verdade é o principal vilão do filme. Ele (Foxx) e resto, seviriam de exemplo pela pura e simples conivência.