25 de janeiro de 2009 às 11:00

Austrália [Crítica]

Australia

Austrália

Um belo romance de 3 horas que poderia ter menos de 2

Em épocas de filmes com bastante drama, aventura e romance ao longo de quase 3 horas, Austrália vem contar a história de um país rico em cultura e acontecimentos marcantes, mas peca em alguns pontos que poderiam ter levado o prejuízo de bilheteria a ser um dos maiores sucessos de 2008 nos States. Explico porque…

Em Austrália somos apresentados a aristocrata Lady Sarah Ashley (Nicole Kidman) que sai da Inglaterra para o inóspito país da Oceania encontrar com seu marido, porém acaba o encontrando morto. Ela então é herdeira de uma gigantesca fazenda de criação de gado do tamanho de um pequeno estado. Agora tem que enfrentar o barão da pecuária local e levar quase 2.000 cabeças de gado através do norte da austrália para conseguir salvar seu rancho. Então se junta a Drover (Hugh Jackman), um boiadeiro rústico que se propõe a lhe ajudar em troca de uma boa parceira reprodutora para seu cavalo de raça. Além de tudo isso, eles tem que lidar com a eminente ameaça japonesa da Segunda Guerra Mundial em vésperas do ataque a Pearl Harbor.

Casal improvável na realidade que é certíssimo no cinema

O diretor Baz Luhrmann é um tipo muito simples: o famoso ame-o ou ode-o. Basicamente ele faz o tipo de filme que as pessoas adoram ou abominam. Apesar de gostar como ele cria suas narrativas, tenho que admitir que ele fez um trabalho visualmente impecável, o que justifica o gasto absurdamente alto no filme – e seu grande prejuízo nas bilheterias – mas a forma de contar a história e até partes da história em si saíram meio tronchas. Uma pena para um diretor já tão consagrado com obras como o novo “Romeu e Julieta” ou “Moulin Rouge“. Todos perfeitos em seus papéis. Nicole Kidman é simplesmente linda e mesmo não tendo muito “recheio” sabe encantar os homens, mas nesse filme seu papel era de “mulher forte e decidida”. Jackman não tem nem o que dizer. Em questão de atuação ele não deu nenhuma bola fora, não começaria agora. Drover é o típico personagem feito para ele: Wolverine galã. Ainda temos aparições de vários atores talentosos como Bryan Brown – natural australiano – e o Dilios de 300, David Wenham – sempre em segundo plano – dessa vez encarnando o bandidíssimo Neil Fletcher.

História lida sobre amor familiar que transcende barreiras raciais

O que se pode dizer? É um “chick flick“, ou seja, filme para garotas. Tem bastante Hugh Jackman sem camisa, uma mulher no estilo durona decidida (apesar de ser filme de época) e uma história tocante sobre romance, laços de amor, discriminação racial e família. A história que pode ser facilmente dividida em duas partes poderia também ser dividida em dois filmes, talvez até 3 já que surgiram boatos de que alguém poderia fazer uma continuação se fosse bem sucedido – o que não aconteceu nas bilheterias americanas. O motivo? O filme que tem quase a mesma duração de Benjamin Button,  se torna muito extenso, enrolado e comprido de se acompanhar. É um pouco cansativo em certos momentos e dá muitas voltas para se chegar onde se quer chegar. Claro que queriam mostrar muitas coisas, mas exatamente por isso poderiam ter se focado mais e dividido o filme em partes. Além disso, não exploraram suficientemente a história australiana e cultura aborígene – que foi pintada apenas como misticismo um tanto quanto “mágico” – o que deveria ter sido melhor trabalho dado o título do filme.

Nicole Kidman é uma mulher forte, do tipo moderninha...

Então a opinião final é…? Não compensa ir no cinema conferir a obra de quase 3 horas de Baz Luhrmann que já foi reeditada duas vezes antes de ser lançada e mesmo assim não conseguiu ficar “redondinha”. Melhor esperar em DVD para assistir no conforto do seu lar e poder dar pausas para descanso. Filme muito bonito, mas com narrativa cansativa. Aguarde para ver. Com certeza pode valer o dinheiro da locação, principalmente para ver juntinho da cara metade ou daquela garota que tá afim de levar em casa em um clima mais romântico ;]

.

Crítica