21 de abril de 2008 às 3:46

CASO ISABELLA – Entrevista no Fantástico de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá

Meio mundo a essa altura já assistiu. Quando a gente acha que tá tudo resolvido, vem algo mais surpreendente. O tempo todo a própria imprensa se pergunta “Por que este caso causou tanta comoção nacional?”, enquanto aqueles que perguntam são a própria resposta em sí. A verdade é que o Caso Isabella Nardoni não morre, assim como a pequenina, porque a MÍDIA não deixa ele morrer. Eu confesso que tenho minha parte nisso, fazendo este post. Mas prometi a mim mesmo que não deixaria de fazer os devidos comentários.
Antes de passar os fatos em sí, só gostaria de apontar algumas coisinhas. Por um lado sim um país inteiro foi bem apressado em julgar o casal como culpado. Criou-se todo um mito e a mídia em torno desse caso foi bem cruel antes mesmo de um único laudo ser liberado. Não existe nada mais importante em casos misteriosos do que uma completa investigação forense. Dito isso, também não tem como se negar que as provas são contundentes em tudo envolvendo o caso. Mais importante do que quem matou, como matou, onde matou, são as perguntas que não tem respostas. TODAS as perguntas sem respostas levam a uma única conclusão lógica e racional… a de que o casal tenha feito. Quem faria ? Por que faria ? Como seria possível contrariar todas as evidências físicas e se comprovar uma terceira pessoa ? Nessas dúvidas recaem nosso julgamento. Enquanto tudo não for respondido, não existe uma forma de não se apontar para a conclusão mais lógica. A mente humana pode funcionar de forma perversa nessas horas, mas é em cima da eficiência máxima que a máquina burocrática investigativa é capaz de funcionar

Últimos Acontecimentos

Agora, para quem não tem visto tv nos últimos dias, vai um resumo dos últimos acontecimentos. Segundo a perícia, Isabella chegou machucada ao prédio. Ela foi ferida na testa por um objeto pontiagudo, e sangrou dentro do carro. No carro, estavam: o pai dirigindo, a madrasta ao lado, o irmão menor na cadeirinha, atrás do pai, o irmão maior atrás da madrasta e Isabella no meio dos dois. Segundo a perícia, havia sangue de Isabella na lateral da cadeirinha, no encosto de cabeça do banco do motorista e no assoalho entre as duas fileiras de bancos. Do carro até o apartamento não havia rastro de sangue.
Para os peritos, isso significa que o sangue da menina foi estancado. Para isso, foi usada a fralda de pano, mais tarde encontrada no apartamento. A fralda foi encontrada mergulhada em água, mas os exames revelaram vestígios de sangue de Isabella no tecido. Pela seqüência estabelecida pela perícia, a fralda foi retirada do rosto de Isabella na entrada do apartamento, onde começa o rastro de sangue. Havia ferimentos na parte interna dos lábios da menina, provocados pela pressão contra os dentes. Isso que demonstra que alguém segurou com força a boca da menina. A intenção seria impedir que ela gritasse. O rastro de sangue vai até perto do sofá, onde Isabella foi deixada no chão. Nesse local, havia uma concentração maior de sangue. Os peritos também concluíram que, nesse momento, Isabella estava com as pernas flexionadas, o que explica o formato do pingo de sangue na calça dela. Enquanto isso, a tela de proteção do quarto era cortada. A mesma pessoa que entrou com Isabella no apartamento, pegou a menina de novo no colo e seguiu para o quarto de onde ela seria jogada. Todos os pingos caíram de uma altura de pelo menos 1,25 m. A conclusão dos peritos foi de que Isabella estava no colo de uma pessoa com altura compatível com a de Alexandre. Com a menina no colo, o agressor tentou subir na cama, em direção à janela, mas escorregou.
No colchão, ficou o que os peritos chamam de esfregaço, a marca de um chinelo compatível ao que Alexandre usava no dia do crime. Ficou ainda a marca de uma pegada e mais um esfregaço entre os colchões, sinal de outro desequilíbrio do agressor. Havia sangue na sola do chinelo do pai e uma mancha no tênis da madrasta. O agressor então se ajoelhou na cama e passou o corpo de Isabella pelo buraco da rede. Segundo a perícia, o assassino segurou a criança de frente para ele, passou primeiro os pés pelo buraco, segurou a criança pelos pulsos e soltou primeiro a mão esquerda. As marcas das pontas dos dedos e dos joelhos da menina ficaram na fachada do prédio.
Na camiseta que Alexandre Nardoni usava no dia do crime, os peritos encontraram o desenho da trama da rede. Segundo eles, a sujeira e a pressão exercida sobre a tela deixaram marcas inconfundíveis. Marcas que só seriam possíveis, se ele tivesse pressionado firmemente o corpo contra a rede, com os braços esticados. Era a posição de quem jogou Isabella. Ainda segundo a perícia, foram encontrados na lixeira do apartamento pedaços de papel, com a letra de Anna Carolina. De acordo com os peritos, estavam escritas frases desconexas que falavam das crianças e denotavam tristeza. Os peritos também concluíram que os sinais no pescoço de Isabella são compatíveis com as mãos da madrasta e que não havia mais nenhum adulto na cena do crime, além do casal.
Durante interrogatórios na sexta-feira, Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá entram em contradição, principalmente sobre horários na noite do crime. Madrasta de Isabella diz desconhecer manchas de sangue de Isabella encontradas no carro do casal pela perícia. Advogado de defesa, diz que laudos ainda não são provas no caso.

POR ÚLTIMO

Depois de tudo isso ser trazido a imprensa, vem então a bombástica entrevista deste domingo em cadeia nacional no Fantástico. E sobre isso cada um deverá tirar suas conclusões. Mas pouco fica a dizer, agora é deixar a burocracia investigativa tomar seu curso e esperar que esse circo acabe né ? =/

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