18 de fevereiro de 2010 às 2:12

Amor Sem Escalas [Crítica]

“O homem da mochila vazia…”

Com quase um mê de atraso, eu sei. É por uma ótima causa, acreditem. No tipo de filme reflexivo sobre a vida, o futuro, casamento, família, estabilidade, amor, amizade, emprego e tudo que vem entre essas coisas, uma película que na sua falta de alguns diálogos e argumentos lógicos, sobra em interpretação e até mesmo direção. Ao contrário de Diablo Cody, outra filha de “Juno” que não se deu nada bem em Garota Infernal, Jason Reitman se dá super bem em uma história de um homem “pronto para fazer uma conexão”… Por mais piegas que essa tag soe. ;]

Amor Sem Escalas conta a história de Ryan Bingham, um homem que dedicou sua vida a uma empresa dedicada a terceirização da demissão de funcionários. Ele ama seu trabalho que o faz viajar de uma cidade a outra constantemente, fazendo das viagens seu verdadeiro lar. Sem criar vínculos com ninguém em lugar nenhum, sua vida começa a mudar quando conhece a bela Alex, que parece ser uma versão feminina de si mesmo. Ao mesmo tempo ele deve treinar a jovem Natalie, que inventou um sistema radical que pode por um fim aos seus dias como viajante. Justamente pouco antes dele completar o maior feito de sua vida e acumular 10 milhões de milhagens.

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Reitman acerta em cheio na dramédia, dando o tom bem entre o drama e a comédia de humor negro. Afinal de contas, não tem nada mais humor negro do que brincar com a desgraça dos americanos desempregados em plena recessão. E ele joga muito bem com isso. O bom gosto musical, de edição e até mesmo na sensualidade implícita (e explícita) de algumas cenas é de extremo bom gosto. Pode-se dizer que Reitman montou o melhor filme sobre recessão americana possível em questão de produção. Chupa, Michael Moore.

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As atuações são as maiores estrelas do filme. Um filme que se baseia em sutis emoções passadas por magistrais atores, inclusive uma quase novata na área Anna Kendrick – a ninfeta de Crepúsculo – são surpreendentes. A gostosinha rouba o filme e inclusive passa uma sensação de “porque diabos estou vendo esse filme?” quando ela perde tempo fora de cena. Claro que George Clooney está provavelmente na sua melhor interpretação desde Três Reis, que apesar de ter considerado um filme fraco, foi uma das melhores interpretações dele na minha opinião. Sim, melhor que Dany Ocean, Michael Clayton e Mar em Fúria. É a primeira vez que ele convence como ser humano, exatamente por ser a típica pessoa mais que humana forçada a posar uma fachada fria. E nas cenas finais, mostra do que é feito. Vera Farmiga demonstra que veio para ficar, depois de ótima atuação em A Orfã, volta em um papel forte e pivô de praticamente toda a história. Simplesmente fantástica e uma uber MILF. Detalhe para a interpretação pouco reconhecida de Jason Bateman e participações especiais do hilário Zach Galifianakis de Se Beber, Não Case, lendário J.J. Jameson J.K. Simmons e o clássico Sam Eliot.

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O filme é sensível e insensível ao mesmo tempo. Difícil explicar. As piadas são sutis, então se é fã de um humor escrachado, nem tente. Não tem muita forma de dar spoilers, mas é fácil também entregar todo o filme com poucas palavras. Apesar de todo o bafafá semi-oscarizado até agora, talvez quem lucre mais com esse filme seja a jovem Anna Kendrick por antes disso tudo ser apenas uma das amiguinhas de Bella em Crepúculo e nada mais. Suas emoções transparecem e nós vemos a dureza de estar perdido no mundo pelos olhos de alguém inteligente, porém muito “inocente”. No mais o filme trata de relacionamentos, de isolamento e como os dois definitivamente não andam de mãos dadas e os riscos que se assume por ambos os caminhos.

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Esteja você no time dos “sou solteiro feliz” ou “quero me casar pra ontem”, de qualquer forma Amor Sem Escalas é um convite para uma discussão saudavel e sem mela-cueca sobre o assunto, com pitadas de humor, assunto sério, pouco de drama e muita coisa para se pensar ao longo da sua uma hora e meia. Boa opção para as poucas salas de cinema que ainda estão passando e para dias de extremo calor, onde um ar condicionado e bons filmes vem a calhar.

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