Amor Sem Escalas [Crítica]

“O homem da mochila vazia…”
Com quase um mê de atraso, eu sei. É por uma ótima causa, acreditem. No tipo de filme reflexivo sobre a vida, o futuro, casamento, família, estabilidade, amor, amizade, emprego e tudo que vem entre essas coisas, uma película que na sua falta de alguns diálogos e argumentos lógicos, sobra em interpretação e até mesmo direção. Ao contrário de Diablo Cody, outra filha de “Juno” que não se deu nada bem em Garota Infernal, Jason Reitman se dá super bem em uma história de um homem “pronto para fazer uma conexão”… Por mais piegas que essa tag soe.
Amor Sem Escalas conta a história de Ryan Bingham, um homem que dedicou sua vida a uma empresa dedicada a terceirização da demissão de funcionários. Ele ama seu trabalho que o faz viajar de uma cidade a outra constantemente, fazendo das viagens seu verdadeiro lar. Sem criar vínculos com ninguém em lugar nenhum, sua vida começa a mudar quando conhece a bela Alex, que parece ser uma versão feminina de si mesmo. Ao mesmo tempo ele deve treinar a jovem Natalie, que inventou um sistema radical que pode por um fim aos seus dias como viajante. Justamente pouco antes dele completar o maior feito de sua vida e acumular 10 milhões de milhagens.
Reitman acerta em cheio na dramédia, dando o tom bem entre o drama e a comédia de humor negro. Afinal de contas, não tem nada mais humor negro do que brincar com a desgraça dos americanos desempregados em plena recessão. E ele joga muito bem com isso. O bom gosto musical, de edição e até mesmo na sensualidade implícita (e explícita) de algumas cenas é de extremo bom gosto. Pode-se dizer que Reitman montou o melhor filme sobre recessão americana possível em questão de produção. Chupa, Michael Moore.
As atuações são as maiores estrelas do filme. Um filme que se baseia em sutis emoções passadas por magistrais atores, inclusive uma quase novata na área Anna Kendrick – a ninfeta de Crepúsculo – são surpreendentes. A gostosinha rouba o filme e inclusive passa uma sensação de “porque diabos estou vendo esse filme?” quando ela perde tempo fora de cena. Claro que George Clooney está provavelmente na sua melhor interpretação desde Três Reis, que apesar de ter considerado um filme fraco, foi uma das melhores interpretações dele na minha opinião. Sim, melhor que Dany Ocean, Michael Clayton e Mar em Fúria. É a primeira vez que ele convence como ser humano, exatamente por ser a típica pessoa mais que humana forçada a posar uma fachada fria. E nas cenas finais, mostra do que é feito. Vera Farmiga demonstra que veio para ficar, depois de ótima atuação em A Orfã, volta em um papel forte e pivô de praticamente toda a história. Simplesmente fantástica e uma uber MILF. Detalhe para a interpretação pouco reconhecida de Jason Bateman e participações especiais do hilário Zach Galifianakis de Se Beber, Não Case, lendário J.J. Jameson J.K. Simmons e o clássico Sam Eliot.
O filme é sensível e insensível ao mesmo tempo. Difícil explicar. As piadas são sutis, então se é fã de um humor escrachado, nem tente. Não tem muita forma de dar spoilers, mas é fácil também entregar todo o filme com poucas palavras. Apesar de todo o bafafá semi-oscarizado até agora, talvez quem lucre mais com esse filme seja a jovem Anna Kendrick por antes disso tudo ser apenas uma das amiguinhas de Bella em Crepúculo e nada mais. Suas emoções transparecem e nós vemos a dureza de estar perdido no mundo pelos olhos de alguém inteligente, porém muito “inocente”. No mais o filme trata de relacionamentos, de isolamento e como os dois definitivamente não andam de mãos dadas e os riscos que se assume por ambos os caminhos.
Esteja você no time dos “sou solteiro feliz” ou “quero me casar pra ontem”, de qualquer forma Amor Sem Escalas é um convite para uma discussão saudavel e sem mela-cueca sobre o assunto, com pitadas de humor, assunto sério, pouco de drama e muita coisa para se pensar ao longo da sua uma hora e meia. Boa opção para as poucas salas de cinema que ainda estão passando e para dias de extremo calor, onde um ar condicionado e bons filmes vem a calhar.









O título em português é o Ó, parece que se trata de uma comédia romântica (não que eu não goste das mesmas), mas parece que há uma lei implícita de que deve-se colocar nomes babacas nos filmes e deve-se fazer o poss´vel pra inserir entre os nomes dos filmes pelo menos uma das seguintes palavras: amor, paixão, desejo. O nome melhor em português seria “No Ar”, mas tudo bem. Amo filmes que equilibram humor sutil e drama, esse filme faz isso muito bem, as interpretações estão memoráveis, me surpreendi com a Anna Kendrick, pois a atuação dela em Crepúsculo chega a dar-me um quê de vergonha alheia. Um filme bom e interessante de se assistir, mostra um USA que não estamos tão acostumados a ver nos filmes, sem exageros, com ótimas atuações, principalmente de Vera Farmiga e George Clooney (também acho a melhor dele que vi até agora). Ah e o final foi surpreendente… O filme não me ganhou logo de cara, mas me conquistou aos poucos.
Filme me ganhou no discurso inicial, pra falar a verdade hehehe
E concordo com tudo, menos que o final era surpreendente, mas aí é questão de ponto de vista. Valeu pelo comentário Nídia. Você escreve muito bem
Obrigada Mestre Zen!
Esclarecendo: eu teria me expressado melhor se houvesse dito, relativamente surpreendente, não que seja, literal e absolutamente surpreendente!
Pra mim, o melhor filme de todos os tempos das últimas semanas. Gostei muito mesmo. Mas pra mim o final acabou sendo surpreendente mesmo, ***SPOILER***.
E eu quero uma profissão que me faça viajar mais de 300 dias por ano!
Comece a demitir pessoas hauahuaha
Obrigado pelo spoiler Senhor!
eu tambem me surpreendi com o final :P…mais eu gostei muito do filme,bem palpável e sem reviravoltas fantasticas,bem verossímil com a realidade… sei la,foi um filme que me tocou =D…penso até em comprar o livro do qual se originou
Eu sinceramente fui no cinema assistir esse filme só pq não tava a fim de ficar em casa e só escolhi ver Up in The Air lá, pq os outros que tavam passando eu já havia assistido e mesmo assim fui meio contra a vontade pq sinceramente não gosto do George Clooney nunca fui fã dele .
Só quê, desde os primeiros minutos do filme , a estória já foi me encantando e quando me dei por mim o que eu acharia que seria quase que um sofrimento de assistir eu já ficava na cedira torcendo pra que o filme durasse o máximo possível, eu amei tudo nele, amei o fato de depois de meia hora a gente pensar que já sabe como vai ser o final até que, quando o final chega ,a gente é surpreendido, já que é um fato pra mim pelo menos que 99% das comédias românticas são muito previsíveis, mas sem dúvida esse filme vai bem além de ser simplesmente classificado como uma comédia romântica , que é o que todo mundo o classificaria se assistirmos só o trailer ou se levarmos em conta apenas o péssimo título em português . Nota 10, amei do começo ao fim .Mereceu mesmo todas as indicações em premiações importantes desse ano a que concorreu, e fiquei meio tristinha por não ter levado algum prêmio “importante” no oscar hoje .